Presidente da Afrebras, Fernando Rodrigues de Bairros, explica o porquê o setor de bebidas é o que mais sofre com a injustiça tributária no Brasil
No dia 23 de agosto será ‘celebrado’ em todo o País o Dia da Injustiça.  Mas qual é o motivo para ‘comemorar’ esta data?  Todos sabem que o Brasil é recordista no quesito ‘injustiça’,  principalmente quando se fala em  impunidade e desigualdade: o salário mínimo é   insuficiente,  a educação e a saúde  públicas são lamentáveis, e assim por diante. Isso sem falar da injustiça tributária, o tipo de injustiça que mais afeta alguns setores da economia.

Um dos segmentos empresariais que mais sofre com os tributos governamentais é, sem dúvida, o setor de bebidas. Mas não em seu todo, é claro. Os injustiçados são ‘apenas’ os pequenos e médios fabricantes nacionais, responsáveis pela geração de aproximadamente 30 mil empregos diretos. Só em 2012, 16 fábricas regionais de refrigerantes fecharam suas portas devido à alta carga tributária e às dificuldades de concorrência com as grandes corporações do setor.

O presidente da Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil – Afrebras, Fernando Rodrigues de Bairros, comenta que há anos discute-se a necessidade de uma reforma tributária que diminua os desequilíbrios do sistema de arrecadação de impostos do País, mas não existe o menor interesse político em reverter essa situação, já que o Fisco pressupõe somente o lucro. “Para alertar a sociedade, a Afrebras criou o “Zé Bocão”, personagem que representa os pequenos fabricantes de refrigerantes que estão cansados de esperar por soluções e estão denunciando, pessoalmente, as injustiças e distorções da atual estrutura do setor de bebidas”, argumenta Bairros.

A injustiça tributária é danosa para uma nação que vem crescendo e avançando econômica e socialmente; as dificuldades enfrentadas pela indústria nacional criam  barreiras ao desenvolvimento do País. Diante desse crítico cenário, a Afrebras faz um apelo para que o governo federal corrija o processo de extrema monopolização do setor de bebidas, que concentra a participação de mercado e o faturamento nas mãos das grandes corporações multinacionais. “É preciso um esforço para realizar as mudanças no segmento de bebidas frias e evitar o fechamento de mais fábricas, a perda de mais empregos e criar condições dignas de concorrência com as grandes marcas”, finaliza o presidente da Associação.



Texto: Danielle Ruas

Edição: Lenilde De León

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