Marco Antônio Barbosa*

Na última semana a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um estudo em que o setor industrial gasta mais em segurança do que em ciência e desenvolvimento. No ano passado, foram gastos cerca de R$ 30 bilhões em segurança, enquanto, em pesquisa, foram gastos R$ 12,5 bilhões, de acordo com os últimos dados disponíveis do IBGE.

Outro número mostrado pela CNI também é bastante preocupante. Um em cada três empresários escolhe o local do seu negócio pelo grau de periculosidade. Ou seja, a logística ou proximidade da matéria-prima não são levadas em conta.

Estes dados são sintomáticos e refletem na vida de todos. Estes valores estão embutidos em todos os produtos que você, caro leitor, consome, seja um carro ou uma simples caneta. Com isso, a violência chegou ao nível de influenciar inclusive o nosso consumo diário.

Já são perceptíveis os gastos com segurança privada – como câmeras ou cancelas – para se proteger. Também já é claro que precisamos evitar caminhos, gastando mais gasolina ou pegando outro ônibus, para não sermos vítimas de um assalto. Isso sem contar nos impostos que deveriam ser investidos em segurança que também pagamos. Em todas as pontas a conta chega aos nossos, já reduzidos, bolsos. Agora temos mais uma evidência e é muito importante que tenhamos a consciência da gravidade do problema.

Não é da noite para o dia que isso irá mudar, mas algo precisa ser feito, urgentemente, para que esta engrenagem comece a girar da forma correta e reflita na sociedade que vamos deixar para os nossos filhos. O estudo da CNI também aponta melhorias que vão gerar resultados concretos em 2023, por exemplo. Não existe segredo ou mágica. Não existe intervenção militar que resolverá em um instante. O problema vem de décadas. Como pode ser resolvido em um piscar de olhos?

Dói na conta, dói quando perdemos alguém para a violência. Atualmente, segundo o ranking da organização de sociedade civil mexicana Segurança, Justiça e Paz, 17 das 50 cidades mais violentas do mundo estão no Brasil. Como mudar este panorama sem um cuidado especial?

É necessário cobrar dos governantes um planejamento com investimentos não só em segurança, mas em educação, saneamento básico e saúde. Fazer com que o Estado consiga prover dignidade para a população e assuma o vácuo de oportunidades deixado para o crime organizado se apossar.

Nós – população geral, empresários, instituições – precisamos unir forças e pedir uma solução conjunta para o Brasil. O problema não é municipal ou estadual, ele é federal e precisa de uma política comum para ser resolvido. Uma facção criminosa não se prende à fronteiras e o Governo precisa ser assim também, em todas as áreas.

A insegurança custa caro, seja em forma de produtos ou vidas. Até quando vamos continuar calados pagando esta conta?

* Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

Sobre a CAME do Brasil

Presente no Brasil desde 2010, com sede em Indaiatuba/SP, a CAME Group é uma empresa de origem italiana com mais de 40 anos no mercado e líder mundial em produtos para automação de acesso, com certificações ISO 9001 e ISO 14001. A empresa dedica-se à excelência em equipamentos e assistência técnica de alta qualidade, inovação e performance no segmento de controle de acesso e automação predial, desenvolvendo projetos customizados para clientes de diferentes segmentos de mercado. Com filiais em 17 países e mais de 350 distribuidores exclusivos no mundo todo, a CAME controla três empresas produtivas (CAME Cancelli Automatici, BPT Sistemas de automação residencial e industrial, e Urbaco), além da CAME Service Itália, especializada em assistência aos clientes. No seu portfólio de produtos, oferece o que há de mais moderno e robusto em cancelas, portas e pilares automáticos, correntes e automatizadores pivotantes ou deslizantes, entre outros. Veja mais em: www.came-brasil.com.

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