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A receita de um campeão tem dessas

Rodrigo Wieler*

Nervosismo, apreensão e ansiedade. E tudo isso, nesses últimos tempos, temperado com muita incerteza. O ano do vestibular já não costuma ser dos mais fáceis na vida de qualquer jovem. Em tempos de pandemia, com aulas remotas, revisões e assistências online, além de provas adiadas e até suspensas, o medo de não saber mais o que esperar do destino só cresceu.

Agora, quando finalmente parecia que o prato principal sairia fumegando do forno e poderia ser degustado por todos os famintos postulantes a uma vaga na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o sabor amargo do adiamento do processo seletivo da instituição em mais um mês fez muitos vestibulandos, que já esperam há muito, ficarem com cara de quem comeu e não gostou.

Qual a receita para o caldo não engrossar? Primeiro, precisamos considerar que ninguém está feliz com esse cardápio de novidades indigestas que a pandemia insiste em nos fazer provar a cada novo dia. Aposto que a UFPR não gostaria de ter adiado um de seus eventos anuais mais importantes por mais de uma vez. Isso traz implicações para o calendário acadêmico, professores, alunos já matriculados, futuros universitários, entre diversas outras atribulações.

No entanto, sei que, para muita gente, essas minhas palavras, bem como as justificativas apresentadas pela Universidade soam como uma insossa comida de hospital. Tá, eu compreendo, cabeça de vestiba ferve e a aflição deixa tudo muito mais azedo. Sentindo-se como sobra ou resto, muitos candidatos experimentam a sensação de estarem sendo fritos ou então cozidos em banho-maria. De onde tirar motivação para continuar estudando? Como conseguir lembrar de tudo o que é preciso com a prova levando ainda mais tempo para acontecer? Com que cabeça fazer o vestibular?

Resposta: do mesmíssimo jeito que você iria fazer a prova antes. Quer dizer, do mesmo jeito, não. Por que não transformar essa conturbada refeição em um banquete repleto de aromas e sabores que você não havia considerado? Como aquela emoção de arriscar pedir um prato com ingredientes exóticos e que você nunca antes provou: degustar um pouquinho mais aquela matéria que nunca foi a sua favorita ou tentar se aventurar por aquele capítulo da apostila que você sempre deixou para depois.

E, se você já está empanturrado de tanto estudar, os acompanhamentos não farão mal ao virarem pratos principais. Ler bons livros, assistir a filmes enriquecedores, ouvir álbuns clássicos ou espairecer com aquela série cabeça, ou seja, investir em seu repertório cultural aprimorará ainda mais o seu desempenho. O tempo de maturação, nesse caso, tem tudo para jogar a seu favor. Degustará a mais disputada fatia quem trabalhar melhor com esse tempo adicional de preparo.

Sim, porque a data do vestibular pode até mudar, mas o que o vestibulando precisa continuar sabendo, não. A fórmula da água segue a mesma, os nomes dos trópicos de Câncer e Capricórnio não mudarão e a resolução de um sistema de equações ainda se calcula da mesma maneira.

Por isso, que tal usar essa apreensão e essa ansiedade em seu favor? É mais tempo para tirar aquela dúvida que você já tinha se conformado em não sanar, outra chance para aperfeiçoar o que já se domina e, quando chegar a hora do vestiba, arrasar ainda mais.Se a espera foi grande, o resultado, quando vier, vai ser ainda mais doce e saboroso. A tão aguardada cereja do bolo que vai coroar todo o seu esforço, paciência e dedicação.

*Rodrigo Wieler é professor de Literatura e de Arte no Curso e no Colégio Positivo e assessor pedagógico de Literatura e Arte no Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) dos colégios do Grupo Positivo.

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