A “zona” da educação no Brasil: Doutor e reitora discutem sobre o erro da pós-graduação no Brasil

Quem deseja se especializar em uma área após a faculdade, com certeza fazer uma pós-graduação é uma ótima opção. E no Brasil, qualquer pessoa que possua um diploma, seja de bacharelado, licenciatura ou tecnológico, pode cursar uma pós lato sensu (especialização) e/ou stricto sensu (mestrados e doutorados) em qualquer área e quantas vezes quiser.

Embora o ensino multidisciplinar proporcione que alunos de diferentes formações possam trocar experiências e ampliar o network, Daniela Valentina Lopez, diretora da Escola Superior de Estética Cosmetologia (ESEC), não concorda com a prática. Para ela, atuar em uma área específica demanda conhecimentos específicos.

“Infelizmente, existe uma zona acadêmica, o qual as próprias instituições criam essa baderna. Não é possível que um fisioterapeuta, por exemplo, exerça as mesmas funções que um esteticista, ambos são de áreas diferentes”, disse a reitora, que também acrescenta.

“Estética não é especialização, estética é profissão, que está desde 2009 na área da saúde e merece sua atenção”, disse a especialista, citando a Lei Federal 13643/2018.

Outro ponto que a esteticista ressalta é que os cursos de pós-graduação não possibilitam uma mudança de profissão. “As diretrizes do MEC são claras quando mostram que os cursos de pós-graduação não têm força de habilitação profissional. O que habilita alguém ao pleno exercício daquilo que foi ensinado são cursos técnicos e graduações. Um curso de pós-graduação tem somente uma força espetacular se a sua graduação for dentro daquela especialização”, pontua.

Da mesma maneira pensa o PhD, neurocientista e neuropsicólogo Fabiano de Abreu Rodrigues, membro do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH). O especialista conta que já passou por isso.

“Certa vez uma pessoa com uma graduação que não tem relação nenhuma com neurociência me disse que ia fazer pós-graduação em neurociência para ser neurocientista. Eu não pude responder pois não quero desmotivar ninguém nos estudos. Mas para ser neurocientista não é apenas ter uma pós-graduação, isso não pode configurar. Tem que ter graduação em psicologia, biologia, medicina, algo que faça sentido. Não tem como estudar o sistema nervoso, os neurônios, sem base celular, por exemplo. Na Europa isso é impossível.”

Sobre a doutora Daniela Lopez

Atuando em prol da regulamentação da atuação de profissionais estéticos e cosmetólogos em todo país, Daniela Valentina Lopez é esteticista, graduada em Estética e Cosmetologia pela Universidade Braz Cubas, com pós-graduação em Intradérmicos e Subcutâneos, pela FAISP; Estética Avançada, pela UNIFESP, e Biomedicina Estética, pela Faveni. Idealizadora do Peeling Orgânico, a profissional também é presidente da SindEstética, autora do livro “A História da Legislação da Estética e Cosmetologia no Brasil”, pesquisadora no campo clínico e fundadora da Escola Superior de Estética e Cosmetologia (ESEC), a primeira escola superior de estética e cosmetologia no Brasil.

Créditos: Freepik