Divulgação/Change.org

Duas petições criadas por brasileiros chegaram à Alemanha e receberam milhares de assinaturas contra o desmatamento e em apoio à continuidade do Fundo da Amazônia

Enquanto a Alemanha anunciava o bloqueio de R$ 155 milhões a projetos contra o desmatamento e o presidente Jair Bolsonaro respondia não precisar desse dinheiro, 56 mil alemães recorriam a duas mobilizações online criadas por brasileiros para demonstrar apoio à maior floresta tropical do mundo: a Amazônia. Em cerca de 10 dias, uma petição contra o desmatamento e a exploração da floresta coletou quase 54 mil assinaturas no país europeu, enquanto outra em defesa do Fundo da Amazônia recebeu aproximadamente 2 mil apoios.

Abertos na Change.org Brasil, os dois abaixo-assinados foram traduzidos e hospedados na versão alemã da plataforma, no último dia 2. Apenas no Brasil, ambas as petições já ultrapassam o total somado de 338 mil apoiadores. A primeira, que se posiciona contra o aumento do desmatamento, foi aberta pela estudante de Direito e moradora do Amazonas, Valéria dos Santos Magalhães. A outra, que se opõe a alterações na estrutura do Fundo da Amazônia, foi criada pelo fisioterapeuta e especialista em acupuntura Gilberto Roque Sonoda.

“Infelizmente essa negação do governo é literalmente fatal!”, comenta Valéria ressaltando que a preocupação com o desmatamento e a atenção ao meio ambiente não é só uma questão econômica ou ambiental, mas social, cultural e mundial. “As nossas petições têm o objetivo de impedir que o pior aconteça”, completa a manauara, que lançou a campanha em defesa da Amazônia ainda no ano passado, no mesmo dia em que Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais. Conforme explica no texto da petição, a estudante de Direito temia um retrocesso no combate ao desmatamento e nas formas de exploração da floresta.

A política ambiental do governo federal tem estado no centro dos debates dentro e fora do país por causa das últimas divulgações sobre o desmatamento na Amazônia feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo dados, a devastação na floresta teve um aumento de 278% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. A ferramenta Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) apontou 2.254,9 km² de área desmatada.

O debate, que já vinha intenso devido a críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre os números apresentados pelo Inpe e por causa da exoneração do diretor do instituto, ganhou ainda mais força no último final de semana. No sábado (10), a ministra do Meio Ambiente da Alemanha, Svenja Schulze, anunciou o congelamento de cerca de R$ 155 milhões de reais a projetos de proteção ambiental no Brasil. No dia seguinte, Bolsonaro afirmou não precisar do dinheiro para preservar a floresta e acusou o país europeu de “comprar a prestações a Amazônia”.

Alerta no Fundo da Amazônia

Além da verba que será congelada, a Alemanha é responsável por contribuir com 5,7% das doações feitas ao Fundo da Amazônia, que conta com 93,8% dos valores repassados pela Noruega. O Fundo, que existe há 10 anos, investe em projetos de combate ao desmatamento e de incentivo ao desenvolvimento sustentável. Pelo menos R$ 3 bilhões já foram captados por meio de doações para pesquisas e geração de renda na Floresta Amazônica.

O fisioterapeura Gilberto Roque Sonoda criou o abaixo-assinado em defesa do Fundo da Amazônia no final de maio, quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, demonstrou intenção de alterar as regras do Fundo para que parte dos recursos fossem destinados à indenização de proprietários de terras devido a desapropriações em unidades de conservação.

“Toda a União Europeia está ciente da necessidade de preservação das florestas do mundo, especialmente a Amazônia”, comenta Gilberto destacando o apoio que os alemães estão dando às mobilizações em defesa da floresta e do Fundo da Amazônia.

Somadas as assinaturas recebidas no Brasil e na Alemanha, as duas campanhas atingiram até o momento 394,7 mil assinaturas. São 370,8 mil brasileiros e alemães se mobilizando contra o desmatamento, e 23,9 mil em defesa da manutenção do Fundo da Amazônia.