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Abril Azul: Manaus tem projeto “Cuida Bem de Mim” focado em crianças autistas

“Cuida Bem de Mim” presta atendimento às crianças e oferece suporte a seus familiares, promovendo desenvolvimento e bem-estar aos diagnosticados com TEA

Para disseminar o entendimento e dar visibilidade ao tema, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o dia 2 de abril como o Dia Mundial do Autismo e intitulou o mês como Abril Azul. O intuito é abordar a síndrome, ainda muito desconhecida pela população e de difícil diagnóstico. Estima-se que 70 milhões de pessoas têm o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mundo, sendo 2 milhões presentes no Brasil.

Identificado geralmente entre 1 ano e meio e 3 anos, o autismo costuma apresentar sinais iniciais muitas vezes discretos, o que dificulta a percepção dos pais, familiares e até dos pediatras nesse processo quanto ao diagnóstico. “Algumas crianças apresentam características no desenvolvimento infantil, que podem sinalizar principais traços como: atraso na fala, sensibilidade ao som, seletividade alimentar, contato visual, interação social e dificuldade capacidade de se relacionar afetiva e emocionalmente”, explica Itaiçara Mar, coordenadora do Projeto Cuida Bem de Mim, na Aldeias Infantis SOS Brasil em Manaus.

A importância de prestar assistência e um acompanhamento adequado para apoiar o desenvolvimento dessas crianças é fundamental, principalmente na estimulação precoce da criança com Transtorno de Espectro Autista (TEA). “São poucos os locais de atendimento especializado aos autistas. Trazer esse programa para Manaus e ajudar as famílias, boa parte em situação de vulnerabilidade social, era nosso dever. Afinal, o grande objetivo da Aldeias Infantis SOS Brasil é promover qualidade de vida infantil no âmbito familiar e social”, completa Itaiçara.

Dayana e o filho Derek – Projeto Cuida Bem de Mim da Aldeias Infantis SOS BrasilO atraso na linguagem e a falta de interação com as pessoas, especialmente as que não fazem parte do convívio familiar, costumam ser dois dos principais pontos de atenção. Dayana Fontenelle, mãe do Derick (4), é formada em pedagogia e, mesmo tento tido contato com o TEA durante a universidade e no dia a dia em sala de aula, comenta que não foi tão simples perceber os sinais quando o filho ainda era bebê. “Só quando ele completou 1 ano e 5 meses, meu esposo e eu notamos alguns comportamentos inesperados. Ele não atendia aos comandos próprios da idade, não interagia com outras crianças e nunca olhava nos olhos de quem conversava com ele”, relembra.

Créditos: Dayana e Derick – Projeto Cuida Bem de Mim da Aldeias Infantis SOS Brasil

Foi antes de os gêmeos Danilo e Lucas completarem 2 anos de idade, que Maria do Carmo recebeu o diagnóstico de autismo para ambos. Ela, que já tinha trocado a carreira de Analista de Sistemas para a maternidade quando os bebês nasceram, se viu com um novo dilema: reaprender a cuidar dos filhos que necessitavam de ainda mais atenção. “Meu mundo desabou porque eu não sabia nada sobre o autismo. Foram anos indo a profissionais para tentar notar qualquer evolução dos meninos”, desabafa.

O diagnóstico de TEA nem sempre se dá nos primeiros anos de vida. Rosangela Pereira relata que ela e o esposo sempre sentiram que poderia ter algo diferente com Miguel (10), o filho do casal. “Decidi me desligar do trabalho para me dedicar inteiramente ao nosso filho.” Foram anos de muitas pesquisas, idas ao pediatra, exames, psicólogos, testes e neuropediatras até constatarem o Transtorno do Espectro Autista. “Ele já tinha 5 aninhos, me aliviei pela conclusão do diagnóstico, mas demorei muito até encontrar o melhor tratamento para o meu anjo azul”.

Do tratamento adequado às evoluções progressivas das crianças com TEA

Criado para promover o desenvolvimento e o bem-estar infantil com suspeita ou diagnóstico de autismo, o Projeto Cuida Bem de Mim acredita em dois pilares de tratamento: crianças e familiares. Ambos amparados por uma metodologia multidisciplinar contínua, focada na autonomia e progressão das potencialidades dos autistas, respeitando as individualidades e limitações que cada grau do TEA possui. “Não acreditamos apenas nas sessões com psicólogo, comum em muitos tratamentos. Mas, valorizamos o suporte com atividades psicopedagógicas como complemento”, explica Itaiçara, coordenadora do Projeto Cuida Bem de Mim, da Aldeias Infantis SOS Brasil.

O trabalho feito com os pais é o diferencial para a evolução das crianças. A Oficina realizada semanalmente, tem início no espaço do projeto e é continuada na rotina familiar. “Sinto que nós, os pais, também somos cuidados. Os profissionais tratam nossas questões emocionais, nos acolhem, e nos formam para que possamos ser os pais que nossos filhos precisam ter. Vejo a evolução do Derick, hoje ele já interage com as pessoas, especialmente com as crianças, tem falado as primeiras palavras e está desfraldando”, celebra Dayane.

Na busca pela evolução e melhor qualidade de vida para os gêmeos com diagnóstico de autismo moderado e severo, Maria do Carmo experimentou muitos tratamentos e terapias antes de ingressar no Projeto Cuida Bem de Mim, e revela que após os atendimentos realizados na semana, as conquistas começaram a aparecer. “Meus filhos não falam, mas acompanhá-los nas oficinas me ensinou a lidar com eles em casa. Esse complemento no tratamento foi fundamental para fazer com que eles alcancem a independência e autonomia nas pequenas coisas. Com 6 anos meus meninos não conseguiam comer ou se vestir sozinhos. Hoje, aos 8 anos eles já fazem quando eu peço”, comenta animada.

Para Rosangela, poder entrar nas oficinas psicopedagógicas com o filho foi o grande diferencial para a evolução dele ao longo dos anos. “Ele não falava algumas palavras corretamente. Também se referia a ele mesmo na terceira pessoa. Aprendi os exercícios da psicóloga e replicava em casa, sempre com muito carinho e paciência, e ele conseguiu”, comenta cheia de orgulho pelas conquistas de Miguel, que já fala frases completas e com coesão, além de conseguir se relacionar socialmente com as pessoas fora do âmbito familiar.

Trabalhar com pessoas é saber lidar, respeitando o tempo de cada uma delas. “Com crianças autistas é a mesma regra. Mas é preciso ter a didática correta, somado a paciência e uma rede de apoio que complementam o trabalho realizado na ONG”, explica a coordenadora do Projeto, que manteve o atendimento ao longo deste um ano de pandemia, via remoto. “Fizemos uma força tarefa e adequamos nossas atividades e processos para o virtual. As 20 famílias e crianças não ficaram desamparadas.”

O Projeto Cuida Bem de Mim – Casa Azul, é realizado pela Aldeias Infantis SOS Brasil e atende gratuitamente crianças com laudos diagnosticados de Transtorno do Espectro Autista e suas famílias, a fim de contribuir com o desenvolvimento funcional da autonomia, aspectos comunicacionais, interação social e desempenho de atividades da vida prática.

Sobre a Aldeias Infantis SOS Brasil

A Aldeias Infantis SOS Brasil (SOS Children’s Villages International) é uma organização humanitária, sem fins lucrativos, não governamental e independente, que luta pelo direito das crianças, jovens e adolescentes a viverem em família. No mundo, é a maior organização de atendimento direto à criança. A Aldeias Infantis SOS Brasil advoga pelos direitos da infância e atua junto a meninos e meninas que perderam o cuidado parental ou estão em risco de perdê-lo, além de dar reposta a situações de emergência. Fundada na Áustria, em 1949, está presente em 136 países. No Brasil, atua há 53 anos e mantém mais de 70 projetos, em 31 localidades de Norte ao Sul do país. Ao trabalhar junto com famílias em risco de se separar, para que fiquem mais fortes, e fornecer cuidados alternativos para crianças e jovens que perderam o cuidado de suas famílias, a Aldeias Infantis SOS Brasil luta para que nenhuma criança tenha que crescer sozinha.

Créditos: Dayana e Derek – Projeto Cuida Bem de Mim da Aldeias Infantis SOS Brasil

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