Uma das principais dificuldades no estado do Amazonas é abastecer as comunidades ribeirinhas, inclusive com medicamentos em geral, de acordo com a secretaria estadual de Saúde. A distribuição da vacina contra o HPV ficou prejudicada no estado, principalmente em três municípios e na capital. Em Barreirinha, Rio Preto da Eva e Maués, a secretaria de saúde do estado precisou mandar agentes de saúde em embarcações para realizar as vacinações das meninas de 11 a 13 anos contra o papiloma vírus. Já em Manaus, a falta de incentivo e conhecimento das meninas caracteriza a capital com o menor índice de vacinações contra o HPV na segunda fase. Com menos de 30 por cento de garotas vacinadas no estado, o secretário de saúde do Amazonas, Wilson Alicrim, destaca que muitas mulheres não se vacinaram contra o HPV, mas avisa que a campanha será reforçada mais ainda nas escolas e centros religiosos.
“O Amazonas é a parte do Brasil que tem o maior número de pacientes com doença de câncer do colo do útero. Especificamente aqui no Amazonas, o número de mulheres que adoecem do câncer do colo do útero se aproxima de 500 a cada ano. Essas mulheres morrem como se fosse silenciosamente. Por causa disso o Amazonas já vinha vacinando as meninas de 11, 12 e 13 anos contra o HPV desde 2012. Por isso, nós usamos a estratégia de fazer a abordagem pelas escolas e conseguimos envolver também as igrejas nos mais diversos credos religiosos. No caso da vacinação nas áreas indígenas, há uma logística um pouco mais difícil, mas não se torna impossível de fazê-la e a mobilização aumentando, nós vamos conseguir mais adesão à vacina.”

Em Barreirinha, apesar do crescimento de 20 por cento no índice de vacinações na segunda fase, o município apresenta menos de 30 por cento de garotas vacinadas. O fator que mais compromete no crescimento da porcentagem, de acordo com a secretaria municipal de saúde, é a falta de interesse e conhecimento das jovens sobre a vacina. Para reforçar o conhecimento, o diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch explica o que é o HPV e a relação do vírus com o câncer do colo do útero, uma das doenças que mais mata mulheres no país.

“O HPV é um tipo de vírus que tem vários subtipos, associados a algumas manifestações diferentes. Associados a verrugas e a outros problemas que não são muito importantes. O problema importante que é fortemente associado ao HPV é um tipo de câncer, que é um câncer que acontece nas mulheres: é o câncer de colo de útero. Boa parte das pessoas é exposta ao HPV em algum momento das suas vidas. O que acontece é que uma parte das pessoas fica com o vírus, tem a infecção pelo vírus, fica com o vírus e pode muitos anos depois de já ter adquirido este vírus, vir a desenvolver o câncer de colo de útero.”

Na cidade de Manaus, o número de adolescentes de 11 a 13 anos vacinadas continua o menor de todas as capitais brasileiras. O receio dos pais por conta dos boatos de efeitos colaterais causados pela vacina acaba sendo uma das principais causas do baixo índice que não passa dos 25 por cento, de acordo com a secretaria municipal de saúde. O urologista especialista no vírus HPV do Sistema Único de Saúde, Julio Carvalho, explica que as jovens dessa faixa etária inicial são sensíveis a esse tipo de vacina.

“Para você ter uma ideia, no primeiro ano de idade, as crianças toma aproximadamente 10 vacinas no primeiro ano de idade. E lógico que em todas as vacinas podem ocorrer efeitos colaterais como dor local, febre e as vezes tontura. Então qualquer vacina pode dar e a vacina do HPV também. Na idade da adolescente de 11 a 13 anos, as crianças e os jovens são mais sensíveis a isso, essas partes de dores, injeções.”

A situação no município de Rio Preto da Eva é uma das piores no estado. Desde 2014, apenas 51 meninas foram vacinadas contra o HPV, não chegando a cinco por cento de vacinações na segunda fase. O secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos do ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, explica o porque as meninas devem tomar a segunda dose da vacina.

“Por isso que é muito importante que as meninas que tomaram a primeira dose, tomem a segunda. A proteção só está completa quando ela toma a segunda dose e cinco anos depois ela toma o reforço. E as meninas de 9 a 11 anos, em 2015, começar a vacinar pra que a gente tenha a mortalidade por câncer de colo de útero reduzida de maneira drástica em nosso país”.

Já em Maués, houve um aumento de dois por cento no índice de vacinação na segunda fase. Segundo a secretaria municipal de saúde, mais de 530 garotas foram aos postos para se vacinar contra o papiloma vírus, totalizando 26 por cento de vacinações. Apesar da evolução, a meta do ministério de 80 por cento, está longe de ser alcançada. Para isso, a coordenadoria de saúde da cidade fortalece e intensifica a campanha para incentivar as garotas a comparecerem aos postos de saúde. Para tomar a vacina é simples. Você, menina de Barreirinha, Manaus, Rio Preto da Eva e Maués, que tem entre 11 e 13 anos, leve sua caderneta de vacinação ou um documento de identidade em qualquer posto de saúde de seu município, que funciona da segunda a sexta-feira, das oito da manhã às cinco da tarde, e se previna contra o HPV. A vacina é simples e não dói.

Reportagem, Lucas Bolzan

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