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Análise histórica da economia do Amazonas é tema de obra lançada virtualmente nesta quarta (02)

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“Uma forte dose de improvisação”: assim o economista Osíris Silva, consultor de empresas, responsável técnico por mais de 100 projetos de implantação na Zona Franca de Manaus (ZFM), classifica a gestão dos governos brasileiros em relação à economia da Amazônia, desde os tempos da economia da Borracha até os dias de hoje, com o modelo de incentivo representado pela ZFM.

“A região sempre foi tida como mecanismo de espera, não se sabe até quando, mas a triste realidade decorre de que o Brasil permanece de costas para a Amazônia,enquanto a região mantém-se firme, porém indefesa e fragilizada de frente para o mundo e para o futuro”, afirma o economia que é conselheiro efetivo do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM).

A análise não apenas técnica, mas contextualizada politicamente, está presente em sua mais recente obra: “Da Economia da Borracha à Zona Franca de Manaus – uma análise comparativa”, que será lançada virtualmente pela Editora da Universidade Federal do Amazonas (Edua), às 9h, em live realizada pelo canal da UFAM no youtube.

Com a experiência dos cargos de Secretário de Economia e Finanças da Prefeitura de Manaus (1983-1986), da Indústria, Comércio e Turismo e da Fazenda do Amazonas (1987-1991), além da presidência do Conselho de Administração do Banco do Estado do Amazonas, e membro de órgãos colegiados como Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Osíris Silva traça uma linha histórica, de forma encadeada e conexa, sobre a história econômica do Amazonas, com fortes passagens sobre a Amazônia.

A motivação, segundo o autor, surgiu a partir da lacuna identificada, desde 1969, quando ainda era estudante de Ciências Econômicas, sobre uma obra que lançasse um olhar ampliado, facilitando a análise e entendimento dos fundamentos da evolução econômica do Amazonas.

Para isso, foram consultados diversos autores, entre eles Samuel Benchimol, Alfredo Homma e Bertha Becker, que ele mantém como guia, além de Ferreira de Castro, Alberto Rangel, Arthur Cézar Ferreira Reis, Sócrates Bonfim, Cosme Ferreira Filho, Armando Dias Mendes, Leandro Tocantins, Ozório José de Menezes Fonseca, Adalberto Val, Auxiliomar Silva Ugarte, Jacques Marcovitch, Philip Fearnside, Márcio Souza, Marcílio de Freitas e José Alberto da Costa Machado ao longo de mais de três anos.

“A cada livro lido, percebia a deficiência de uma literatura com enfoque sobre os dois ciclos e meio da economia do Amazonas: o período da borracha (findo por volta de 1912/1914); o intermediário extrativismo, que sustentou o amazonense com relativa dignidade, e o ciclo da Zona Franca, iniciado a partir de 1967”, explica.

Silva cita ainda que o avanço dos conhecimentos de autores contemporâneos ligados ao universo da pesquisa que demonstram ser possível conciliar o desenvolvimento e floresta em pé.

“A obra destina-se, essencialmente, a estudantes do segundo grau e das Faculdades de Estudos Sociais (Economia, Administração, Direito, História, Geografia, Literatura, Comunicação Social) e a todos que queiram conhecer o Amazonas a partir das bases conceituais de sua história econômica, passo fundamental para entender o passado, compreender o hoje e projetar o futuro”, completa.

Osíris Silva cita o avanço do interesse internacional a respeito do bioma amazônico como algo que sempre existiu enquanto consequência do “irresponsável desprezo brasileiro sobre a região, detentora da maior biodiversidade do Planeta”, situação já prevista por diversos pensadores.

O agravante, em sua avaliação, é a falta de conhecimento a respeito da nossa história econômica, principalmente por parte das autoridades. “Na verdade, todo governador, vereador, deputado ou senador tem ou deveria ter a obrigação de conhecê-la para ter certeza do que faz na cadeira do chefe do Executivo e no Parlamento. A ninguém, autoridades, empresários, políticos ou profissionais da mídia é dado o direito de falar de Amazônia sem conhecer os fundamentos da história econômica da região”, argumenta.

ZFM

Guardas as proporções, as economias incentivadas em áreas remotas de estados como Chile, Irlanda, Polônia, Vietnã, além dos Tigres Asiáticos – Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong – e mesmo no Japão dos anos 1960, África do Sul, Índia ou a China de hoje, observa-se que foram e são movidas sob um conjunto de benefícios fiscais, tributários, acrescidos de fortes investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I), infraestrutura de transporte e comunicações, saneamento básico, educação e saúde pública.

O autor considera esta base da ação governamental como fator que levaram ou mantém tendências de crescimento da economia desses países. “Esta falta de investimento é um déficit que o governo brasileiro e do Amazonas mantém elevado 53 anos após a instituição da ZFM em 1967”, explica.

“Como o Estado pode crescer e amadurecer destituído dessas pré-condições essenciais ao desenvolvimento econômico e social? Não pode, evidentemente. Por isso, o modelo continua tão fortemente dependente dos incentivos fiscais, base de um modelo de substituição de importações caduco desde a abertura da economia brasileira em 1991, à procura hoje de alternativas”. Como alternativa, ele cita a mais forte: a bioeconomia, a exploração sustentada da biodiversidade amazônica, no ecoturismo, na mineração, na biomedicina, na bioengenharia, nos biocosméticos e na produção de alimentos.

Sobre a obra

O livro “Da Economia da Borracha à Zona Franca de Manaus – uma análise comparativa” tem apresentação do empresário Jaime Benchimol, prefácio do economista e professor Rodemarck Castello Branco; orelha com comentário do diretor da Edua, Sérgio Freire, e texto do reitor da UFAM, Sylvio Mário Puga Ferreira.

Sobre o autor

Osíris Messias Araújo da Silva, nascido em Benjamin Constant, Amazonas, é economista formado pela Universidade do Amazonas, em 1969. Produtor agrícola, é pioneiro na implantação, desde 1976 da citricultura de cultivo no Amazonas; Sócio fundador e ex-presidente da Associação Amazonense de Citricultores (Amazoncitrus), desde 1993. É, desde 2009, articulista econômico do jornal A Crítica.

Escritor, é autor de cinco livros técnicos, um deles publicado em edição revisada e outro um romance memorialista. Também possui diversos ensaios econômicos publicados em repositórios científicos. Integra ainda o grupos de Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas, do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e do Conselho de Gestão Estratégica da Prefeitura de Manaus.

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