As escolas estão preparadas para prestar atendimento à criança com asma?

Adolescentes mostram sintomas, mas nunca tiveram o diagnóstico

A resposta é não, segundo o especialista Dr. Álvaro Cruz, um dos palestrantes do 45º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que será realizado em Recife, entre 20 e 23 de outubro. Ele explica que a asma e a rinite crônica (alérgica ou não alérgica) estão frequentemente juntas e são as doenças crônicas mais comuns na infância e adolescência. “A despeito disto, a negligência para com a asma é tamanha que nem mesmo enfermeiros e muitos médicos de família sabem lidar com a doença, que ainda mata mais de 2 mil brasileiros a cada ano. Mortes que poderiam ser prevenidas com tratamento adequado”, comenta o médico.

A maioria dos estudos sobre a frequência de asma no Brasil e no mundo foram feitos em escolares. Em 2012, o Ministério da Saúde conduziu pesquisas com mais de 100 mil adolescentes escolares de todos os estados brasileiros. A constatação é de que 22% referem sintomas de asma no último ano e 11% apenas têm história de um diagnóstico de asma, o que indica que muitos adolescentes têm sintomas, mas nunca tiveram o diagnóstico.

Para o Dr. Álvaro Cruz, as crianças com asma deveriam ser identificadas pelos professores e recomendadas a levar o seu broncodilatador de alívio imediato sempre para a escola. No caso de um ataque inesperado de asma, a criança deve usar a sua medicação, conforme a recomendação do seu médico. Ter em mãos cópia da prescrição do médico e do plano de ação para ataques de asma, para que os professores e funcionários da escola ajudem os alunos asmáticos, reforçando que quando preciso usem as suas medicações, também são indicações passadas pelo especialista.

Escolas no Brasil – Duas experiências são consideradas interessantes por especialistas, sendo uma em Salvador (BA), conduzida pela enfermeira Ana Carla Carvalho Coelho, professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, e a outra em Uruguaiana (RS), com a professora Dra. Marylin Urrutia, com apoio do Professor Dirceu Solé, ambos da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). “As ações colocadas em prática demonstraram que é possível ensinar aos alunos, funcionários e professores sobre a asma. Este aprendizado pode mudar completamente a atitude em relação à doença”, relata o médico.

Dr. Cruz conta que a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, com o apoio de organismos internacionais, vêm propondo a inclusão de temas de Saúde, entre eles a asma, no currículo das escolas no primeiro grau.

Para ele, é fundamental educar professores, funcionários, alunos e pais sobre a asma. Somente assim todos irão reconhecer a doença e perder o medo de usar medicação quando necessário. O especialista lista abaixo duas providências básicas, porém muito importantes, que devem ser indicadas aos pais.

– Vá pessoalmente à escola e entregue uma cópia da última receita do médico, explicando a situação e informando que o filho pode precisar usar medicação no período das aulas.

– Estimule os seus filhos a fazerem atividade física, ainda que a atividade aeróbica possa desencadear sintomas, já que eles podem ser facilmente controlados com uma aspiração de broncodilatador. Os benefícios da atividade física são maiores.