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Associação desenvolve ações de empoderamento feminino em comunidade da Amazônia

Associação cria iniciativas com a comunidade do Tumbira, no Rio Negro, através do projeto “A Preservação das Espécies Como Fator de Transformação e Empoderamento Feminino”

A Associação Zagaia Amazônia desenvolve o projeto “A Preservação das Espécies Como Fator de Transformação e Empoderamento Feminino”, na comunidade do Tumbira, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro. Este projeto tem como objetivo conscientizar a preservação das espécies amazônicas através do olhar das mulheres dessa comunidade. Com esta iniciativa, a Associação quer fomentar o turismo de observação da natureza na região, além de estimular a autonomia econômica, social e emocional das mulheres da comunidade.

A comunidade do Tumbira atua com foco no turismo ecológico e de base comunitária, realizando atividades como observação de pássaros, jacarés, entre outros animais, além de focar na preservação da cultura ancestral através da atividade de contação de histórias. Para ajudar na construção de um futuro melhor para essas pessoas, o Instituto Lojas Renner elegeu a comunidade do Tumbira, para a qual a Zagaia Amazônia desenvolveu o projeto com atenção para a ONU Mulheres, que conta com os Princípios de Empoderamento Feminino.

“Esse trabalho certamente vai ajudar as mulheres nas questões de conscientização das espécies e ao mesmo tempo nas questões empreendedoras, onde elas poderão concretizar várias ações, e poderão gerar renda na própria comunidade. Queremos estimular várias ações com elas, que poderão ir em direção ao que elas sonham com mais autonomia e confiança”, explica Rozana Trilha, fundadora da Zagaia Amazônia.

Nos últimos anos, a comunidade começou a investir no turismo ecológico. Atualmente, 34 famílias, aproximadamente 170 pessoas, vivem na comunidade, sendo 30 delas mulheres a partir dos 18 anos.

Segundo o Atlas do Desenvolvimento Sustentável de Comunidades Ribeirinhas do Amazonas, criado pela Fundação Amazonas Sustentável, se faz necessária a adoção de novas abordagens voltadas para o desenvolvimento dessa região, estruturando a economia dos serviços e produtos ambientais com conservação do meio ambiente e justiça social. “A contenção da degradação e a conservação das florestas dependem, em boa parte, da valorização econômica dos serviços ambientais”, complementa o documento. É por esse motivo que projetos como o da Zagaia Amazônia se faz importante nessas comunidades.

“Queremos trazer para a comunidade a consciência da “Preservação das espécies”, principalmente da flora amazônica. Essa consciência vai passar pelas Mulheres que deverão carregar essa bandeira, e ao mesmo tempo difundir essa atitude na comunidade e fora dela”, explica Rozana Trilha. “Temos a maior biodiversidade do mundo, então precisamos ter consciência de como preservar e como repassar esse conhecimento. E ao mesmo tempo o projeto vai tratar do Empoderamento Feminino, na região”.

O Instituto Lojas Renner, que desenvolve e apoia projetos que promovem o empoderamento econômico e social de mulheres desde 2008, destinou recursos ao projeto da Associação Zagaia Amazônia.

Ciclo fechado de conhecimento e autonomia

O projeto da Zagaia Amazônia passa por três etapas. A primeira é uma imersão e Design Thinking na realidade do feminino na comunidade do Tumbira, para resgatar a autoestima e a forma como a mulher se enxerga na comunidade. Partindo de uma abordagem de pesquisa etnográfica, a associação quer identificar como elas se sentem como agentes participantes da dinâmica da comunidade. Assim, é possível coletar informações importantes para aplicar, de forma adaptada e dirigida a esse público, a cartilha amazônica baseada nos princípios da ONU Mulheres, que compõe a terceira etapa do projeto.

A segunda etapa consiste no repasse de conhecimento da preservação das espécies amazônicas e ações de empoderamento, contando com o apoio de pesquisadores que darão suporte às questões cientificas da flora amazônica presentes na região. Dentre as atividades, estão a pesquisa de campo, com informações sobre espécies em extinção; oficina de botânica, com apresentação sobre a diversidade da flora, coleta e observação das plantas, fotografia das espécies e estruturação de um guia sobre as plantas estudas, gerando um e-book para consultas futuras. Além disso, a associação aplica metodologias de interação entre os comunitários, a fim de estimular novas ideias e a diversidade e complexidade das necessidades das pessoas contempladas com o projeto.

A terceira etapa consiste na aplicação da Cartilha Amazônica, apresentando também o trabalho da ONU Mulheres. Neste “laboratório”, a associação Zagaia Amazônia quer registrar o impacto da confiança criativa na construção do empoderamento das mulheres da comunidade do Tumbira. Com esse trabalho, será possível entender quais mulheres tem personalidade de liderança e exercem influência na comunidade. “A cartilha será oferecida nas versões impressa e digital às mulheres participantes.”, comenta Rozana Trilha.

O projeto da Associação Zagaia Amazônia ainda vai auxiliar as mulheres da comunidade Tumbira na produção de conteúdo de mídias sociais, além de gerar um relatório com as ações sugeridas pela própria comunidade para a preservação das espécies, com mapa visual das ações e que ficará como um legado para a região. “A conscientização sobre a preservação das espécies é uma necessidade de todos, mas quem está mais próximo da natureza precisa ter cada vez mais consciência de como a extinção das espécies pode influenciar na sua vida e causar uma desestabilização muito grande”, complementa Rozana. Com esse projeto, queremos mostrar o vínculo que cada um de nós tem com a natureza e como as mulheres podem influenciar cada vez mais o turismo de observação, contribuindo com a preservação das espécies existentes na RDS.”

“A primeira etapa do projeto Tumbira foi de uma importância maravilhosa para dar continuidade ao início que já havíamos realizado, mas que estava parado por ser um projeto voltado para as mulheres. A melhor parte desse projeto de empoderamento feminino é ter dado às mulheres a oportunidade de poderem falar por si mesmas e se destacarem acreditando nos próprios potenciais, mas acima de tudo dando abertura para que elas possam demonstrar a força que existe dentro da mulher das comunidades ribeirinhas e que por muito tempo não foi enxergada por falta desse espaço mais amplo, mais determinado dentro de outros projetos. Essa iniciativa do Instituto Lojas Renner com a realização da Associação Zagaia Amazônia, tem a finalidade de fazer a mulher brilhar no mais simples e talentoso momento de vida: oportuniza as pessoas sonharem o que já existe, não é um sonho inalcançável. Esse primeiro contato foi um momento das mulheres pensarem o que são, o que querem fazer e o que querem viver: é a restauração do sonho. Estamos ansiosos para os próximos passos”, comenta Izolena Garrido, presidente da Comunidade Tumbira.

Sobre a Associação Zagaia Amazônia

A Associação Zagaia Amazônia é uma entidade sem fins lucrativos, que atua no desenvolvimento de projetos na área de Economia Criativa na Floresta há mais de 10 anos. A Amazônia é desafiadora: o conhecimento em torno de sua biodiversidade é a grande motivação para mudar a vida dos povos da floresta. A Zagaia acredita que o empreendedorismo inovador e sustentável pode transformar para melhor a vida das pessoas hoje e também das futuras gerações. A Associação Zagaia Amazônia tem o propósito de trabalhar com projetos nas áreas de design, cultura, artesanato, gastronomia e turismo, segmentos que podem contribuir para o desenvolvimento de uma cultura empreendedora, econômica e ecologicamente responsável e que gere benefícios sustentáveis na região.

Foto: Divulgação