A importância e a viabilidade da adoção, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), da citologia em meio líquido (CML), como nova estratégia para o rastreamento e diagnóstico do câncer uterino foi tema de uma audiência pública realizada nesta terça-feira (14), em Brasília, pela Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados. A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) foi representada no evento pelo secretário-adjunto de Atenção Especializada da capital, Wagner William de Souza.

Proposta pela deputa federal Conceição Sampaio (PP-AM), a audiência pública também teve a participação, como debatedores, de Marcelo Pellizzaro, técnico da Coordenação-Geral de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas do Ministério da Saúde; Mônica Maria Bandeira de Mello, ginecologista-obstetra da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon); e Isis Tavares Neves, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Amazonas.

No Brasil, o exame citopatológico (Papanicolau) é o método de rastreamento recomendado pelo Ministério da Saúde para a prevenção do câncer de colo uterino, prioritariamente na faixa de 25 a 29 anos. Especialistas defendem, no entanto, que a citologia oncótica em meio líquido – que vem ganhando escala desde 1996, após sua aprovação pelo Food and Drug-Administration (FDA), dos Estados Unidos – é um método menos suscetível a falhas de leitura e, também menos limitado em relação ao método tradicional.

O secretário-adjunto de Atenção Especializada da Capital, Wagner Souza, da Susam, explica que a adoção do novo método ainda não tem parecer da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC), do Ministério da Saúde, e que as discussões sobre esse tema estão ocorrendo no âmbito de fóruns mais locais. Ele ressalta que a Susam vem acompanhando com bastante atenção essas discussões, por considerar que a incorporação de novas tecnologias é muito importante para qualificar o diagnóstico e tratamento, sobretudo em se tratando de uma doença como o câncer de colo de útero, que ainda tem uma incidência grande no Amazonas. “Mas precisamos levar para essa discussão outras questões que talvez sejam mais prementes, como a ampliação do acesso das mulheres ao exame, que ainda é um gargalo no País e, sobretudo, em nossa região por suas especificidades”, destacou Wagner.

Para o secretário-adjunto da Susam, além da necessidade de implementação de um método mais eficiente, é necessário discutir o assunto sob a perspectiva também da viabilidade financeira e de logística. “No caso do Amazonas, já temos a experiência de termos sidos pioneiros na implantação do Programa de Vacinação das Adolescentes contra o HPV, que foi uma importante conquista da política de prevenção ao câncer de colo uterino, em seguida incorporada pelo Ministério da Saúde. Mas temos uma realidade econômica no País que não nos permitiria, neste momento, sem o financiamento do SUS, adotar a nova tecnologia”, frisou o secretário.

A Susam, lembrou o secretário-adjunto, vem paralelamente trabalhando em outros programas que pretendem garantir avanços nas ações de prevenção e tratamento a esse tipo de câncer. A utilização da Telessaúde, para adoação da telecitologia, é um dos projetos que está em discussão. “Na última semana, o secretário Pedro Elias esteve na Universidade de São Paulo tratando do assunto com o Departamento de Telessaúde da Faculdade de Medicina daquela instituição. São muito boas as perspectivas de colocarmos o nosso programa estadual de Telessaúde a serviço das ações de prevenção ao câncer uterino, como já estamos fazendo em relação ao câncer de mama, com a telemamografia”, frisou Wagner.