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Avanço na tecnologia para tratar câncer de cabeça e pescoço reduz efeitos colaterais em pacientes

O tratamento do câncer tem evoluído muito nas últimas décadas com novas técnicas e tecnologias que proporcionam maior chance de cura. Os pacientes com a neoplasia de cabeça e pescoço foram alguns dos muitos beneficiados com os avanços no tratamento e nas estratégias para se diminuir as sequelas. Na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), são aplicadas técnicas que diminuem efeitos colaterais, como a rouquidão.

Os cânceres de cabeça e pescoço são tipos comuns de tumores que podem se desenvolver nas vias respiratórias e digestivas, como a cavidade nasal, boca, faringe, laringe e tireoide. Juntos, são a nona neoplasia mais comum no mundo, destaca o médico radioterapeuta da FCecon, Alfredo Coimbra Reichl.

A cirurgia e a radioterapia são as opções de tratamento curativo para esses tipos de neoplasia e podem ou não ser acompanhadas de quimioterapia. Técnicas modernas como radioterapia com feixes modulados (IMRT, na sigla em inglês), radioterapia guiada por imagem (IGRT, em inglês), além de laserterapia, são aplicadas na Fcecon.

A melhora na forma de aplicação da radioterapia, principalmente com o uso de novas técnicas, como a radioterapia com feixes modulados e a radioterapia guiada por imagem, proporciona maior chance de cura e a diminuição de efeitos colaterais, segundo Alfredo Coimbra Reichl.

No caso da IMRT, é possível fazer com que a radiação se deposite, em maior parte, apenas no tumor. “Nos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, esses avanços foram mais notáveis, pois essa técnica permite administrar uma dose maior de radiação no tumor, aumentando a chance de cura, ao mesmo tempo em que diminui a dose de radiação nos órgãos sadios”, explica o médico radioterapeuta da FCecon.

O IMRT permitiu a diminuição de muitos efeitos colaterais, anteriormente comuns como boca seca, feridas na boca, rouquidão, inchaço e fraqueza durante o tratamento.

Já a radioterapia guiada por imagem é uma forma ainda maior de refinar o tratamento. Com essa técnica, segundo Reichl, é possível realizar imagens de tomografia durante o tratamento e observar mudanças no tamanho e localização do tumor, tornando o tratamento ainda mais preciso e seguro.

Laserterapia – Outra evolução no tratamento desses tumores é a utilização da laserterapia, que tornou o tratamento muito mais tolerável pelo paciente. “O laser utilizado para isso é o de baixa potência, um laser terapêutico. Sua aplicação é simples e rápida, sendo eficaz e indolor, o que leva à adesão do paciente com muita facilidade”, explica a odontóloga da FCecon, Lia Mizobe Ono.

A utilização da laserterapia associada com a radioterapia já é bem estabelecida por seus efeitos benéficos, como prevenir a formação de feridas, diminuir a dor e a mucosite (inflamação) e acelerar a cicatrização. “A utilização do laser também acelera a recuperação da salivação normal e do paladar, sequelas que podem ocorrer após a radioterapia”, afirma a odontóloga.

Acompanhamento – Os especialistas da FCecon reforçam que, tão primordial como o tratamento escolhido e a tecnologia disponível, é o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, que inclui odontólogo, fonoaudiólogo, psicólogo, radio-oncologista, oncologista clínico e cirurgião de cabeça e pescoço.

O aposentado José Maia, de 56 anos, descobriu em 2014 que tinha dois tumores malignos debaixo da mandíbula e na região no pescoço – o carcinoma nasofaringe. Na Fcecon, Maia passou por duas cirurgias, ainda em 2014, para retirar os tumores. Depois fez quimioterapia e radioterapia nos anos seguintes.

Segundo o aposentado, o tratamento foi essencial para que ele não sentisse muito desconforto. “No começo eu sentia muita dor na garganta, porque havia ferido, e babava bastante durante o sono, mas o tratamento foi muito bom e reduziu o desconforto”, contou José, que chegou a perder parcialmente o paladar durante as primeiras sessões de radioterapia, mas já recuperou boa parte do sentido.

Atualmente, o aposentado faz consultas e, periodicamente, tomografia do pescoço e exames de sangue como acompanhamento na FCecon.

Números – Em todo o Brasil, segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), para 2018 eram esperados 634.880 casos novos de câncer, sendo o de cavidade oral o quinto mais incidente, com 11.200 novos casos.

No Amazonas, a estimativa aponta 110 novos casos de câncer de cavidade oral e outros 100 para laringe, alguns dos mais comuns. Chama atenção a estimativa de 70 novos casos da neoplasia de tireoide somente para mulheres, segundo dados do Inca.

Sintomas – Uma das preocupações para tratar os cânceres de cabeça e pescoço é a demora do diagnóstico, em função da evolução inicial oligossintomática, com poucos sintomas. Mas vale ter atenção e procurar um médico quando houver a presença de dor de garganta, principalmente durante a deglutição, rouquidão, dificuldade de engolir e sensação de “caroço” na garganta.

FOTO: Laís Motta/FCecon

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