Amazonas Notícias

Avenida Eduardo Ribeiro foi o cenário da abertura das temporadas ‘Literária’ e ‘Delas’

Maracatu Baque Mulher abriu a programação com uma intervenção na Feira de Artesanato; evento continuou com roda de conversa no Centro de Atendimento ao Turista

Um cortejo pela Feira de Artesanato da Avenida Eduardo Ribeiro, comandado pelo Maracatu Baque Mulher, abriu a programação das Temporadas “Literária” e “Delas” na manhã deste domingo (25/02), no Centro de Manaus, e chamou a atenção dos visitantes. A ação, realizada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), deu início a uma série de eventos literários e de atividades voltadas às mulheres que acontecerá na capital e no interior até o dia 18 de março.

De passagem pela feira, a caminho do comércio do Centro, Hilda Dantas Oliveira, 65, parou para assistir a apresentação do grupo de mulheres. “Que lindo! Estava passando e resolvi assistir. Faço parte do grupo de capoeira Dendê Maruô e acho tudo o que envolve percussão contagiante!”, disse.

Durante todo o percurso, muitas pessoas acompanhavam e registravam a intervenção artística. “Todo domingo tomo café da manhã aqui, mas essa é a primeira vez que vejo essa manifestação. Achei interessante, estou filmando tudo e gostaria muito de participar”, comentou Norma Suely Cruz que acompanhou o grupo até o final do cortejo.

Após a apresentação do Baque Mulher, a programação continuou no Centro de Atendimento ao Turista (CAT), onde aconteceu uma roda de conversa sobre os problemas enfrentados pelas mulheres, entre eles, a luta pelo reconhecimento profissional, valorização da mulher negra e violência contra a mulher.

Participaram da conversa a historiadora e militante do movimento feminista, Francy Junior; a antropóloga e escritora Flávia Melo; e a presidente nacional da Frente Mulher do Hip Hop Brasileiro, Lunna Rabetti.

Para Flávia Melo, autora do livro “Marcas de um crime invisível”, sobre mulheres vítimas do crime de lesão corporal grave, o evento abriu mais uma oportunidade de diálogo, de troca e de muito crescimento.

“Revisitar o livro e compartilhar as histórias dessas mulheres vítimas de violência nos ajuda a mudar a forma como percebemos o mundo”, comentou. “Hoje a gente tem ferramentas muito mais precisas para conhecer, identificar e quantificar essas formas de agressão, mas as mudanças ainda não foram suficientes para a redução dessa violência”, observou Flávia.

Um dos momentos mais emocionantes do evento foi quando Francy Junior, que também é atriz, leu um dos casos de violência relatados em “Marcas de um crime invisível”. Após a interpretação emocionada, Francy demonstrou o interesse em levar o texto ao teatro.

“As mulheres precisam ouvir esses relatos, precisam conhecer essas histórias. Mas precisam saber, principalmente, que mesmo tendo sido violentadas, machucadas, todas as mulheres têm uma força natural para superar e sobreviver a todo tipo de violência”, pontuou.

Em sua fala, Lunna Rabetti, que também é coordenadora do livro “Perifeminas”, que reúne histórias (poesias, contos, desabafos e relatos) de mulheres que fazem parte da cultura Hip Hop, chamou atenção para a necessidade do reconhecimento profissional feminino.

“Não me sentia representada no movimento. Na divulgação dos eventos, por exemplo, sempre tinha o nome das atrações masculinas e o das femininas não, nós erámos o ‘e outros’ nos panfletos”, contou. “Nós não existíamos porque um profissional sem portfólio, sem esses registros, não existe. Aí começou minha luta pela visibilidade”, contou.

Para encerrar a programação, teve uma apresentação especial do grupo de rap feminino Mulheres In Rima.

Presente no evento, o secretário de Cultura, Denilson Novo, afirmou que esse é um trabalho significativo para aproximar a SEC da população.

“Queremos dialogar com todas as frentes, dar apoio a essas pessoas que produzem cultura, que têm uma representatividade, que são engajadas e incluir nas nossas ações, assim como dar oportunidade à população de ter contato com essas manifestações, levando nossas ações para vários lugares. Por isso temos trabalhado todas as linguagens, queremos caminhar e firmar nossos passos com a população”.

As temporadas – A programação das temporadas “Literária” e “Delas” continua até o dia 18 de março. Dentro da agenda de eventos literários haverá lançamento de livros, rodas de conversa com escritores, oficinas de fanzines, vivências, feira de troca de livros e mediação de leitura em espaços como galerias, shoppings populares e escolas da capital e do interior.

Já a temporada ‘Delas’ contará com debates sobre o protagonismo feminino, valorização da mulher negra, situação da mulher indígena e da mulher trans na sociedade; oficina de empoderamento; dia de beleza para moradoras de rua; marcha das mulheres; e apoio social e jurídico para mulheres em situação de risco.

FOTO: Michael Dantas/SEC

Relacioandos