Após 16 anos, Rodrigo Esteves volta ao palco do Teatro Amazonas para o 22º Festival Amazonas de Ópera

Retornando ao palco do Teatro Amazonas após 16 anos, o barítono Rodrigo Esteves se diz emocionado e animado por fazer parte do elenco da ópera “Tosca”, que tem sua segunda récita nesta sexta-feira (17/05), a partir das 20h. A última chance de conferir o espetáculo acontece no domingo (19/05), a partir das 19h, também no Teatro Amazonas, encerrando a apresentação da obra de Giacomo Puccini no 22º Festival Amazonas de Ópera.

O FAO é realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio master do Bradesco, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cidadania e Secretaria Especial de Cultura. A abertura foi no dia 26 de abril e o evento segue com apresentações de ópera, recitais e concertos até 30 de maio.

Quando se fala em uma ópera cheia de romance, tragédia e crimes, todo amante de bel canto lembra logo de “Tosca”. A história narra a trama da célebre cantora lírica Floria Tosca (a soprano Daniella Carvalho); do pintor Mario Caravadossi (o tenor Fernando Portari); e do chefe de polícia Baron Scarpia. A ação se passa em 1800, quando a Itália era ameaçada pela invasão do exército de Napoleão Bonaparte.

O barítono Rodrigo Esteves encara o papel do vilão Scarpia, que transforma a vida da cantora e do pintor em um verdadeiro inferno. Essa, no entanto, é a quinta vez que o carioca dá vida ao personagem nos palcos.

“É um papel que adoro e, a cada vez que o faço, desfruto e gosto mais, porque é muito teatral. A música de Puccini, aliada à dramaturgia que há na partitura, são levadas ao palco de uma maneira muito visceral por todos os personagens. O Scarpia, principalmente, tem uma coisa de sedutor, que faz toda uma chantagem com a Tosca, e isso me exige muito como ator. É um lado da ópera que exige muito de mim e que eu gosto de fazer, porque é uma delícia mostrar tudo isso no palco”, comemorou.

Em três atos, a ópera é focada nos três personagens principais. Caravadossi e Tosca estão apaixonados, porém o pintor é simpatizante de Napoleão e é perseguido por Scarpia. Este, por sua vez, é obcecado pela cantora de ópera, criando o cenário para uma tragédia. Além da história marcante, aclamada pelo público desde sua primeira apresentação, em 1900 em Roma, a música de “Tosca” é algo que encanta seus intérpretes, por conta da maturidade vocal exigida por esses papéis.

“Musicalmente, Scarpia é muito adequado para minha voz, nesse momento da minha carreira. Por isso, a preparação para trazê-lo ao FAO foi cheia de alegria. Eu sempre faço esse papel com muita vontade de cantar. Aqui, é um grande prazer fazer parte desse elenco maravilhoso, além de poder trabalhar com (o diretor de cena) Jorge Takla e o maestro Luiz Fernando Malheiro, que é um grande conhecedor de ópera e que sempre nos ajuda a dar o nosso melhor”, disse.

No entanto, mesmo com a experiência anterior – ele já interpretou Scarpia em Madri, Verona, São Paulo e Belém –, Esteves diz que é sempre emocionante encarnar o barão. “Você sempre descobre algo a mais no personagem, um detalhe novo que você vai agregando a sua interpretação. É apaixonante demais. Até dentro de um festival, as apresentações nunca são as mesmas, e uma récita é sempre diferente da outra”, completou o artista, que veio a Manaus participar do FAO pela primeira vez em 2003.

“É muito bom poder trabalhar com gente inspirada e inspiradora. Esperei 16 anos para retornar, dessa vez com ‘Tosca’. Os profissionais e equipe técnica e artística são maravilhosos. É um ambiente perfeito. Espero voltar mais vezes”, disse.

Elenco e produção – O elenco de “Tosca” conta, ainda, com Wilken Silveira (tenor), como Spoletta; Pepes do Valle (baixo), como sacristão; Fred Oliveira (barítono), como Cesare Angelotti; Moisés Rodrigues (barítono), como Sciarrone; Roberto Paulo (baixo), como o carcereiro; e Davi Lucas, como pastor. A direção cênica é do renomado diretor Jorge Takla, com cenários de Nicólas Boni, figurinos de Pablo Ramirez e desenho de luz por Fábio Retti.

“Não poderíamos ter um elenco mais qualificado. O trio principal tem uma química fortíssima. Daniella tem um poder de interpretação excelente e já encenou ‘Tosca’ na Rússia. O Rodrigo Esteves interpreta Scarpia de forma muito inteligente, e o Fernando Portari continua sendo o maior tenor brasileiro em ação no Brasil. Pepes do Valle faz um papel curto como sacristão, porém muito importante. Wilken e Moisés, que são da casa, também estão ótimos como os capangas de Scarpia. Estou bastante contente”, afirma Malheiro.

A direção de cena de Jorge Takla e a parceria com o Uruguai também são destacadas pelo maestro. “O Takla é um dos diretores mais importantes em atividade no Brasil. Já fizemos alguns trabalhos juntos, e essa ‘Tosca’ foi uma produção que ele fez ano passado, no Teatro Solís, em Montevidéu. É uma cenografia bastante simples, com um palco único e irregular, que cria um clima de ansiedade e de conflitos sobre a trama que vai mudando em cada ato. É muito interessante”, diz o maestro.

Ainda segundo o regente de “Tosca”, o público que ainda não conhece a ópera de Puccini se surpreenderá com o enredo. “Aqui no Amazonas, temos um público muito sensível e aberto a novas propostas. A ópera é linda visualmente e a força teatral da obra prende o público do começo ao fim”, pontua.

“Tosca” ainda terá apresentação no domingo (19/05), às 19h, no Teatro Amazonas.

Sobre o 22º FAO – Em 2019, o Festival Amazonas de Ópera celebra o centenário de nascimento de Claudio Santoro, com a apresentação da ópera “Alma”, do compositor e maestro amazonense. A programação conta com “Ernani”, de Giuseppe Verdi; “Maria Stuarda”, de Gaetano Donizetti; “Tosca”, de Giacomo Puccini; e “Mater Dolorosa”, baseada na cantata “Stabat Mater Dolorosa”, de Giovanni Pergolesi.

Os ingressos para o FAO 2019 estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e pelo site Bilheteria Digital (www.bilheteriadigital.com/teatroamazonas), com valores que vão de R$ 2,50 a R$ 60.

A programação paralela conta com o Recital Bradesco, com canções compostas por Claudio Santoro; projeto “Ópera Mirim”; o encontro “Os Teatros de Ópera e a Economia Criativa na América Latina”, voltado para apresentar dados e casos de sucesso sobre a Indústria da Ópera na América Latina; concerto do Dia das Mães e Mulheres da Ópera.

Sobre o Bradesco Cultura – Com centenas de projetos patrocinados anualmente, o Bradesco acredita que a cultura é um agente transformador da sociedade. O Banco apoia iniciativas que contribuem para a sustentabilidade de manifestações culturais que acontecem de norte a sul do País, reforçando o seu compromisso com a democratização da arte.

São eventos regionais, feiras, exposições, centros culturais, orquestras, musicais e muitos outros, além do Teatro Bradesco em São Paulo. Fazem parte do calendário 2019 atrações como o musical “O Fantasma da Ópera” e o Natal do Bradesco, em Curitiba.

Serviço: 22º FAO apresenta “Tosca”, de Giacomo Puccini

Data/hora: Sexta-feira (17/05), às 20h; e domingo (19/05), às 19h

Local: Teatro Amazonas, avenida Eduardo Ribeiro, 659, Centro

Entrada: Ingressos com valores de R$ 2,50 a R$ 60, à venda na bilheteria do Teatro Amazonas e pelo site Bilheteria Digital (www.bilheteriadigital.com/teatroamazonas)

Para mais informações sobre essas e outras ações, projetos e atividades desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Cultura, acesse o Portal da Cultura (www.cultura.am.gov.br). Confira também os perfis do órgão no Facebook, Twitter e Instagram – culturadoam.

FOTO: Michael Dantas/SEC (cenas de “Tosca”) e Divulgação (Rodrigo Esteves)