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Boca do Acre pode ficar sem uma de suas principais ruas

Moradores e comerciantes relatam medo e prejuízos com o desmoronamento na Tião Leite.

Desbarrancamento ameaça casas e comércios (Foto: Agostinho Alves)
Desbarrancamento ameaça casas e comércios (Foto: Agostinho Alves)

Boca do Acre vivencia uma das raras situações para uma cidade, que ao invés de crescer na sua estrutura com o passar do tempo, ela encolhe. Exatamente o que está acontecendo no bairro Praia do Gado, mais especificamente a rua Tião Leite, uma das vias de maior fluxo e uma das principais da cidade, que sofre com o desmoronamento contínuo da margem direita do rio Purus. O desbarrancamento deste ano foi cruel e levou para o leito do rio Acre várias residências, além de ter deixado comprometidas outras dezenas de casas.

São imagens e depoimentos que traduzem o sentimento de perda, de tristeza e do medo de que o pior ainda esteja por vir. Moradores e comerciantes demonstraram muita preocupação com a situação de risco. Existe muita lamentação por aqueles que perderam tudo, desde a residência, móveis e até o risco de ter a própria vida levada pelas águas.

O perigo é o vizinho mais próximo (Foto: Agostinho Alves)
O perigo é o vizinho mais próximo (Foto: Agostinho Alves)

Uma vida inteira levada pelo barranco

O comerciante Manoel Oliveira de Queiroz, 46 anos, morador e empresário na rua Tião Leite há mais de 20 anos, contou que nunca se sentiu tão ameaçado de perder todo o patrimônio, que segundo ele, levou uma vida para constituir. “Agente tem que tentar uma solução para que façam algo para que possa segurar o nosso ponto. Agente ver nossos companheiros aqui para baixo que tiveram suas casas levadas”, disse o comerciante.

“Se não for feito algo pelo nosso bairro, dentro de 2 ou 3 anos, nós podemos perder até a rua principal do nosso bairro”, alertou Manoel, que completou dizendo se sentir temoroso com o futuro da sua propriedade. “Eu já me sinto ameaçado, nesse ano já levou mais de quatro metros de terras e a minha casa já está correndo perigo”.

“Se caso perdermos, iremos perder o trabalho de uma vida inteira”, afirmou.

‘Pátria’

Principal rua do bairro Praia do Gado pode desaparecer em menos de três anos, projetam moradores (Foto: Agostinho Alves)
Principal rua do bairro Praia do Gado pode desaparecer em menos de três anos, projetam moradores (Foto: Agostinho Alves)

“Nós gostamos da Praia do Gado, não queremos sair daqui, queremos que as autoridades do nosso município, o prefeito, os vereadores, para que possamos lutar juntos para o serviço da orla possa chegar até nós”, pediu o comerciante.

O prejuízo, segundo relatou Manoel, foi grande para os vizinhos. Segundo ele, amigos perderam máquinas de serrarias que foram levadas, móveis e eletrodomésticos também foram tragados pelo barranco.

“Aqui é o meu pão de cada dia”

Para a micro-empresária Maria Oliveira de Souza, 69 anos, moradora há 15 anos do local, trata-se de uma situação triste e desesperadora. A moradora suplica atenção da classe política para que olhe pelo sofrimento dos moradores que estão com suas propriedades ameaçadas.

“Eu queria que os vereadores e o prefeito trabalhassem para dar condições de ajeitar isso aqui, pois olha aqui, onde o barranco está, bem perto do meu comércio e aqui é o meu pão de cada dia”, disse.

Prejuízo de 180 mil

Japão relata prejuízo de 180 mil reais (Foto: Agostinho Alves)
Japão relata prejuízo de 180 mil reais (Foto: Agostinho Alves)

O morador Bernardo Pereira da Silva, conhecido como Japão, 54 anos, natural do estado do Maranhão, veio para Boca do Acre em 2006. Japão relembra que adquiriu o terreno na época pelo valor de 15 mil reais e hoje tem título definitivo, paga o IPTU da propriedade em dias e, antes do desbarrancamento, a casa e o terreno eram avaliados em 180 mil reais. O morador reconhece que com a proximidade do barranco, tudo o que ele levou muitos anos para construir perdeu completamente o valor.

“Isso aqui pra mim foi um trauma, você ver as coisas, o barranco caindo, as pessoas perdendo tudo sem nenhuma solução, sem intervenção do prefeito. Aqui não aguenta mais um inverno, hoje isso aqui dado ninguém quer”, desabafou.

Saudosismo

Severiano relembra as quatro grandes avenidas que ligavam a cidade de um ponta a outra, hoje só resta a Tião Leite ameaçada (Foto: Agostinho Alves)
Severiano relembra as quatro grandes avenidas que ligavam a cidade de um ponta a outra, hoje só resta a Tião Leite ameaçada (Foto: Agostinho Alves)

Severiano Barros Pinto, 63 anos, morador do bairro Praia do Gado, lembrou com saudosismo os tempos em que ele conheceu Boca do Acre com quatro grandes avenidas, que iniciavam no bairro Macaxeiral e terminavam no final da cidade, hoje só resta apenas a Tião Leite.

A maioria dos moradores que foi questionado quanto ao fato de serem vizinhos do precipício e a resposta foi igual, ao dizerem que ainda permanecem no local por não terem para onde ir.

Fonte: Portal do Purus

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