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Bolsonaro afirma que Glenn terceirizou hackeamento da Lava Jato

Um dia depois de dizer que o jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, cometeu crime, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) o chamou de “militante”. Ele volta a insinuar que Greenwald teria cometido atos ilegais, mas não diz quais. “O primeiro crime é invasão. Foi por terceiros”, disse.

Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil tem publicado reportagens com base em diálogos vazados do ministro Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Sem apontar um crime, Bolsonaro disse que Greenwald estava “dando repercussão ao crime” e que caberia a ele “desvendá-lo”. “Quando você pega uma informação dessa -e se tivesse informação, nem sei se tem e nem sei se é verdade o que tiram lá de dentro- e começa a passar para frente, você está dando repercussão a um crime, pô. Você tem que ter a obrigação de desvendar aquele crime”, disse.

Os repórteres disseram que não cabe ao jornalista a apuração de um crime. “Aqui, o Greenwald é jornalista? Ah tá, o Greenwald é jornalista? Ele é jornalista? Ele é militante. Eles já acharam R$ 100 mil com gente deles lá, ta?”, ironizou.

Bolsonaro foi perguntado sobre onde obteve a informação sobre os R$ 100 mil e se ele teve acesso às investigações da Polícia Federal. “Isso ai é reservado”, disse.

A Polícia Federal apura o envolvimento de quatro suspeitos de terem hackeado as contas das autoridades. Até o momento não houve conclusão sobre motivações financeiras para invasão dos celulares. Greenwald não consta entre os investigados.

Na segunda-feira (29), Bolsonaro disse que Greenwald cometeu crime. “Eu estou achando que, no meu entender, ele cometeu um crime porque em outro país ele estaria já numa outra situação. Espero que a Polícia Federal chegue, ligue realmente todos os pontos. No meu entender isso teve transações pecuniárias. E pelo que tudo indica a intenção é sempre atingir a Lava Jato, atingir o [ministro] Sergio Moro, a minha pessoa, tentar e desqualificar e desgastar. Invasão de telefone é crime, ponto final”, afirmou.

Dias antes, no sábado (27), ele afirmou que o jornalista “poderia pegar uma cana” no Brasil.

Na ocasião, Bolsonaro disse que Greenwald e o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) são “malandros” por terem se casado e adotado dois filhos no país.

O presidente fazia referência a uma portaria publicada por Moro na sexta-feira (26), que estabelece um rito sumário de deportação de estrangeiros considerados “perigosos” ou que tenham praticado ato “contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.

“Ele [Glenn] não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, afirmou.

Quando as primeiras mensagens vieram à tona, em 9 de junho, o Intercept informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, no aplicativo Telegram, a partir de 2015.

As mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas até este momento pelo site e por outros órgãos de imprensa, como a Folha de S.Paulo, revelam que o então juiz Moro atuou em parceria com os procuradores em diferentes processos, aparentemente sem a imparcialidade diante de acusação e defesa exigida a um magistrado segundo as regras do Judiciário.

Caso haja entendimento de que Moro estava comprometido com a Procuradoria (ou seja, era suspeito), as sentenças proferidas por ele podem ser anuladas. Isso inclui o processo de Lula, que está sendo avaliado pelo STF e deve ser julgado no segundo semestre deste ano.

Segundo o Código de Processo Penal, “o juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes” se “tiver aconselhado qualquer das partes”. Afirma ainda que sentenças proferidas por juízes suspeitos podem ser anuladas.

Já o Código de Ética da Magistratura afirma que “o magistrado imparcial” é aquele que mantém “ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito”.

Moro tem repetido que não reconhece a autenticidade das mensagens, mas que, se verdadeiras, não contém ilegalidades.

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