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Brasil registra entre 3 e 6 milhões de idosos com asma

A asma no idoso ainda é uma doença subdiagnosticada e subtratada

A asma atinge cerca de 10% da população mundial de idosos e menos de 5% dos asmáticos iniciam os seus sintomas após os 60 anos. “Apesar de ter uma incidência de início menor que as demais faixas etárias, é um diagnóstico que sempre tem que ser levado em consideração pelos médicos, pois a asma, muitas vezes, é subdiagnosticada e submedicada nesta população, e pode levar a grande morbidade nestes casos”, explica o Prof. Dr. José Elabras Filho, especialista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Segundo Dr. Elabras, a maior parte dos estudos de prevalência da asma no Brasil foram feitos com crianças e adolescentes e mostram uma média de 24% para crianças e de 19% para adolescentes, ou seja, no geral algo em torno de 20%, um valor considerado elevado em relação aos outros países.

“O Brasil tem cerca de 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Se usarmos o percentual médio de 10% descrito na literatura para idosos a nível mundial e o de 20% observado em crianças e adolescentes brasileiros, podemos estimar a população de asmáticos acima de 60 anos em torno de três a seis milhões de pessoas, um número muito expressivo”, analisa o especialista.

Sintomas da asma no idoso – A dispneia (falta de ar) é o sintoma mais comum nesta faixa etária. Estudos mostram que os sintomas de asma em idosos podem ser mais intensos em relação aos pacientes mais jovens, com mais queixas respiratórias, maior uso de medicamentos, e maior necessidade de atendimento médico emergencial e necessidade de hospitalizações.

A reversibilidade da obstrução brônquica característica da asma, tende a ser menos completa no idoso. Maior gravidade e irreversibilidade da obstrução são frequentemente observadas nas provas de função pulmonar. Comorbidades podem agravar os sintomas da asma, como: DPOC, insuficiência renal, insuficiência cardíaca, broncoaspiração recorrente, refluxo gastroesofageano, apneia do sono, etc.

Tratamento – Dr. José Elabras Filho explica que a asma no idoso segue diretrizes que são comuns aos pacientes mais jovens, porém, há necessidade de mais atenção aos efeitos secundários terapêuticos e possíveis riscos de interações medicamentosas, principalmente no paciente com comorbidades.

“Da mesma forma que na DPOC, a associação de broncodilatadores antimuscarínicos (tiotrópio) tem sido recomendada e benéfica em pacientes com sintomas de asma mais intensos. Isto, particularmente, é útil no paciente idoso, já que apresenta uma menor quantidade de receptores Beta-2 agonistas em relação aos asmáticos mais jovens, também tendo um maior tônus brônquico colinérgico, o que reflete uma melhor resposta a estes medicamentos”, explica o especialista.

Outra novidade na terapêutica da asma, no caso da asma grave, é a utilização de imunobiológicos, na asma alérgica eosinofílica, e na eosinofílica não alérgica, essa última associada a fatores ambientais e tem grande importância nos idosos. “Até pouco tempo dispúnhamos de um imunobiológico mais indicado para a asma grave alérgica, o omalizumabe, que pode ser utilizado a partir dos seis anos de idade. Agora, no Brasil, já dispomos de medicamentos que atuam sobre uma citocina, a IL-5, relacionada aos dois tipos de asma eosinofílica: o benzalizumab e o mepolizumab, reforçando o nosso arsenal terapêutico para a asma grave. No caso dos dois últimos no nosso país estão liberados a partir dos 18 anos”, conta Dr. Elabras Filho.

Desafios – A asma no idoso ainda é uma doença subdiagnosticada e subtratada. Existem dificuldades na caracterização dos sintomas: por omissão – “sintomas da idade”, negação, depressão, distúrbios cognitivos, isolamento social, etc. Confusão mental, dificuldade de memorização, maior incapacidade física no uso de dispositivos de inalação da medicação e a polimedicação são outras dificuldades encontradas.

O especialista da ASBAI explica que a avaliação e monitorização dos sintomas, da função respiratória e da terapêutica, podem também ser difíceis de serem realizadas. “Mas com uma adequada educação dos pacientes, familiares e (ou) cuidadores, e com um acompanhamento integral e multiprofissional, estes desafios são muitas vezes superados, o que leva um controle adequado da asma e ganho de qualidade de vida para estes pacientes”, finaliza o médico.

“A Asma no Idoso” é uma das palestras que acontecerá durante o 46º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que este ano acontece na cidade de Florianópolis (SC), entre os dias 25 e 28 de setembro, e traz como tema central “ A Medicina Translacional nas Doenças Alérgicas”.

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