O Brasil tem apenas 35 fiscais capacitados para atuar nas 790 barragens de rejeitos de minérios – semelhantes às do Córrego do Feijão, em Brumadinho, e à do Fundão, em Mariana – em todo o país. A informação foi confirmada pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

De acordo com o professor de Engenharia de Minas da UFMG, Evandro Moraes da Gama, esse número não é o suficiente para garantir a segurança de todas as barragens do país.

“Esse número não é o suficiente para fazer a inspeção em barragens. Inspeções em barragem deve ser feita por profissionais qualificados, com o mínimo de especialização, um mestrado ou doutoramento em Geotecnia. Esse número é insuficiente. É uma comissão de engenheiros hidrogeólogos, hidrólogos e geotécnicos. Essas três profissões devem compor uma comissão de inspeção de barragem.”

Nesta quinta-feira (31), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recebeu as pessoas que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens, representando os mortos, os desaparecidos e seus familiares e os atingidos por este grave acidente. Segundo ela, é muito difícil não se emocionar diante dos relatos e é preciso que indenize e se adote medidas emergenciais.

“As empresas que exploram esta atividade econômica precisam assumir, de forma muito séria, um compromisso de zelar diariamente pela higidez de cada uma das barragens para que elas não se rompam e é também preciso cuidar de questões emergenciais. As pessoas estão sem casa, muitas sem condição de pagar um novo aluguel, começa a faltar comida. Aquele que comete uma infração, ele tem o dever de reparar o dano.”

Raquel Dodge disse ainda que as instituições brasileiras precisam trabalhar com o intuito de dar resoluções céleres, lembrando que a sociedade civil e suas organizações precisam ser ouvidas, para que as necessidades das vítimas sejam atendidas.

Reportagem, Cintia Moreira
Foto: Agência Nacional de Mineração

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