O governador do Amazonas em exercício, Carlos Almeida, recebeu, na Sede do Governo, documento de lideranças que representam centenas de índios participantes da 3ª Marcha dos Povos Indígenas. Entre as reivindicações está a criação de um fundo para investimentos em projetos que melhorem a qualidade de vida dos povos indígenas, investimentos na Educação e fortalecimento da Fundação Estadual do Índio (FEI).

Carlos Almeida ouviu as demandas das lideranças, recebeu o documento com os pleitos e deu encaminhamentos para o secretariado. “Particularmente conheço as problemáticas enfrentadas pelos povos indígenas em nosso estado, e o governador Wilson Lima tem priorizado as demandas sociais, em especial as que ferem direitos”, afirmou o governador em exercício.

O Amazonas concentra a maior população indígena do País, com pelo menos 200 mil índios, como destacaram as lideranças. E, de todo território amazonense, aproximadamente um terço é indígena. “Vivemos momentos sombrios, estamos pressionados, temendo perdas no âmbito federal. Do Governo do Amazonas, gostaríamos de apoio, para que de alguma forma possamos avançar”, destaca Gersem Baniwa.

Na educação, uma das principais demandas é para a construção de escolas. Das 1.300 no Estado, aproximadamente metade não tem estrutura física, ocupando casas ou espaços ao ar livre. Propostas de um concurso público específico para educação indígena, assim como de conteúdo curricular e material didático adequados aos índios, também foram levantadas pelas lideranças no encontro na Sede do Governo.

Maior apoio – Junto com o fortalecimento da FEI, as lideranças pleiteiam uma espécie de reorganização da gestão das políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Segundo Baniwa, a maior parte dos recursos está em outras secretarias estaduais, e não na FEI. Além disso, os povos indígenas demandam ainda maior espaço nas discussões das políticas públicas.

Nesse sentido, Gersem Baniwa defende a criação de um conselho estadual ou de um parlamento indígena. Carlos Almeida destaca que o debate sobre um fórum para dar maior voz aos índios não é de hoje, e considera que mecanismo dessa natureza é extremamente apropriado. “As demandas são justas e factíveis. Vamos trabalhar para tanto”, afirma.