Cem anos da criação da BCG: proteção essencial disponibilizada pela prefeitura na atenção primária de saúde

Em 1º de julho de 1921, os pesquisadores Léon Calmette e Alphonse Guérin entraram para a história mundial com um importante feito: a criação da vacina BCG, que combate a tuberculose. Ao completar 100 anos nesta quinta-feira, 1º/7, esse imunizante, disponível na rede de atenção primária operacionalizada pela Prefeitura de Manaus, segue como a forma mais eficaz de proteção contra as formas graves da tuberculose.

Uma das primeiras vacinas a serem administradas em recém-nascidos, a BCG, que apresenta esse nome em homenagem aos cientistas que a criaram, é conhecida por deixar uma marca no braço direito do bebê. O imunizante é formado pela bactéria Mycobacterium bovis, em sua forma atenuada, que estimula a produção de anticorpos ativados quando a bactéria da tuberculose entra no organismo.

A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, destaca que a BCG é um avanço na prevenção das formas graves de uma doença infectocontagiosa que representa risco à vida das crianças e deve ser administrada, de preferência, nas maternidades. “Essa vacina representa uma proteção de mais de 80% contra as formas mais graves e disseminadas da tuberculose e ela está disponível na Moura Tapajóz e em todas outras maternidades da capital, sendo administrada logo nas primeiras horas de vida da criança e garantindo que elas ficarão protegidas contra as formas graves dessa doença”, explica.

Proteção inicial

Na rede pública, além da Moura Tapajóz, a vacina BCG pode ser encontrada em cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs), cujos endereços podem ser conferidos pelo link: https://bit.ly/3h65sjS.

A diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae) da Semsa, enfermeira Marinélia Martins Ferreira, reforça que, embora essas unidades sejam referência para a vacina BCG, a criança já deve sair vacinada da maternidade, conforme orientação do Ministério da Saúde (MS).

“A recomendação do Ministério da Saúde é para que já nas primeiras 12 horas de vida, a criança seja imunizada contra a tuberculose. E na impossibilidade de se vacinar nesse período, a vacina precisa, obrigatoriamente, ser administrada até os cinco anos”, alerta a enfermeira.

No Brasil, a luta contra a tuberculose ganhou impulso em 1976, quando o MS tornou a administração da vacina BCG obrigatória. A tuberculose é uma doença de transmissão aérea que se instala no organismo a partir da inalação de aerossóis oriundos das vias aéreas durante a fala, espirro ou tosse de pessoas com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea), que lançam no ar partículas contendo os bacilos.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que um quarto da população mundial tem o bacilo da tuberculose, mas parte expressiva desse contingente não apresenta sinais da doença, embora esteja mais vulnerável a desenvolvê-la, principalmente quando o sistema imunológico está enfraquecido.

A OMS atesta que a principal arma para a proteção contra as formas graves da tuberculose é a vacina BCG. Por isso a importância de imunizar os bebês a partir do nascimento.

Exceções

O chefe do Núcleo de Controle da Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Daniel Sacramento, explica que em apenas dois casos a aplicação da vacina BCG é desaconselhada. “As exceções são se a criança for imunodeprimida ou prematura com até dois quilos. Apenas nesses dois casos não é possível a aplicação da vacina, que é muito importante para prevenir as formas graves de tuberculose, que são a miliar e meningoencefálica”.

Sacramento destaca que, embora o número de pessoas com tuberculose no Brasil ainda seja expressivo, é preciso reconhecer que as formas graves vêm diminuindo, principalmente pela eficácia da BCG.

“A vacina é a principal forma de prevenção da tuberculose em crianças, mas é preciso que outros cuidados sejam adotados, até porque nenhuma vacina oferece proteção de 100%. A criança pode ser acometida por outras formas de tuberculose, por isso é necessário redobrar os cuidados”, reforça.

Cuidados

Dentre as medidas de proteção à tuberculose, há o exame de contato, que é necessário para monitorar e cuidar das pessoas que compartilham o mesmo ambiente, quando a doença se manifesta. “Quando uma criança tem tuberculose, ela possivelmente adquiriu a doença de um adulto e por isso o exame de contato é importantíssimo, uma vez que permite a detecção dessa infecção precocemente”, assinala o chefe do Núcleo de Controle da Tuberculose.

Medidas

Duas medidas simples se configuram como práticas poderosas de combate à tuberculose: manter o ambiente arejado e com luminosidade solar. São providências essenciais, porque a bactéria da tuberculose não consegue sobreviver em ambientes com alta luminosidade solar. “As medidas de prevenção da Covid-19, como o uso de máscaras, higiene e distanciamento social, também valem para a tuberculose, principalmente quando há sintomas de síndromes gripais acompanhados de tosse e espirros”, ressalta Daniel Sacramento.

Texto – Tânia Brandão/Semsa / Semsa