Central de Transplantes promove evento para homenagear famílias de doadores de órgãos e tecidos

A Central de Transplantes e o Banco de Olhos do Amazonas, vinculados à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), promovem nesta quinta-feira (27.09), data em que se comemora o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, um culto ecumênico para homenagear as famílias doadoras. A celebração acontecerá a partir das 18h, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), localizado na avenida Joaquim Nabuco, Centro. A previsão é reunir mais de 500 pessoas no local.

A homenagem também marca o encerramento das atividades alusivas à campanha “Setembro Verde”, que acontece este mês e que visa conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.

De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes, Leny Passos, o culto ecumênico é em agradecimento às famílias doadoras e doadores em vida, pelo gesto de amor e solidariedade com o próximo. Também vão estar presentes pessoas beneficiadas com a doação de órgãos e profissionais que atuam no processo de transplantes.

“É um momento para agradecermos a essas famílias e mostrar quão importante foi à doação feita por elas. Além disso, é também uma oportunidade para estimularmos que atuem como disseminadores de informações à população, uma vez que há inúmeros pacientes na fila de espera para o transplante de órgãos e tecidos, em todo o país”, afirmou Leny.

A coordenadora ressalta que o envolvimento da população no processo de conscientização sobre a importância da doação é uma das estratégias para a superação do problema da negativa familiar. Esta continua sendo a principal razão para a não efetivação da doação. “Ainda há um desconhecimento sobre quem pode doar e o que pode ser doado, por isso, os esclarecimentos são primordiais, para que mais vidas sejam salvas”, disse.

Para ser um doador de órgãos e tecidos, segundo Leny Passos, basta a pessoa expressar esse desejo a sua família. “A doação só acontece se a família autorizar. Grande parte não aceita doar por desconhecer se o familiar era doador em vida. Quando sabem dessa intenção, a autorização é mais fácil de ser dada. Vale lembrar que este é um gesto voluntário e altruísta do doador e que depende da nobreza da família dele para ser concretizado”, frisou.

A emoção de quem recebe a doação – “O fato de poder criar meus filhos não tem preço”. A afirmação é da dona de casa Tábata de Melo Nepumuceno, 37 anos, a primeira paciente mulher a realizar um transplante de fígado, com doador morto, no Amazonas, em 1º de setembro de 2015. Na época, conta ela, a filha mais nova tinha 3 anos de idade e os dois mais velhos 11 e 13. “Foram tempos difíceis, tanto para mim quanto para minha família. Então, poder estar ao lado dos meus filhos, educando-os e vendo-os crescer, depois de tudo que passei, é maravilhoso”, relatou.

Três anos após o transplante, Tábata relata que, apesar das restrições em decorrência do próprio tratamento com imunossupressores, ela leva uma vida normal e não tem palavras para agradecer a família que autorizou a doação do órgão que recebeu. “Ela salvou a minha vida. O transplante era minha única chance de sobreviver. Se não tivesse recebido essa doação, já estaria morta. A doença que tive foi avassaladora”, declarou.

A dona de casa foi diagnóstica com cirrose hepática causada pelo vírus da hepatite D. Entrou na fila de transplante em março de 2015 e seis meses depois passou pelo procedimento, na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), unidade da Susam. Agora, ela defende e estimula o processo de doação de órgãos e tecidos. “Por onde ando conto a minha história e lembro às pessoas da importância de ser um doador. Em seu último momento, você pode salvar não só uma, mas várias vidas”, pontuou.

Iluminação especial – Para chamar a atenção para a importância da doação de órgãos e tecidos, alguns prédios públicos estão iluminados de verde durante este mês, dentre os quais estão o HPS João Lúcio, o Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, o HPS Platão Araújo, o HPS 28 de Agosto, Instituto da Mulher Dona Lindu, Fundação Alfredo da Matta, Fundação Adriano Jorge, o prédio do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), entre outros.

Nesta terça-feira (25/09) houve capacitação para profissionais que atuam nas Comissões Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT’s) e Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) de hospitais e prontos socorros da rede estadual de saúde. As unidades também realizaram mobilização de conscientização com usuários dos serviços de saúde.

Flash mob – Nesta quarta-feira (26/09), a campanha irá para a rua com a realização de um flash mob, às 9h30, na avenida Mário Ipiranga Monteiro (Recife) esquina com a Salvador, em Adrianópolis. A ação, realizada por servidores da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), do HPS 28 de Agosto, tem como objetivo conscientizar sobre a importância do tema, reforçando o trabalho desenvolvido pela equipe na unidade. Eles se vestirão de super-heróis para realizar a performance.