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O italiano Cesare Battisti desembarcou na manhã desta segunda-feira (14) em Roma. Ele foi preso na noite do último sábado (12), em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, por uma equipe da Interpol, formada por agentes italianos e brasileiros. Na Itália, ele deverá cumprir a pena de prisão perpétua por quatro assassinatos na década de 1970. Ele nega ter cometido os crimes e se diz vítima de perseguição política.

Battisti era considerado foragido desde 14 de dezembro de 2018, quando o então presidente Michel Temer assinou o decreto de extradição do italiano. Ele teve, então, o nome incluído na lista da Interpol. A medida garantiria que ele poderia ser preso em outros países, caso fosse encontrado.

O transporte de Battisti foi debatido entre autoridades bolivianas, italianas e brasileiras. O ministro da Justiça da Itália afirmou que ele seria transportado em um avião sob responsabilidade da Itália, em voo direto, sem passar pelo Brasil. Isso permitiria que Battisti cumpra a pena completa a que foi condenado pelos homicídios: a prisão perpétua.

Caso ele fosse enviado pelo Brasil, seriam impostas as regras do acordo de cooperação para extradição entre os dois países, que segue limites fixados com base nas leis brasileiras e na Constituição de 1988.

O STF só autoriza a entrega de foragidos detidos no Brasil caso o país estrangeiro, que requer a extradição, se comprometa a não aplicar a prisão perpétua, nem a pena de morte e ainda limitar o tempo máximo de prisão a 30 anos.

Em seu perfil no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro parabenizou os responsáveis pela prisão do terrorista italiano e voltou a criticar o Partido dos Trabalhadores (PT). Bolsonaro disse que “finalmente a justiça será feita ao assassino italiano e companheiro de ideais de um dos governos mais corruptos que já existiram do mundo”, se referindo ao PT.

O ministro do Interior, Matteo Salvini, também utilizou o Twitter para agradecer Bolsonaro pela colaboração, assim como as autoridades bolivianas. Ele afirmou que Battisti é “um criminoso que não merece uma vida cômoda na praia, mas acabar seus dias na prisão”. “O meu primeiro pensamento vai para os familiares das vítimas deste assassino, que durante tempo demais gozou de uma vida que vilmente tirou de outros, protegido pela esquerda de meio mundo”, escreveu Salvini.

Reportagem, Paulo Henrique Gomes