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Cidades de dez estados estão sem segunda dose de vacina para a Covid-19

No estado do Rio de Janeiro, ao menos sete cidades estão sem aplicar a segunda etapa da Coronavac -há doses suficientes, porém, para quem já havia recebido a AstraZeneca

Por FOLHAPRESS

Prefeituras de ao menos dez estados anunciaram que suspenderam a aplicação da segunda dose da vacina contra a Covid-19 por falta da Coronavac, do fabricante Butantan –em algumas cidades, ainda há disponibilidade da vacina AstraZeneca, fornecida pela Fiocruz.

Entre as capitais, não podem completar o ciclo da imunização com a Coronavac Porto Alegre, Recife, Natal, Campo Grande, Maceió e Macapá -à exceção das últimas duas, são justamente cidades com mais de 90% das UTIs públicas ocupadas para casos graves da doença.

A falta de doses para o reforço da vacina, na segunda etapa, se concentra principalmente em cidades gaúchas, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. No Rio Grande do Sul, segundo o Cosems-RS (Conselho de Secretarias Municipais da Saúde), 350 dos 497 municípios já estão sem Coronavac para seguir com a segunda dose.

Porto Alegre suspendeu a aplicação nesta terça-feira (27). “Esse número tende a aumentar, a partir do momento que atrasa a entrega de um novo lote, e a tendência é que nos próximos cinco dias todos os municípios gaúchos estejam sem condições de ofertar a segunda dose da Coronavac”, diz Maicon Lemos, presidente do conselho e secretário de saúde de Canoas, na grande Porto Alegre, que também teve suspensão na terça.

O governo gaúcho diz que faltam 263,9 mil doses no estado –40.470 doses do imunizante para concluir a vacinação de idosos que foram vacinados com a remessa distribuída em 20 de março e 223.440 doses para quem foi vacinado com a remessa de 26 de março.

A Secretaria de Saúde do Espírito Santo divulgou uma lista com 37 municípios que já não têm segunda dose do imunizante Sinovac/Butantan. A capital, Vitória, segue com a aplicação de segunda dose, mas apenas para pessoas acamadas ou restritas ao leito e pessoas cadastradas nas unidades de saúde e que estão com intervalo maior do que 28 dias entre as doses.

Vila Velha está vacinando com doses que foram recebidas na semana passada e começou, nesta terça, busca ativa de pessoas que foram vacinadas com a primeira dose entre 15 e 20 de março para receberem a segunda dose. A cidade capixaba estima vacinar cerca de 500 pessoas até a próxima sexta (30).

A aposentada Angelina Knaak Vitório, 73, que recebeu a primeira dose no dia 27 de março, é uma das pessoas que aguardam um contato da prefeitura, já que passou dos 28 dias recomendados para a segunda dose.

“Estou ansiosa”, diz ela. “A gente fica com medo de não ter mais essa [vacina] e não ficar imunizado.”

Natal, Mossoró e Parnamirim, no Rio Grande do Norte, estão sem doses da vacina desenvolvida pelo Butantan. O governo do estado chegou a repassar 10 mil doses da reserva técnica aos municípios para garantir a aplicação, quase zerando o estoque. A quantidade, porém, não foi suficiente.

Mossoró, que suspendeu a vacinação no domingo, recebeu 840 doses dessa reserva. A prefeitura diz que seguiu as notas técnicas emitidas pelo governo do estado e pelo Ministério da Saúde e que as doses enviadas ao município vieram em menor quantidade a cada remessa.

O município também diz ter tido problemas com ampolas que deveriam conter 10 doses, mas vieram com apenas nove, sendo que apenas parte delas foi compensada com repasses.

No estado do Rio de Janeiro, ao menos sete cidades estão sem aplicar a segunda etapa da Coronavac -há doses suficientes, porém, para quem já havia recebido a AstraZeneca.

Na Baixada Fluminense, estão sem a vacina fabricada pelo Butantan as cidades de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Mesquita. No interior, foram afetados pela falta do imunizante Maricá, Mangaratiba, Duas Barras e Casimiro de Abreu. Na capital do estado, não houve interrupção.

De acordo com a Prefeitura de Maricá, há expectativa de que as doses da Coronavac voltem a ser distribuídas até meados de maio. “

A fabricação do imunizante pelo Instituto Butantan estava parada por falta do insumo concentrado que é produzido na China e enviado ao Brasil. Um novo lote chegou ao país neste domingo e já foi enviado ao instituto”, diz a nota de Maricá.

As demais cidades não deram um novo prazo para a retomada da campanha.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio informou que aguarda informações do Ministério da Saúde quanto à distribuição de uma nova remessa da Coronavac. Também é esperada da pasta orientação quanto às possibilidades da ampliação do intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda dose do imunizante.

No estado de São Paulo, Cajamar tem um déficit de 1.367 doses da Coronavac para completar o ciclo de imunização de pessoas que tomaram a primeira dose.

O município paulista alega que seguiu as diretrizes que recebeu, de não reservar as doses, para ampliar o público imunizado, e disse ter feito sucessivos pedidos de vacinas para concluir a vacinação, todos sem resposta. Há apenas doses da AstraZeneca disponíveis. A cidade parou a imunização nas pessoas de 64 anos.

Em Campo Grande (MS), capital com a maior taxa de leitos de UTI ocupados (98%), não há mais segunda dose desde domingo (25).

O estado tem vivido o pior período desde o início da pandemia. Um terço do total de mortes por Covid-19 no estado se concentrou entre março e abril.

O Recife anunciou nesta quarta-feira (27) o adiamento da aplicação da segunda dose da Coronavac para pessoas que estavam agendadas para o período entre 29 de abril e 9 de maio.

A aplicação está suspensa desde segunda-feira (26) e será retomada no dia 10 de maio. O intervalo entre a aplicação das duas doses foi ampliado de 21 para 28 dias.

Em Macapá, estão sendo imunizados contra a Covid-19 apenas profissionais da saúde (segunda dose) e comunidades quilombolas (primeira dose). Ambos os grupos, porém, só estão sendo imunizados porque há doses da vacina AstraZeneca.

A vacinação com a Coronavac está suspensa desde o último sábado (24), após pessoas de 69 anos receberem a segunda dose. Há moradores da capital do Amapá com idades entre 65 e 68 anos à espera da segunda dose, que não tem previsão para chegar, de acordo com a Secretaria da Saúde de Macapá.

A cidade de Lauro de Freitas, na Grande Salvador, anunciou nesta quarta-feira (27) a suspensão da aplicação da segunda dose da Coronavac por falta do imunizante. Ainda não há previsão de retomada da vacinação.

Por meio de nota, o Instituto Butantan diz que a aplicação da segunda dose é importante para completar a imunização, mesmo que o intervalo seja maior do que aquele recomendado na bula da vacina –ela indica intervalo de 14 a 28 dias entre as doses.

O instituto diz ainda que antecipou a entrega prevista para a próxima segunda-feira e que uma nova remessa com 600 mil doses será disponibilizada ao PNI (Programa Nacional de Imunização) já na sexta (30).

O Butantan explica também que a responsabilidade pela campanha de vacinação no país é do Ministério da Saúde, incluindo a logística de distribuição das vacinas aos estados.

“Há cerca de um mês se liberaram as segundas doses para que se aplicassem, e agora, em face do retardo dos insumos vindos da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa segunda dose. E, como esta semana não temos previsão de chegada de vacina do Butantan, só daqui a cerca de dez dias, vamos emitir uma nota técnica acerca desse tema”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, nesta segunda (26), ao falar sobre a oferta do imunizante.

Foto: Getty Images

Fonte: Notícias ao Minuto Brasil

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