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Coleção de vasos criada por ribeirinho do Amazonas é vencedora do Prêmio Casa Vogue e Design 2021

O artesão ribeirinho Manoel Garrido, que vive em uma comunidade na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro (AM), no Amazonas, é um dos vencedores do Prêmio Casa Vogue e Design 2021, com a coleção de vasos e bowls de madeiras intitulada “Tumbira”.

A coleção faz parte do projeto Amazonas Sustentável, correalizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Instituto A Gente Transforma (AGT), dos renomados arquitetos Marcelo Rosenbaum e Fernanda Marques, realizado em parceria com a Petrobras. Por conta da pandemia, Manoel receberá o troféu em casa. A cerimônia de premiação foi feita de forma online, nesta segunda-feira, dia 31 de maio, com divulgação pelas redes sociais da Casa Vogue e pelo site www.casavogue.com.br.

Ao todo, a coleção é formada por cinco vasos e três bowls, de 10 a 27 cm de altura, feitos com madeira Roxinho que foi retirada de forma sustentável da floresta, por meio de resíduos de madeira dos manejos florestais de pequena escala. O artesão responsável pela produção das peças contou que herdou da família o talento para esculpir madeira. Manoel é filho de um conhecido construtor de barcos da região e transformou a oficina que pertencia ao saudoso pai em uma marcenaria. Um dos grandes diferenciais do ateliê é um torno – máquina-ferramenta que permite dar forma – feito com motor de caminhão, uma invenção do próprio Manoel.

Manoel lembrou que o convite para produzir a coleção Tumbira foi feito pelos próprios arquitetos Marcelo e Fernanda, em uma visita à comunidade de reconhecimento e identificação do público alvo do Projeto. “Num dia comum, eles (Marcelo e Fernanda) estavam visitando a comunidade e souberam do meu trabalho. Pediram uma demonstração do que eu podia fazer, desenharam numa folha de caderno e deram os modelos. Depois disso, seguiram para outra comunidade e voltaram quatro dias depois. As peças já estavam prontas e foram do ‘agrado’ deles. A partir daí, eles lançaram logo o pedido de 54 peças, com o apoio do Projeto”, disse.

As formas fluídas e a cor vibrante dos vasos são algumas das características que tornam únicas as peças da coleção Tumbira. É resultado de um trabalho dedicado do artesão Manoel Garrido na madeira roxinho, também conhecida como amarante, coataquiçaua, pau-roxo, pau-mulato e roxinho-pororoca.

As peças estão sendo comercializadas em São Paulo, segundo informou o artesão, que concorreu com outros 54 finalistas da 5ª edição do Prêmio Casa Vogue Design, um dos mais importantes do Brasil, distribuídos em 11 categorias, entre bienais Cozinhas e Closets e Louças e Metais. Os vencedores foram escolhidos por um júri de experts e por meio de Voto Popular na internet.

Inspiração

O trabalho e os resultados de Manoel Garrido servem para inspirar outros artesãos do Projeto Amazonas Sustentável. A iniciativa incentiva a utilização de resíduos de madeira dos manejos florestais de pequena escala, que antes não tinham valor comercial, e transformá-los em produtos de origem florestal com valores agregados, em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1, 8, 12 e 13 – erradicação da pobreza; trabalho decente e crescimento econômico; consumo e produção responsáveis; e ação contra a mudança global do clima, respectivamente.

Coleção Tumbira

A ideia da coleção surgiu quando a arquiteta Fernanda Marques e o amigo Marcelo Rosenbaum, estavam visitando comunidades da RDS do Rio Negro. Conversando com algumas pessoas sobre artesanato, souberam do trabalho de Manoel. Foi assim que surgiu a oportunidade de integrar a parceria em colaboração com o Instituto A Gente Transforma, projeto de Rosenbaum que usa o design para expor a alma brasileira, um mergulho na cultura dos povos que formam o nosso país.

Projeto Amazonas Sustentável

Como faz parte do Projeto Amazonas Sustentável, o lucro gerado pela venda dos objetos retorna para a comunidade, representando uma nova e importante fonte de renda.

O projeto é uma parceria da FAS com a Petrobras que existe desde 2018, com o objetivo de valorização de estudantes e professores de comunidades ribeirinhas situadas em cinco unidades de conservação (UCs), no estado do Amazonas. Os eixos temáticos que contemplam o projeto são: educação, com foco na redução do desmatamento e da degradação florestal; conservação da biodiversidade; infraestrutura; comunicação; empreendedorismo e educação no campo. Dentro dessas temáticas, mais de seis mil pessoas já foram beneficiadas e sensibilizadas pelo projeto até agora.

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