MANAUS 22.01.19 - AS CRIANCAS MORADORAS DO PROSAMIM CAJUAL PARTICIPAM DO BUSAO CULTURAL, ASSISTIRAM PEÇAS DE FATOCHES E LEITURA. FOTO: TIAGO P. CORREA_SRMM

Claudia Hara Hashimoto

“Saudade” é uma palavra extremamente complexa, cheia de significado e muito difícil de traduzir do Português para outros idiomas devido a sua precisão e contexto cultural. Uma empresa britânica chamada Today Translations, que teve a colaboração de mais de mil tradutores profissionais, inclusive criou uma lista na qual constam as dez palavras mais difíceis de traduzir em todo o mundo e a saudade figurou na 7ª posição. A origem latina do termo brasileiro é fruto de uma transformação da palavra “solidão”, do latim solitatem, que com o passar dos anos sofreu variações de pronúncia e resultou na definição desse sentimento tão familiar e que dispensa muitas explicações. Fato é que nossa palavra saudade não está ligada somente às pessoas, mas também a lugares, tempos, situações, cheiros, sabores e tantas outras coisas que marcam a história de uma pessoa.

No dicionário, a palavra ‘saudade’ é descrita como “uma sensação de incompletude, ligada à privação de pessoas, experiências, prazeres já vividos e vistos, que ainda são um bem desejável”. O termo que tem um sentido próprio para cada um de nós ainda é uma exclusividade da nossa língua, mas representa um sentimento universal. No dia 30 de janeiro foi comemorado o Dia da Saudade, uma data especial para se lembrar de quem se sente falta, de algum bom momento ou de um tempo que não volta mais. Seja por perda ou mudança, esse sentimento, que requer muita inteligência emocional para adultos, pode ser especialmente desafiador quando se trata da vida de crianças e jovens.

Engana-se quem acha que o mundo infanto-juvenil é só alegria e divertimento, já que a vida dos estudantes também é repleta de transformações: mudanças de situação familiar, de endereço, de escola ou de turma; de pessoas que vêm e vão; de animais de estimação que se vão cedo demais e muitos outros tipos ou ocasiões de perdas. Quem não se recorda, por exemplo, dos amigos da infância, das brincadeiras, da primeira professora, dos passeios do colégio? Todas são recordações que nos transportam de um tempo a outro em segundos, mesmo para quem ainda não viveu muito, e isso é fruto da saudade.

Quando uma criança ou adolescente não está lidando bem com a saudade, cabe aos pais e educadores oferecerem recursos emocionais para eles entendam melhor o que estão passando, assim como as perdas e reviravoltas da vida. Não há vergonha em precisar de ajuda de um psicólogo para isso. Nossos filhos precisam entender e se sentirem seguros em expressar suas emoções naturais de maneira apropriada à sua idade para que possamos desenvolver respostas saudáveis às situações de desapego, de valor humano e de amor.

O enfrentamento da perda e da saudade possibilita o crescimento pessoal e ajudar os mais novos a lidar com esses sentimentos dolorosos faz parte do amadurecimento, seja como resultado de transições rotineiras, como adaptar um novo bebê na família ou lidar com a mudança de cidade de um ente querido, seja em situações mais delicadas, como o falecimento de uma pessoa da família. Nossa primeira responsabilidade é refletir como estamos emocionalmente. Para fazer isso devemos examinar nossas mentes e corações, refletindo sobre as experiências vividas em relação a esse sentimento.

Como ele foi tratado em nossas próprias famílias quando crescemos? Quais tipos de perdas foram vivenciadas na escola e locais de culto que frequentamos? O que fizemos a respeito dessas mudanças em nossas vidas e o que aprendemos com elas? Se fizermos isso corretamente estaremos aptos a oferecer boas respostas às crianças e jovens. Caso contrário, poderemos ficar muito vulneráveis e entorpecidos com a dor delas, tentando impedi-las de mostrar para nós o que sentem, ou nos identificando demais com a dor e perdendo a sensação apropriada de limite.

Em conclusão, sugiro perguntar o que faremos com o presente ou futuro a partir de agora? Digo que em vez de pararmos na dor, devemos agradecer pelo que vivemos. Só sentimos saudades do que é bom e devemos sempre agradecer por aquilo que nos fez bem em algum momento. Por exemplo, tenho saudades de um familiar que já partiu para a eternidade, mas sempre que me recordo de sua presença, a gratidão por ter vivido ao lado dele é maior que o sentimento de vazio que sua morte deixou. Então, sinto saudades por sua perda sim, e muita. Mas hoje sou grata, e isso me faz seguir em frente de coração aberto à vida, fortalecida com as experiências adquiridas e memórias construídas.

*Claudia Hara Hashimoto, coordenadora do Ensino Fundamental do Colégio Marista Maringá

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