Em virtude de várias denúncias apontando graves erros na janela de libras das propagandas eleitorais do Amazonas, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped) promoveu o encontro na manhã desta sexta-feira (21/09), dos representantes das associações dos surdos do Amazonas com a juíza da Comissão de Fiscalização da Propaganda Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), Anagali Bertazzo, e a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conede), Nancy Segadilha.

Entre os principais problemas citados durante a reunião estão: a falta de padronização, tradução sem sentido, omissão de gestos, movimentos muito rápidos, cor de fundo da janela de libras errada e falta de domínio dos intérpretes na linguagem de sinais.

“A comunidade surda tem reclamado sobre isso. Algumas vezes não dá para entender. Alguns sinais parecem que estão errados. Nós estamos preocupados. Não queremos que isso se repita em 2020. Têm intérpretes inventando sinais. Nós surdos nos sentimos menosprezados. É uma falta de respeito”, reclama Cézar Augusto, vice-presidente da Associação dos Surdos de Manaus (Asman).

Articulada pela Seped, a reunião teve como objetivo garantir a acessibilidade das pessoas com deficiência auditiva à plena participação ao pleito 2018 e corrigir erros para as eleições de 2020. “Nós recebemos o clamor deles, para que essa interpretação de libras fosse feita de forma correta. Após a reunião, vamos alinhar a melhor maneira de solucionar o problema. O que não der para fazer ainda nessa eleição, daqui dois anos teremos outra para poder ajustar”, explica a secretária da Seped, Nelcicléia Dantas.

Segundo a juíza do TRE é importante que essa denúncia seja feita por escrito para solucionar o problema. “É importante esse feedback de vocês, porque nós do TRE não temos como fazer uma avaliação prévia desse material que vai ao ar. Nós só podemos saber se a informação não está chegando de maneira correta se nos reportarem. Acredito que o próprio candidato tenha interesse que a mensagem seja passada de forma correta para alcançar o maior número de eleitores”, explica a juíza.

Ainda de acordo com Bertazzo, foi encaminhada uma recomendação aos partidos e coligações para que o serviço fosse oferecido com qualidade, para que o eleitor da comunidade surda consiga decidir quem vai ser seu candidato. “Se essas informações não estão sendo repassadas corretamente, nós vamos comunicar o Ministério Público Eleitoral para que adote as providências que entender pertinentes em relação a isso. Entre as penalidades que podem ocorrer está a suspensão da propaganda do candidato e aplicação de multa”.

A Seped colocou a disposição das associações o departamento de assessoramento jurídico, que é um dos novos serviços oferecidos pelo órgão, para que eles possam elaborar o documento a ser apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, com as devidas denúncias.

São aproximadamente 150 mil pessoas surdas no Amazonas, que vão às urnas nessas eleições.

FOTO: AGUILLAR ABECASSIS/SECOM

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