Estudo mostra que um verificador de sintomas on-line popular estava incorreto em 74% das vezes ao avaliar a gravidade dos sintomas oculares

Em 2015, o BMJ (British Medical Journal) fez uma auditoria completa dos verificadores de sintomas on-line. Descobriu-se que, em média, os sites listavam o diagnóstico correto, em primeiro lugar, em apenas um terço dos casos.

Agora, Carl Shen, da Universidade McMaster, no Canadá, liderou uma equipe de pesquisadores, em um estudo de pequena escala, que analisou especificamente a saúde dos olhos e os verificadores de sintomas on-line. O pesquisador obteve resultados igualmente preocupantes: os diagnósticos corretos surgiram, em primeiro lugar, em apenas um quarto dos casos.

O estudo que examinou os diagnósticos gerados pelo WebMD Symptom Checker mostrou que a ferramenta on-line estava correta em apenas 26% dos casos. E que a recomendação para o diagnóstico principal era muitas vezes inadequada, por vezes, o site recomendava autocuidados, em casa, ao invés de uma ida ao pronto-socorro.

“A pesquisa, apresentada, durante a AAO 2018, 122ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia, sugere que os verificadores de sintomas relacionados à Oftalmologia têm uma limitação inerente porque a maioria das doenças e condições oculares exigem um exame presencial do paciente”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Carl Shen decidiu conduzir o estudo com seus pacientes, que, muitas vezes, chegavam às consultas com um autodiagnostico incorreto ou noções preconcebidas sobre sua condição. Seu objetivo central foi o de ajudar os pacientes a interpretar corretamente as informações sobre saúde ocular que encontram on-line.

Para conduzir o estudo, tanto profissionais médicos, quanto não médicos, inseriram 42 cenários clínicos no site WebMD Symptom Checker. Os resultados foram então comparados com o diagnóstico conhecido. O diagnóstico apresentado pelo site estava correto em apenas 26% dos casos. Embora o diagnóstico correto tenha aparecido nos três primeiros resultados, em 40% das vezes, isso não foi verdade em 43% dos casos.

A avaliação da gravidade dos sintomas também estava frequentemente incorreta. Em 14 de 17 casos, o verificador de sintomas on-line fez recomendações incorretas sobre o que o paciente deveria fazer em seguida: autocuidados em casa ou tratamento imediato no pronto-socorro.

Embora o WebMD possa chegar ao diagnóstico clínico correto, uma proporção significativa de diagnósticos oftalmológicos comuns não é capturada, concluiu o autor do estudo.

“Às vezes, fazer pesquisas on-line pode ser útil para identificar possíveis condições, e é bom ser um paciente informado. Mas também é verdade que, muitas vezes, esses verificadores de sintomas on-line não chegam ao diagnóstico correto. E a recomendação errada sobre o que fazer com esse diagnóstico pode ser perigosa. A tecnologia usada nesses verificadores de sintomas on-line ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de precisão”, informa o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO.

Com mais pacientes chegando ao consultório médico pesquisando seus próprios sintomas, “é importante que os oftalmologistas estejam cientes das limitações das ferramentas on-line disponíveis sobre a informação em saúde ocular. É importante conversar com o paciente e conscientizá-lo que não existe diagnóstico ocular que possa ser feito pelo Dr. Google”, defende Eduardo de Lucca.

“A robotização, com a utilização da inteligência artificial, baseada em milhares de informações sobre determinadas doenças, parece ter um futuro promissor não somente no diagnóstico, como nas opções de tratamento.Esta é uma tendência da Medicina e da Oftalmologia a qual devemos estar atentos”, declara Virgílio Centurion.