A Criptorquidia, condição em que o indivíduo nasce com os testículos fora da bolsa escrotal (testículo não descido), é mais comum do que se pensa e, se não corrigida a tempo, pode causar problemas futuros, como a redução na produção de hormônios e espermatozoides. “As consequências podem ir de dores e processos inflamatórios constantes, à infertilidade, desenvolvimento de hérnias inguino-escrotais e câncer de testículo, já que essa alteração potencializa em seis vezes as chances de se desenvolver esse tipo de neoplasia maligna”, destaca o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Dr. Giuseppe Figliuolo.

Problema mais comum em bebês prematuros, estima-se que a anormalidade some 150 mil novos casos/ano no País. Ela pode ocorrer de forma unilateral (em apenas um dos dois testículos) ou bilateral (em ambos) e é, geralmente, notada já nos primeiros meses de vida. Especialistas asseguram que é importante corrigi-la nos primeiros anos da criança, evitando transtornos na adolescência e na fase adulta.

“Na fase em que há a formação do indivíduo e ele é apenas um embrião, os testículos se formam perto dos rins, no retroperitônio, dentro do abdome. No último trimestre, migra para a bolsa testicular, onde tem um ambiente saudável para produzir hormônios e espermatozoides, com a temperatura adequada. Há casos em que os testículos permanecem na região interna abdominal e, em outras situações, ele fica fora da bolsa, sujeito a lesões, etc”, explicou Figliuolo, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

O diagnóstico pode ser feito por pediatras, durante consultas de rotina, ou, por urologistas, mediante encaminhamento ou procura espontânea. “As gônadas masculinas, que fazem parte do sistema endócrino e são responsáveis pela produção de hormônios no homem, em especial, o testosterona, ficam comprometidas com a Criptorquidia. O mesmo ocorre com as células germinativas,”, ressaltou.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para a anomalia são: nascimento prematuro, problemas hormonais, Síndrome de Down, baixo peso do bebê, hérnias no local de passagem dos testículos do abdome para o escroto e contato com substâncias tóxicas.

Apesar de não haver métodos 100% eficazes de prevenção, recomenda-se às mães que não consumam álcool, cigarro e substâncias químicas durante a gravidez. O diabetes gestacional e a obesidade também podem aumentar as chances de o bebê nascer com essa condição.

Giuseppe Figliuolo destaca que o primeiro passo para um tratamento eficaz é identificar, através de avaliação clínica e, se necessário, de exames de apoio ao diagnóstico, em qual local os testículos se alojaram. Em seguida, a correção cirúrgica pode ser a melhor alternativa. “Fazemos uma observação para o caso dos recém-nascidos, que podem apresentar Criptorquidia. O tratamento só é indicado após alguns meses, se os testículos não migrarem para a bolsa naturalmente, sem a interferência médica”, frisou.