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Cuidados Paliativos na FCecon trabalham qualidade de vida dos pacientes e familiares

“Quando você não tem condições de dar um tratamento curativo, a qualidade de vida remanescente desse doente se sobrepõe”. A afirmação é da médica anestesiologista e paliativista, gerente e fundadora do Serviço de Terapia da Dor de Cuidados Paliativos da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Mirlane Cardoso, setor responsável por atender nas enfermarias, em consultórios e nas casas de pessoas com câncer avançado que não têm mais chances clínicas de cura.

O cuidado paliativo está associado ao cuidado destinado a pessoas com quadros de incurabilidade, doenças que ameaçam a vida, baseado em princípios que envolvem tanto a questão ética quanto moral, segundo Cardoso.

Presentes na Fundação Cecon desde 1997, hoje os Cuidados Paliativos têm enfermaria com dez leitos, Ambulatório de Dor, Ambulatório Multiprofissional, Ambulatório de Triagem, Ambulatório Pós-Luto, que está sendo implantado, e o atendimento domiciliar.

De segunda a sexta-feira, são atendidos diariamente de 20 a 28 pacientes somente no Ambulatório de Dor, com consultas com os anestesistas especializados no tratamento da dor na Fundação, responsáveis pelo controle efetivo dos sintomas desconfortantes que a doença avançada traz.

Mas o tratamento aborda também, com a mesma importância, outras dimensões, como o sofrimento e as questões espirituais, sociais, emocionais e psicológicas. Para isso, a assistência deve ser dada por uma equipe de profissionais com expertise específica trabalhando de forma interdisciplinar. Além dos dois anestesistas com área de atuação em Dor, há no setor médicos clínicos, psicólogos, capelã, fisioterapeuta, assistente social, enfermeiro e técnicos de enfermagem, médicos residentes e voluntários.

A assistência em cuidados paliativos se baseia em uma comunicação efetiva entre equipe, paciente e familiares cuidadores, identificando as necessidades e o controle efetivo dos sintomas desconfortáveis, como dor, dispneia, delirium, fadiga, falta de apetite, entre outros.

“O tratamento de cuidados paliativos não acelera a morte, não posterga a morte. Ele propicia uma vida ativa, com os sintomas controlados, com uma qualidade de vida remanescente até o último dia de vida”, destaca Mirlane Cardoso.

Visitas em casa – Outra forma de atendimento que a FCecon oferta são as visitas domiciliares, serviço oferecido desde 1997. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prioriza, além da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer, o suporte para prevenir o sofrimento, ou seja, o cuidado paliativo.

Uma equipe multiprofissional visita os pacientes trabalhando não somente as questões clínicas, mas também psicológicas, espirituais, sociais e emocionais. “Eles (pacientes) querem alguém que olhe, que toque, alguém que se aproxime. Nesse sentido a visita é muito bem recebida”, diz Cardoso.

Em 2018, foram cerca de 1.500 visitas domiciliares. E, em 2019, até outubro, já foram realizadas quase mil visitas. Atualmente 76 pacientes recebem acompanhamento em visita domiciliar em Manaus e no entorno, como a população ribeirinha.

Os pacientes passam a receber a visita domiciliar após indicação dos médicos da Fundação Cecon, seguindo critérios como dificuldade de mobilidade, como fraturas e pacientes em estado de desnutrição.

Acompanhamento familiar – Os cuidados paliativos são destinados não só à pessoa que está doente, mas à família. Como é o caso da família de Maria Raimunda Leite, de 75 anos, paciente que tinha câncer no reto e se tratou na Fundação Cecon entre 2018 e 2019.

Dona Raimunda faleceu no último mês de agosto, após mais de um ano lutando contra a doença. Uma das filhas dela, a psicóloga Luciene Leite, 36, conta que, durante o tratamento, o acompanhamento dos profissionais da FCecon com a família foi importante.

“Esse tratamento psicológico foi muito importante, foi como se fôssemos mesmo preparados para o luto. É muito importante ser trabalhada essa parte emocional, a gente chega a ter um alívio. Inclusive podemos ainda ser atendidos depois dessa outra fase, desse estágio do luto, que é muito recente”, afirma Luciene, destacando que a família foi bem orientada em todos os processos, com informações esclarecidas.

Agradecimento – A família resolveu fazer uma carta agradecendo pelos serviços que dona Raimunda recebeu e que os familiares ainda recebem na Fundação Cecon. Na carta, a Família Leite agradece aos setores de quimioterapia, radioterapia, fisioterapia, laboratório, psicologia, exames de imagem e em especial aos Cuidados Paliativos, citando nomes de médicos, enfermeiros e psicólogos.

“Que vocês possam continuar agindo com amor diante dos mais necessitados e que Deus abençoe a cada um de vocês por tudo que fizeram pela nossa querida e amada Maria Raimunda Leite”, diz a carta assinada pela Família Leite.

Meu cuidado, meu direito – No último dia 12 de outubro, foi comemorado o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, com o tema “Meu Cuidado. Meu direito”.

FOTO: Divulgação/FCecon

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