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Curso técnico em Enfermagem para Indígenas do Cetam é pioneiro na capital

O Governo do Estado, por meio do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), está fazendo a diferença na vida de 30 alunos de descendência indígena. Eles integram a primeira turma, na capital, do curso técnico em Enfermagem para Indígenas. As aulas acontecem na Escola de Formação Profissional Enfermeira Sanitarista Francisca Saavedra, unidade do Cetam em Manaus.

A turma realizou visita técnica às dependências da Fundação de Hemoterapia e Hematologia do Amazonas (FHemoam) e, atenta, não perdeu nenhuma explicação do professor Theomário Theotônio, subgerente do Centro de Processamento Celular da instituição. Ele recepcionou os alunos e ensinou, na prática, o que eles já sabem, na teoria, a respeito de Imunologia.

“Expliquei sobre o ciclo do sangue, que envolve a coleta, processamento, armazenamento e distribuição de hemocomponentes”, disse Theomário, satisfeito com o nível de interesse dos futuros técnicos em Enfermagem. Ele informou que pôde observar que todos estavam muito atentos. “A intenção da maioria é ajudar seu povo com o conhecimento adquirido no curso. Eles têm mais abertura na aldeia, conhecem a cultura e só irão somar.”

José Augusto Souza da Silva é o coordenador do curso. De acordo com ele, o Cetam está sendo pioneiro ao oferecer o Técnico em Enfermagem e também se destaca pelo trabalho de inclusão. “Esses alunos fazem parte de uma minoria e é importante que tenham contato com o conhecimento do povo ‘branco’. Até porque a formação ofertada pelo Governo do Estado não é para conflitar com suas tradições. Eles precisam conhecer outras realidades. Nosso trabalho é focado na aprendizagem”, ressalta.

Conforme o diretor do Saavedra, professor Salatiel Gomes, o curso foi um pedido das lideranças indígenas e apresenta-se como inovador no cenário nacional, atendendo à política de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. “O Cetam preocupa-se em gerar oportunidades para as populações indígenas. O planejamento do curso é diferenciado e tem a interculturalidade como princípio pedagógico central”, explica, complementando que o curso é uma estratégia que possibilita a incorporação dos conhecimentos técnicos ocidentais e que dialoga com as práticas culturais próprias dos povos indígenas.

Futuros enfermeiros querem ajudar parentes

Alunos de 12 etnias estão fazendo o curso oferecido pelo Cetam. Valdivino Marinho Moraes, 45, é um deles. Natural de Tefé, município distante 521 quilômetros de Manaus, ele é índio Kokama. Há sete anos mora em Manaus com a esposa, também indígena, e os dois vivem da venda de artesanato confeccionado por ambos.

“Fiz cursos de informática e manutenção em ar condicionado. Mas sempre gostei da área da saúde”, conta Valdivino, acrescentando que em 2011 passou no vestibular para a faculdade de Odontologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). “Cursei cinco períodos, mas não consegui seguir adiante por falta de condições financeiras.”

Valdivino, que é o primeiro cacique da aldeia Karuara, diz que seus planos são voltar a conviver com seu povo e ajudá-lo. “Tenho orgulho de ser índio e quero ajudar meus parentes a manter suas tradições, incentivá-los a falar sua língua. E essa oportunidade que o Cetam está nos dando, de fazermos esse curso de Enfermagem, é única! Temos que aproveitar.”

A liderança Marigilda Melgueiro, 46, é colega de curso do cacique. Natural de Cucuí, no município de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus), hoje mora no Parque das Tribos, Tarumã, zona oeste de Manaus. Há nove anos ela trabalha como agente de saúde na comunidade Nossa Senhora de Fátima, no Tarumã-Mirim. É mãe de quatro filhos e não esconde sua felicidade por poder fazer um curso que lhe dará muito conhecimento na área.

“Era a chance que eu precisava para crescer profissionalmente. Sempre pensei em fazer Enfermagem. Agora poderei atuar na minha comunidade, onde vivem 600 famílias de mais de 37 etnias”, informa a agente de saúde, que aproveitou para incentivar dois filhos a também fazerem o curso. André Alef e Alisson Rodrigo, de 25 e 23 anos, respectivamente, são colegas de turma da mãe e afirmam estar adorando a nova experiência proporcionada pelo Cetam.

FOTO: Gabriel Oda

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