7.900 km² de vegetação foram destruídos ao total, pior resultado dos últimos 10 anos, cerca de 1,18 bilhão de árvores

O desmatamento na Amazônia Brasileira registrou um aumento de 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento da cobertura nativa da maior floresta tropical do planeta. Mesmo com o aumento no número de autuações e apreensões no mesmo período, o Brasil perdeu, nesse último ano, uma área total de 7.900 km², o equivalente a 1,185 bilhão de árvores aproximadamente, considerando 1500 árvores por hectare. Representa, ainda, 987.500 campos de futebol ou 5,2 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

“Os números da destruição, que já eram altos e inaceitáveis, ficaram ainda piores. Grande parte das respostas para esse aumento estão em Brasília. É do centro do poder que parte o estímulo constante ao crime ambiental nos rincões da Amazônia”, afirma Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

A bancada ruralista, com apoio de parte do governo, vêm apresentando uma série de propostas que terão impacto direto na proteção das florestas, seus povos e do clima do planeta: Lei da Grilagem, flexibilização do licenciamento ambiental no Brasil, ataque aos direitos indígenas e quilombolas, adiamentos do Cadastro Ambiental Rural (CAR), tentativas de redução de áreas protegidas e paralisação das demarcações de Terras Indígenas, entre outras.

“Esse conjunto de propostas beneficia quem vive de desmatar a floresta, grilar terras e roubar o patrimônio natural dos brasileiros. As consequências estão traduzidas agora nos números da destruição da Amazônia”, afirma Astrini.

Se nada for feito para refrear o desmatamento, coloca em risco, inclusive, a contribuição do país para o Acordo de Paris. “A depender do governo Jair Bolsonaro, as previsões para a Amazônia (e para o clima) não são boas. Tudo o que funcionou no combate à destruição florestal está sob ameaça. Ele pretende liberar a exploração de Terras Indígenas e Unidades de Conservação e enfraquecer o poder de fiscalização do Ibama. Se concretizadas, essas propostas levarão a uma explosão da violência no campo e colocarão em risco a esperança climática do planeta”, declara.

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