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Dia Mundial da Saúde: É preciso cuidar das pessoas, das comunidades e da terra

No Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, agricultores familiares, indígenas e quilombolas mostram que é possível produzir riqueza e cuidar da saúde das pessoas, das comunidades e da Terra

Promover saúde é cuidar das pessoas, das comunidades e dos ecossistemas do planeta Terra. Esta é a mensagem do projeto ArticulaFito – Cadeias de Valor em Plantas Medicinais no Dia Mundial da Saúde, 7 de abril. A iniciativa, fruto de parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apoia a estruturação de 26 cadeias de valor em plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias, presentes nos biomas Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica e Cerrado, nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do país.

“Agricultores familiares e povos tradicionais, como indígenas e quilombolas, mostram que é possível produzir riqueza e, ao mesmo tempo, cuidado à saúde das pessoas, das comunidades e da Terra. As 26 cadeias de valor mapeadas pelo ArticulaFito produzem chás, colírios, repelentes, hidratantes, azeites culinários e outros itens a partir de espécies vegetais da flora brasileira. Além de gerar emprego e renda, preservam o ambiente, as tradições, promovem equidade de gênero e contribuem com a redução das desigualdades sociais e o desenvolvimento sustentável. Tudo isso é promover saúde”, apresenta a coordenadora técnica e executiva do ArticulaFito, Joseane Carvalho Costa, que é pesquisadora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

Colírio para glaucoma

Vem da floresta amazônica a matéria-prima para a produção do colírio para tratamento do glaucoma – doença degenerativa que é considerada a segunda maior causa de cegueira pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É das folhas de jaborandi coletadas pela Cooperativa dos Extrativistas da Floresta Nacional de Carajás (Coex Carajás), em Parauapebas, sudeste do Pará, que se extrai a pilocarpina utilizada na produção do medicamento comercializado internacionalmente. A presidente da Coex Carajás, Ana Paula Ferreira, ressalta que o processo de produção do colírio para tratamento do glaucoma é baseado no conhecimento tradicional indígena sobre os benefícios do jaborandi. “O Brasil e todo o mundo precisam valorizar a riqueza do conhecimento tradicional indígena. Os indígenas são os doutores da floresta e é a partir de sua sabedoria que este colírio pode ser produzido, hoje, por uma indústria multinacional”, defende.

Povos tradicionais

A cadeia de valor da amêndoa de castanha do Pará é outro exemplo de como o tripé saúde das pessoas, das comunidades e do planeta funciona na prática. A produção extrativista sustentável realizada pela etnia indígena Akratikatêjê já alcança o mercado internacional: a castanha do Pará produzida na Terra Indígena Mãe Maria-Pará (PA) está à venda em, pelo menos, 18 supermercados nos Estados Unidos. E novas oportunidades estão se abrindo na Ásia.

“A castanha do Pará faz parte de nossa cultura indígena. É um alimento rico e, também, remédio e presente, símbolo de saúde, alegria e prosperidade. Ela está em nossa farmácia. Fortalece o organismo e ajuda a memória. Com esse trabalho também geramos renda para a comunidade, autonomia para as mulheres e aproximamos os jovens de nossa cultura, contribuindo para preservar nossas tradições”, resume Kátia Silene Akratikatêjê, primeira mulher a assumir o posto de cacica de sua aldeia, hoje à frente da produção de castanha do Pará.

Na Ilha de Marajó (PA), o quilombola José Luis de Souza, da comunidade Salvaterra, também promove o manejo sustentável de recursos naturais e combina o compromisso com a educação ambiental aos saberes ancestrais de seu povo. Desde os 12 anos, o quilombola, hoje com 28, atua na produção do óleo do tucumã e de produtos alimentícios a partir do bacuri – ambas cadeias de valor mapeadas pelo ArticulaFito.

“Nosso trabalho com o tucumã e o bacuri faz parte de nossa ancestralidade. É um conhecimento que vem sendo passado de geração para geração. E, para que possa continuar vivo, precisamos ensinar aos mais novos como produzir de forma sustentável, cuidando da natureza. Hoje todo o processo é feito a partir de técnicas de conservação. Aproveitamos tudo o que os frutos podem oferecer e, depois da coleta, tratamos do reflorestamento”, explica José Luis.

Agricultura familiar

Agricultores familiares também estão à frente das cadeias de valor em plantas medicinais, aromáticas, alimentícias e condimentares mapeadas pelo ArticulaFito. Calêndula, espinheira-santa, arnica, jambu, hortelã, guaco e capim cidreira são algumas das espécies cultivadas por famílias brasileiras em quintais ou roças comunitárias com potencial para acessar os chamados mercados diferenciados, que valorizam os atributos socioambientais desses produtos.

“Estamos trabalhando para adequar esses produtos às boas práticas de cultivo e manejo e às exigências regulatórias, para que possam acessar com segurança mercados locais, nacionais e internacionais. Para isso, promovemos uma série de capacitações, que estão disponíveis em acesso aberto em nosso canal no YouTube: youtube.com/articulafito”, informa Joseane.

Conheça as Cadeias de Valor em Plantas Medicinais mapeadas pelo ArticulaFito:

Fitoterapia: extrato seco e chá medicinal de calêndula; extrato seco e chá medicinal de espinheira santa; chá medicinal de guaco; produtos tradicionais de capim cidreira; pó de carapiá; semente de umburana; chá de cavalinha; pílula artesanal de babosa; chá medicinal de hortelã; semente de sucupira; extrato de pilocarpina das folhas de jaborandi

Cosméticos: vagem de fava d’anta; extrato de melão de São Caetano; extrato de arnica; cera de carnaúba; óleo e sabonete de copaíba; óleo de andiroba; óleo de pracaxi; repelente de andiroba; óleo e cosméticos de buriti; manteiga de tucumã e óleo do bicho do tucumã

Alimentos: óleo de macaúba; óleo extravirgem e farinha de babaçu; amêndoas de castanha do Pará; jambu in natura e cachaça de jambu; bacuri in natura, polpa, semente e casca e manteiga de bacuri.

Foto: Acervo pessoal

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