Dia Mundial do Coração e a necessidade de atenção paras as arritmias cardíacas

No próximo dia 29 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Coração, em que entidades de saúde fomentam informações de alerta sobre os principais fatores de desenvolvimento para as doenças cardiovasculares, suas consequências, bem como medidas de prevenção e tratamento. Dentre as doenças do coração mais comuns estão as arritmias cardíacas, que atingem mais de 20 milhões de brasileiros e geram mais de 300 mil mortes súbitas ao ano no país, segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).

De acordo com o Dr. José Carlos Moura, presidente da SOBRAC, os números de ocorrências da doença e de mortes geradas por ela dão a dimensão de sua importância e a necessidade de disseminar informação para a população leiga. “Ajudar na identificação de alguns dos sintomas mais prevalentes para que as pessoas busquem ajuda médica em tempo é condição simples e essencial para a reversão das estatísticas de mortes e mesmo da má qualidade de vida em torno das arritmias”, relata o médico.

As arritmias cardíacas são provocadas por distúrbios na formação e na condução do impulso elétrico do coração que em vez de se formar no nó sinusal tem origem em outras estruturas do coração, fazendo com que ele bata mais acelerado (taquicardia) ou mais devagar (braquicardia).

Sintomas

Embora possam variar de pessoas para pessoa e em algumas elas possam até não serem sintomáticas, em geral as arritmias cardíacas provocam sensação de cansaço constante, mesmo quando a pessoa não está em atividade intensa; palpitações no peito, tonteira e desmaios repentinos. Estes são sinais importantes e indicam a necessidade de procurar a avaliação de um arritmologista, cardiologista especializado em arritmias cardíacas.

“Junto destes sintomas, a pessoa também pode realizar um teste simples de medição do próprio pulso ao longo do dia para conferir os batimentos cardíacos, que devem estar entre 50pbm e 100bpm quando a pessoa está em repouso”, indica Dr. Moura.

A medição da frequência cardíaca é feita por meio da colocação dos dedos indicador e médio sobre a parte interna do pulso (sobre a veia), contando a pulsação por 15 segundos. O valor obtido deve ser multiplicado por 4. Exemplo: 18 pbm em 15 seg x 4 = 72 bpm.

Importante observar se a pulsação está na mesma frequência (ritmo) o tempo todo.

Dentre as arritmias cardíacas mais frequentes está a Fibrilação Atrial, caracterizada pelo ritmo de batimentos rápidos e irregulares dos átrios do coração, com incidência igual ou superior a 2,5% da população mundial. A principal (e pior) consequência da Fibrilação Atrial é o aumento do risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. Essa arritmia cardíaca está cada vez mais associada ao avanço da idade, acometendo em grande parte a população idosa, na faixa dos 75 a 80 anos de idade, mas também pode acometer jovens. A estimativa é que de 5 a 10% dos brasileiros terão esse tipo de arritmia nos próximos anos. A doença também é responsável por 20% do total de AVCs isquêmicos em todo mundo.

A maioria das vítimas de parada cardíaca é constituída por pessoas ativas que enfrentam normalmente seu dia a dia e que de repente, por estresse ou outra razão qualquer, sofrem um mal súbito. A incidência maior é para homens (60%), sendo as arritmias cardíacas responsáveis por 90% dos casos, conforme estudo encomendado por entidade médicas, em 2009, entre elas as SOBRAC, com base em dados oficiais do Ministério da Saúde.

Coração

O coração é um músculo constituído por duas cavidades situadas na câmara superior, chamadas de átrios, e duas na inferior, os ventrículos. O órgão tem como função primordial bombear o sangue, oxigenado pelos pulmões, e os nutrientes para todas as células do corpo. Quem regula a atividade de “bombeamento” é o sistema elétrico do coração, conhecido como nó sinusal ou nó sinoatrial, que se localiza no átrio direito, junto à veia cava superior. A emissão dessa eletricidade ocorre a partir de um conjunto de células que gera o estímulo elétrico no átrio direito, de forma espontânea e ininterrupta, para o átrio esquerdo. Assim, os átrios se contraem e, ao se expandir, impulsionam o sangue para os ventrículos.

Arritmias Cardíacas: Mitos e Verdades:
www.sobrac.org/campanha/arritmias-cardiacas-mitos-e-verdades/