Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje no Brasil vivem mais de 30 milhões de idosos, o que representa 13,5% da população e a previsão é de que em 2050, eles deverão representar 29,3% da parcela populacional. Esse aumento certamente se deve ao avanço da medicina e, por isso, é importante que estejamos cada dia mais engajados para promover a qualidade de vida desses indivíduos. Para Irene Marchesan, fonoaudióloga especialista também nos cuidados com os idosos, “muito além de propiciar o acesso a saúde básica, é necessário gerar mais qualidade de vida, pois esses idosos são diferentes, querem e continuam ativos, trabalhando e socializando nos seus mais diferentes meios. Por isso, falar e ouvir bem são alguns dos aspectos que precisamos cuidar, especialmente porque eles sofrem alterações físicas naturais, com o tempo”.

Além das funções básicas, outra como a mastigação, e até mesmo aspectos decorrentes de doenças degenerativas ou adquiridas ao longo dos anos, também podem ser afetadas. Em todas elas o fonoaudiólogo pode atuar desde a prevenção até o tratamento, trabalhando muitas vezes em equipes multidisciplinares, para potencializar o sucesso e reabilitação desse idoso.
Para entender melhor em quais casos a Fonoaudiologia pode colaborar para um envelhecimento saudável, Marchesan indica abaixo 4 situações bem comuns nessa etapa da vida:

A voz: Cientificamente nomeado presbiofonia, o envelhecimento da voz é uma resposta natural do organismo devido ao desgaste das estruturas responsáveis, causando rouquidão e até baixa na sua intensidade, no entanto, se observada, ela pode e deve ser tratada com ajuda de um fonoaudiólogo, que promoverá em terapia, exercícios que fortalecem e ajudam a melhorar as estruturas afetadas.

“O quê?” “Como? ”: A presbiacusia é o distúrbio que causa a dificuldade em entender o que é dito para o indivíduo e com o envelhecimento, a possibilidade de isolamento social devido a essa disfunção é comum. Essa alteração deve ser diagnosticada por um médico e tratada junto com o fonoaudiólogo. Alguns casos requerem o uso de aparelhos auditivos e outros precisam de terapia e exercícios contínuos. Afinal, ouvir e entender, são importantes para continuarmos ativos.

Mastigar e engolir bem os alimentos: a disfagia, apesar de não ser uma disfunção exclusiva da terceira idade, também acomete essa população, normalmente causada pela baixa produção de saliva pelo organismo, o que interfere na constituição do bolo alimentar e na deglutição do alimento, levando o idoso a ter dificuldades para engolir, engasgando mais vezes que o comum e até a mastigar com barulhos. Além das alterações naturais, nessa fase algumas doenças degenerativas e outras podem também levar o idoso a necessitar de alguns cuidados nessa área.

O fonoaudiólogo atuará nesses casos com terapia e exercícios específicos para a coordenação entre respiração, mastigação e deglutição, além de orientar sobre a forma e alimentos corretos que devem ser ingeridos por cada paciente.

Cuidando da face e da boca: os músculos e estruturas dessas regiões sofrem algumas modificações com o tempo, como perda de dentes, atrofias musculares e até com a má colocação de uma prótese dentária, que podem afetar a projeção da voz, a fala e a mastigação. Além disso, essas disfunções podem interferir principalmente na alimentação do idoso, que pode acarretar no desequilíbrio do organismo, prejudicando a saúde como um todo. Essas são disfunções que também podem contar com a reabilitação junto ao fonoaudiólogo, especializado nessa área.

Quem já chegou nessa fase da vida, além dos familiares e cuidadores, deve estar atento aos sintomas que sinalizam qualquer distúrbio que esteja atrapalhando ou desmotivando a continuidade das atividades que lhe são prazerosas, além de trabalho e convívio social, procurando ajuda para garantir um envelhecimento saudável e que proporcione uma vida feliz e ativa.

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