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Dia Nacional do Atleta Paralímpico – Histórias de campeões na vida e no esporte

"Eu nasci com deficiência e falaram para minha mãe que eu só ia sobreviver se Deus quisesse. Estou vivo até hoje e pretendo inspirar muita gente”, afirma Lucas Santos, bicampeão mundial e medalhista no Parapan-Americanos

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Neste Dia Nacional do Atleta Paralímpico (22/09), o Amazonas celebra com orgulho os resultados que a atividade desportiva adaptada traz para o Estado, como no caso do atleta Lucas Santos, 17 anos, bicampeão mundial e medalhista no Parapan-Americanos de Lima, no Peru. Recém-chegado do Circuito Brasil Loterias Caixa de Halterofilismo, que ocorreu entre os dias 12 e 15 de setembro, em São Paulo, Lucas coleciona medalhas e quebra de recordes em diferentes categorias.

“É um trabalho duro, não brincamos com alto rendimento. Na última competição, quebrei o recorde que já era meu e conquistei o primeiro lugar na categoria até 49 quilos do Júnior e do Adulto, de 127 quilos na barra”, destaca Lucas. “Temos que mostrar para crianças e jovens que podemos tudo. Eu nasci com deficiência e falaram para minha mãe que eu só ia sobreviver se Deus quisesse. Estou vivo até hoje e pretendo inspirar muita gente”, afirma Lucas.

Ele adianta que o próximo passo é o Campeonato Brasileiro da modalidade, em novembro, onde buscará quebrar a marca do Mundial Júnior, de 140 quilos. “Vou quebrar os recordes aos poucos e talvez suba de categoria, que é pelo peso corporal. Quero quebrar os recordes em outras categorias para deixar o meu nome. Às vezes, a gente não acredita, mas tudo é possível”, afirma o atleta paralímpico. Lucas já foi para cinco países, participou de seis competições internacionais. De todas trouxe medalha.

Veterano – José Ricardo Silva, 51 anos, é paratleta há mais de 35. Foi com ele que o halterofilismo conquistou destaque para o Amazonas. “Sou praticamente o patriarca dessa galerinha, o fundador desse esporte adaptado no Estado. Aos 14 anos, eu sofri um acidente de embarcação, no Porto da Ceasa, perdi um pedaço da perna direita. Em 2000, conheci a modalidade”, conta o amazonense.

“Naquele ano, fui atleta revelação, tanto no halterofilismo quanto no atletismo. Hoje, eu pratico só uma modalidade, e ela já me levou para seis países. Quero conquistar uma paraolimpíada, esse é o último estágio, é o que está faltando para mim, para o meu currículo”, planeja José Ricardo.

Superação – O esporte abre as portas para que pessoas com limitações – sejam físicas, visuais ou intelectuais – se tornem exemplos inspiradores de coragem e determinação. No calendário, 21 de setembro é o Dia Nacional de Lutas das Pessoas com Deficiência.

Responsável pela preparação da equipe de Futebol de Cinco, Daniela Costa, ressalta que o esporte fez a diferença na trajetória dela. “Quando perdi a visão aos 11 anos – tenho abaixo de 10% hoje – parei de estudar e, até à fase adulta, não tinha concluído os estudos. Não acreditava que podia entrar numa faculdade, mas através do esporte consegui terminar minha graduação”, relata a professora de Educação Física, que divide o treinamento da turma com o técnico Sérgio Nazareno.

“Trabalhar com essa equipe é uma realização pessoal, porque eu sou uma pessoa com deficiência e creio que qualquer pessoa com deficiência pode praticar um esporte. Então, passar isso para eles, dar uma aula e eles fazerem aquilo que estou pedindo, é muito gratificante”, conta Daniela Costa.

Artilheiro do Futebol de Cinco, Nelson Peres, reforça que a atividade desportiva, praticada desde 2006, contribui para superar a limitação visual e inspirar outras pessoas com deficiências, especialmente os amigos do time. “É um privilégio ser reconhecido, mas costumo dizer que dentro do nosso time não tem craque, todo mundo se ajuda, é coletivo. Ajudando um ao outro, vamos chegar muito além daquilo que imaginamos”, comenta o mais experiente da equipe.

O técnico Sérgio Nazareno destaca que é um defensor da acessibilidade como forma de mostrar para a sociedade que todas as limitações podem ser superadas. “Para trabalhar com deficiente, tem que vir da veia, tem que arrepiar. Eu não tenho na família um deficiente, mas eu me deparei aqui com uma família que estava à margem da sociedade”, afirma Nazareno.

Estrutura – Com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), os paratletas amazonenses têm à disposição toda estrutura do Centro de Treinamento de Alto Rendimento do Amazonas (Ctara), além das demais dependências da Vila Olímpica de Manaus.

“Todos os atletas têm total apoio do Estado, com passagens para competições, uniformes, fisioterapia, uma equipe multifuncional e, em breve, vamos disponibilizar a alimentação no restaurante. Também fechamos uma parceria com a Ufam (Universidade Federal do Amazonas) para utilizar o laboratório de Fisiologia, que é de primeira linha”, explica o secretário da Sejel, Caio André de Oliveira.

Para o técnico da equipe de halterofilismo, Getúlio Filho, as limitações dos paratletas são apenas mais uma barreira que eles conseguem ultrapassar. “No Brasil, há 700 centros iguais ao que temos em Manaus, que é o único na região Norte. Essa estrutura é importante na sequência do trabalho para que melhoremos cada dia mais os nossos resultados”, afirma o treinador.

FOTO: BRUNO ZANARDO E CLAUDIO HEITOR/SECOM

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