Responsável por cerca de 2% das neoplasias malignas no Brasil, o câncer de pâncreas tem como principais fatores de risco o tabagismo, a obesidade, o sedentarismo, a pancreatite crônica hereditária e o diabetes mellitus – este último considerado um distúrbio metabólico. Membro da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), o cirurgião oncológico Manoel Jesus Pinheiro Júnior, explica que a doença é mais comum em pessoas com mais de 60 anos, já que o aumento da idade favorece seu desenvolvimento.

Além dos fatores de risco já mencionados, que são considerados não hereditários, existe, ainda, a lista de fatores hereditários, que inclui os cânceres de mama e de ovário quando associados aos BRCAs 1 e 2 e o PALB2 – identificados como mutações nos genes -, e as síndromes de predisposição genética denominadas Peutz-Jeghers e pancreatite.

Os fatores hereditários são aqueles cuja carga genética pode ser transferida de pais para filhos ou de avós para netos, por exemplo. “No caso do câncer de pâncreas, pesquisas apontam que entre 10% e 15% dos diagnósticos estão associados ao fator hereditário”, explica o especialista.

Também podem potencializar os riscos da doença a exposição a produtos químicos, como solventes, tetracloroetileno, epicloridrina, HPA e agrotóxicos. Por isso, são considerados grupos de risco agricultores, profissionais que atuam em manutenção predial e na indústria do petróleo.

“O câncer de pâncreas é de difícil diagnóstico, por ser silencioso e só apresentar sintomas com o avanço da doença. Por isso, as estatísticas mostram um grande número de mortes associado à patologia. Entretanto, se constatado na fase inicial, as chances de sucesso no tratamento são maiores”, explicou Manoel Jesus Júnior.

De acordo com ele, o principal tipo de tumor de pâncreas é o adenocarcinoma, que corresponde a 90% dos diagnósticos e tem origem no tecido glandular.

Sinais

Ele destaca que sinais como fraqueza, perda de peso, dor abdominal, falta de apetite, urina escura, olhos e pele amarelados, dores nas costas e náuseas, merecem uma investigação mais aprofundada. “Vale ressaltar que inúmeras doenças podem estar ligadas a esse quadro, por isso, é importante buscar ajuda médica sempre que houver algum tipo de alteração. Só com uma análise mais aprofundada, que inclui diversos exames e avaliações clínicas, é que será possível fechar um diagnóstico”, frisou.

O tratamento pode ser cirúrgico ou associado, incluindo quimioterapia e radioterapia, dependendo do estadiamento (extensão da doença). “Lembrando que, manter um estilo de vida saudável, com a prática regular de exercícios físicos, uma alimentação rica em vegetais e frutas e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, ajudam na prevenção ao câncer de pâncreas. Isso porque, são cuidados que previnem a obesidade, que tem influência direta com o desenvolvimento da doença e também com outros tipos de câncer, como o de mama e o de próstata, por exemplo”, assegurou.

Importância da prevenção

Cirurgião oncológico das redes pública e privada, Manoel Jesus Júnior destaca a importância da prevenção e da informação para o controle e combate ao câncer no Amazonas. A doença soma, anualmente, 5.860 casos no Estado, conforme projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Membro da diretoria da Lacc, ele reforça que a ONG tem atuado fortemente nessa área, com a promoção de ações em parceria com a FCecon (Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas) e com as demais instituições de apoio à causa câncer. As ações da Lacc são financiadas por doações da sociedade civil, através do site www.laccam.org.br e do telefone (92) 2101-4900. Além disso, a entidade também presta auxílio a pacientes oncológicos de baixa renda.