O Brasil assumiu o compromisso de reduzir a taxa de mortalidade materna até 2030. O objetivo faz parte da Iniciativa Global das Nações Unidas que prevê uma redução de 70% desse tipo de morte nos próximos doze anos. Atualmente, morrem cerca de 65 mulheres brasileiras a cada 100 mil partos. E se considerarmos o quadro mundial, chegamos a um número alarmante: 210 mortes a cada 100 mil partos. O susto é ainda maior ao perceber que grande parte dos casos poderiam ter sido evitados, como aponta a coordenadora de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Mônica Neri.

“92% dos casos de mortalidade materna são evitáveis. A mortalidade materna ela tem um contexto extremamente grave do ponto de vista social. Então a gente precisa realmente focar muito fortemente em ações que venham a reduzir essa mortalidade”.

Uma das formas mais eficazes para evitar a morte materna, é a inserção do Dispositivo Intrauterino – o DIU – logo após o parto, ou após abortamento. O procedimento faz parte da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (PNAISM) e das estratégias do Ministério da Saúde. A coordenadora de Saúde da Mulher, Mônica Neri explica a relação entre o uso do DIU e a redução da mortalidade materna.

“Porque é importante que esta mulher que sair dessa unidade de saúde já tenha um método contraceptivo garantido. Porque a melhor prevenção da morte materna é a prevenção contraceptiva. É um método reversível, seguro, com riscos pequenos (em relação a efeitos colaterais) e que garante a essa mulher durante 10 anos a possibilidade de se planejar para o momento ideal novamente de uma próxima gravidez. Se a mulher programa para uma gravidez ela vai fazer toda avaliação prévia. De uma gravidez planejada minimizando todos esses riscos. Não podemos garantir durante a gravidez que esses riscos não surgirão, mas já temos uma segurança pré-gestacional da sua condição clínica”.

Apesar de ser inserido de forma gratuita em hospitais da rede pública de saúde e ter alta eficácia, apenas 1,9% das brasileiras em idade fértil escolhem o Dispositivo Intrauterino como método contraceptivo. A fim de mudar esse quadro, o Ministério da Saúde instituiu a Semana de Mobilização pela Saúde da Mulher que, neste ano, terá enfoque em medidas prevenção que podem ajudar na redução dos índices de morte materna.

Reportagem, Aline do Valle.

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