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Diversidade de temas e ritmos agitam desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus

A inclusão social, uma promessa a um santo, os rituais antigos e modernos, o potencial turístico do Amazonas, o orgulho de ser manauara e um projeto de economia sustentável em Iranduba. Estes foram alguns dos temas do Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial, no Carnaval 2020 de Manaus, que brilharam no quesito diversidade. O evento, que encantou as milhares de pessoas que foram ao Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho (Sambódromo), foi promovido pelo Governo do Amazonas, com entrada gratuita.

De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz, a avaliação dos desfiles foi positiva. “Foi uma série de diferenciais. Pela primeira vez, nós tivemos o ensaio técnico das escolas do Grupo de Acesso, que permitiu que eles viessem mais bem preparados competitivamente para a Avenida do Samba; queremos parabenizar todas as escolas de samba que se empenharam juntamente com suas comunidades para trazer encantamento a todos que se fizeram presentes”, declarou o titular da pasta. “Estamos muito felizes por realizar este evento tradicional no calendário cultural de Manaus”.

Primos da Ilha – “Eu andarei com as armas de Jorge e meus inimigos não vão me alcançar”. Foi entoando estes versos que a Primos da Ilha desfilou na Avenida do Samba, com o enredo “A Promessa – Da Capadócia aos tambores africanos. Salve Jorge!”. Primeira na ordem do Grupo Especial, a agremiação homenageou o santo venerado na religião católica e também em religiões afro-brasileiras, sincretizado na forma de Ogum.

Com 15 alas e três carros alegóricos, a agremiação contou a história do soldado romano do exército do imperador Diocleciano, nascido na antiga Capadócia, onde é a Turquia atualmente. O primeiro carro, “A Fé e Fidelidade De Jorge”, trazia referências à arquitetura turca, assim como o brasão de São Jorge; o segundo, “O Sincretismo dos Tambores Africanos”, representou os orixás reverenciados pelo sincretismo religioso. Já o último, “O Andor – A Promessa”, falou sobre os devotos que cumprem a promessa e fazem a procissão para o santo, sendo carregado em seu andor.

A presidente da agremiação, Rejane Santos, declarou que a homenagem a São Jorge veio de uma promessa realizada durante o desfile de 2019. “No ano passado desfilamos debaixo de uma chuva torrencial, fomos a única escola de 2019 a desfilar debaixo de chuva e com o desespero de ver nosso trabalho destruído na avenida. O Werli Medeiros, que era o diretor de Carnaval, nos vendo em lágrimas, pediu a São Jorge que nos protegesse durante 70 minutos, para que nenhum membro da nossa escola sofresse acidentes e que não acontecesse nosso rebaixamento. Ali, ele fez a promessa depois que ele seria homenageado neste ano e assim fizemos. Estamos muito felizes com o resultado”, afirmou Rejane.

Unidos do Alvorada – A inclusão foi o principal tema do Unidos do Alvorada, que defendeu o enredo “Oi, Eu estou aqui! Alvorada com um cromossomo a mais mostra que ser diferente é normal”, de Alexandre Mascarenhas e Nardua Moura. A agremiação fez uma referência especial às pessoas com Síndrome de Down, mas também a todos que são excluídos por suas diferenças.

“O enredo veio mostrando que todos nós somos filhos de Deus e que devemos respeitar todos, quem tem Síndrome de Down, autistas, deficientes. Isso é algo muito forte, porque Deus não exclui ninguém, e nossa comissão de frente mostra isso”, disse o presidente da Alvorada, Joacy Souza Castelo.

Segunda a entrar na avenida, a Alvorada desfilou com 20 alas, três casais Mestre-Sala e Porta-Bandeira – mais um mirim, e três carros alegóricos: “Gênesis, a criação divina”, que simboliza a criação da vida; “Queremos Ordem e Progresso”, que fez um protesto para lembrar aqueles à margem da sociedade; e “O teatro de Piancastelly com os mensageiros”, que homenageia a atriz com síndrome de Down, Tathi Piancastelly, e todos aqueles que lutam por igualdade e inclusão.

“Estou muito feliz e emocionada com o desfile. Já tinha desfilado no Rio de Janeiro, mas amei o Carnaval de Manaus, foi muito especial para mim”, disse Tathi, que estava acompanhada da família. Além dela, outras personalidades que desfilaram na Alvorada foram Caroline Braz, titular da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Marcos Vinicius Castro, presidente da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), e também Patixa Teló.

Andanças de Ciganos – A produção de leite no estado do Amazonas foi exaltada pela Andanças de Ciganos, com o enredo “Leite – O líquido da vida no deleite do Carnaval”, de Jorge Ricardo Castro, Robertinho Araújo e Renato Castro.

Com 17 alas e quatro carros alegóricos, a agremiação contou a história do alimento em quatro etapas: a criação, com alusões à mitologia; o comércio do leite materno, a regulamentação do alimento e o leite como bebida medicinal; a industrialização do leite; e a produção de leite e queijo em Autazes.

“Estamos muito satisfeitos com o trabalho, que resultou em colocarmos essa escola na avenida. Nosso enredo é uma homenagem ao setor mais importante hoje, que é o agronegócio, e o leite é uma das produções que mais crescem no Amazonas. Autazes tem uma produção maravilhosa, e nós temos que valorizar esse produto. E hoje, graças ao Governo do Amazonas, o produtor rural está sendo valorizado”, declarou o presidente da Ciganos, Vilson Gomes Benayon Filho.

Reino Unido da Liberdade – Quarta a entrar na Avenida do Samba para defender o título de campeã do Carnaval, a Reino Unido da Liberdade destacou outro potencial econômico do Amazonas, o turismo. Com o enredo “Turismo – O Amazonas de braços abertos para o mundo”, de Reginei Rodrigues, Zilkson Reis e Leonardo Fierro, a agremiação apresentou 24 alas e três carros alegóricos.

Para tratar do cenário turístico do Amazonas, a Reino destacou o ecoturismo, falando sobre a floresta, os animais, fauna e flora, rituais indígenas e a terra das cachoeiras; o turismo gastronômico, com alas que representavam os pratos e frutos típicos da região; o turismo religioso, sobre os festejos que vão desde Nossa Senhora do Carmo até Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas; e por fim, o turismo cultural, com destaque para o Teatro Amazonas, os festivais da Canção de Itacoatiara (Fecani), de Parintins e Festival Amazonas de Ópera.

“Entramos na avenida para contar a história do turismo, este setor que precisa ser trabalhado para que se torne a primeira matriz econômica do estado. Viemos em busca do pentacampeonato”, declarou o presidente da Reino Unido, Reginei Rodrigues.

Grande Família – Representando a zona leste de Manaus, a Grande Família defendeu o enredo “Sou manauara – Há 350 anos sentindo orgulho do meu chão”, de Murilo Rayol. Com 20 alas e três carros alegóricos, a agremiação do bairro de São José contou sobre o orgulho manauara desde os primórdios, com a tribo Manaó, até o orgulho de ser da zona leste da capital.

As alas representaram a beleza do encontro das águas, a primeira universidade do Brasil no Amazonas, o x-caboquinho, o açaí e os pontos turísticos de Manaus. “A Grande Família vem para mostrar esse resgate da nossa comunidade por meio do orgulho de ser manauara e do orgulho de ser da zona leste, tendo como pano de fundo os 350 anos da nossa cidade. Botamos cerca de 3.500 componentes na avenida”, destacou Altermir Souza, presidente da escola.

Mocidade Independente de Aparecida – Os rituais de diferentes culturas e eras da humanidade foi o tema principal da Mocidade Independente de Aparecida, a sexta escola a desfilar na avenida do samba. Com 3.500 componentes, contando com quatro carros alegóricos e 23 alas, a agremiação mostrou os rituais de grandes civilizações, como os maias, persas, fenícios, gregos e macedônios, e também os rituais brasileiros, de tribos indígenas e de oferendas a orixás.

O presidente Luiz Pacheco explicou que o enredo foi escolhido como uma forma de inovar na avenida. “A Aparecida não desfila por desfilar, nós viemos para disputar o título do Carnaval 2020 e, para isso, nos desdobramos como sempre, com um trabalho diuturno, muita força e determinação”, disse. “Buscamos um enredo inovador e diversificado, que não tenha sido realizado por outras escolas ou por nós mesmos. São os rituais que toda a humanidade faz e rituais também são a cultura, o povo. Enquanto houver humanidade, haverá rituais”.

O último e quarto carro alegórico da Aparecida fez referência aos 40 anos da agremiação, que serão completados no ano de 2020. A face 2 da alegoria foi intitulada de “Aparecida 20 +20 = 40 anos – Um Ritual de Amor”. Criada em 1980, a escola do bairro de Aparecida reúne 22 títulos do Carnaval de Manaus.

Vitória Régia – A verde e rosa do bairro Praça 14 foi a penúltima a entrar na avenida, com o enredo “Wernher Botelho é coisa nossa! O abuso é Verde E Rosa”, de Islene Botelho e Rosana Vieira, homenageando o artista plástico que morreu em abril de 2019.

Com 22 alas, quatro carros alegóricos e três casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, a Vitória Régia contou, na avenida, o amor pelo folclore amazonense e a história de vida de Wernher, que nasceu na Praça 14. O artista plástico e estilista amazonense criou peças para escolas de Manaus e São Paulo, além do Festival Folclórico de Parintins.

“Trouxemos a novidade e a grande ousadia que sempre foram do Wernher Botelho, então estamos agradecidos por isso à família dele e a irmã dele, Islene Botelho. Ele era um símbolo de surpresa e queremos isso na avenida”, ressaltou o presidente da Verde e Rosa, Didi Redman. “Viemos com 3.800 componentes, 250 ritmistas e uma cadência inconfundível”.

Mocidade Independente do Coroado – A escola de samba do bairro do Coroado trouxe para a avenida o enredo ”Do barro ao petróleo verde, a Mocidade vem coroar o sonho maturo, Iranduba a cidade do futuro”, de Alan Vasconcelos, Alexandre Lima e Rarison Alves.

“O Coroado apresentou um projeto que será implantado em Iranduba, a cidade do futuro, numa iniciativa de um grupo de empresários”, disse o presidente Elson Mendonça, referindo-se ao projeto de economia sustentável que Iranduba foi escolhida para desenvolver, onde microalgas serão usadas para produzir combustível.

Para contar esta história, a Coroado falou sobre a fabricação de tijolos em Iranduba, responsável por 80% da produção no Amazonas, o futuro da educação no município, o protocolo de Kyoto, até a evolução para a biotecnologia. A agremiação desfilou com cerca de 3 mil componentes, 19 alas e três carros alegóricos e três casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

FOTOS: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa