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É a primeira vez que um presídio masculino é administrado por uma diretora

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Há dois meses, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) passou a direção do maior presídio do Amazonas, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a uma mulher. A capitã da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Maria Edna Pereira, 52 anos, é a primeira mulher a dirigir um presídio masculino. Ao assumir a função e se tornar responsável por 1,2 mil homens, ela quebra tabus, acrescenta um desafio ao seu currículo e mostra, mais uma vez, que homens e mulheres podem e devem viver em uma sociedade onde a igualdade de gêneros é realidade diária.

Desde 1999, pelo complexo, até então, só tinham passado diretores homens. Por isso, Maria Edna considera a chegada dela à direção do Compaj uma quebra de tabus. Na vida profissional, a busca por essa ruptura com a ideia de que determinadas funções são para homens sempre existiu. “Acho que nasci para isso, para esses desafios. Sou da terceira turma de mulheres na PM, quando não se aceitava que as mulheres podiam ser tão competentes quanto homens na corporação, e era quando nós abríamos mãos de alguns confortos e direitos só por sermos mulheres, isso em 1982. Mesmo assim nunca me abati”, lembra.

O diálogo tem sido a principal arma da administração de Edna. Nesses dois meses, ela já conseguiu levar assistência médica e jurídica aos presos e pretende manter o ritmo buscando compreender o que deseja a população carcerária. “Trabalho com a ideia de que o preso é apenas uma pessoa que não respeitou as leis. Ele continua sendo um ser humano que não deixou de falar, de ter família, de pensar nos filhos, de querer assistência religiosa e jurídica, entre outras coisas. Por isso, minha principal estratégia para lidar com qualquer pessoa sempre vai ser o diálogo”, afirma a diretora.

Ao lado de Edna, na direção adjunta, o sargento da PMAM, Márcio Pinho, divide as funções. “Eu não estou sozinha, tenho que cuidar de homens e faço isso com a ajuda de outros homens. É um trabalho em equipe e tenho a sorte de nunca terem me deixado sentir inferior por ser mulher”.

No sistema prisional, Maria Edna tem apenas três anos de experiência. Antes de ser diretora do Compaj, ela dirigiu o Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF). Foi a boa experiência com as mulheres que fez com que ela fosse para o presídio de segurança máxima do Amazonas, segundo o secretário de Estado Pedro Florencio. “Sempre enxerguei na Edna virtudes. Ela tem o perfil que necessito para a direção de uma unidade, sabe exercer autoridade, tem corarem e sabe tratar os presos com dignidade. Ela entende que precisamos recuperar essas pessoas. O fato de ser uma mulher não muda minha opinião sobre a competência e nem o quanto preciso dela”, ressalta Florencio.

Pedro Florencio foi o responsável pela escolha. Atualmente, segundo ele, somente 4 presídios masculinos no Brasil possuem mulheres no comando. A mudança entre os gêneros é uma aposta que não desmerece as administrações passadas, mas prova a capacidade que as mulheres têm. “Quero mostrar a sociedade que a mulher pode perfeitamente dirigir uma penitenciária masculina. As mulheres têm alcançado espaços em todos os segmentos da sociedade, e no sistema prisional não é diferente”, disse o secretário.

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