As Principais Notícias do Estado do Amazonas estão aqui!

E se, em meio à revolução da educação, o professor virar empreendedor?

Como o professor que assume a liderança na inovação pode fazer a diferença no salto de qualidade da educação
No mundo inteiro a educação está sendo desafiada a se transformar. Surgem inovações nas formas de ensinar e de aprender, na organização física das escolas, em materiais pedagógicos que vão de softwares a circuitos eletrônicos, na reformulação de políticas públicas da escala local à nacional.

Os professores e professoras são imprescindíveis para que essa transformação seja efetiva e realmente impacte em mais qualidade em cada sala de aula. E um novo tipo de professor está surgindo: o professor empreendedor. São educadores que conhecem profundamente a sala de aula e seus desafios, têm boas ideias para romper com antigos dilemas, energia para botar a mão na massa e espírito para liderar os colegas.

“Um dos maiores desafios para empreendedores e desenvolvedores de tecnologia educacional é conhecer a rotina dos professores e criar soluções que realmente engajem e ajudem a resolver questões reais do dia a dia. Quando os próprios professores se tornam os empreendedores, essa lacuna não existe”, ressalta Lucas Rocha, coordenador de projetos da Fundação Lemann.

Nos EUA eles são uma tendência. Chamados de teacherpreneurs, palavra que em inglês mistura professor com empreendedor, são valorizados exatamente porque conseguem fazer a conexão entre a sala de aula real, inovações educacionais e as políticas públicas. Não à toa, este foi o centro do debate no SXSWedu (South by Southwest Education), a principal conferência mundial sobre inovações educacionais, que aconteceu este ano em Austin, no Texas.

O que os professores empreendedores criam têm a legitimidade e o lastro de enfrentar problemas que eles conhecem melhor do que ninguém. Existe inclusive um movimento da sociedade civil para incentivar que educadores assumam a liderança empreendedora, dividindo seu tempo com a sala de aula. Eles podem atuar desde em novas metodologias pedagógicas até em protótipos de novas tecnologias.

Segundo Rob Grimshaw, diretor-executivo da Tes Global, empresa centenária que reúne a maior comunidade de professores do mundo e hoje é focada em educação digital, existem cinco razões para que os bons professores sejam empreendedores bem-sucedidos :
São vendedores natos – têm o discurso afiado pela prática diária de propagar ideias, afinal conseguem gerar interesse de crianças por assuntos áridos e complicados;
São bons captadores de recursos – já estão habituados a promover rifas, gincanas e mobilização de pais para conseguir realizar atividades extracurriculares nas quais acreditam;
Sabem se adaptar às circunstâncias – redefinem seus planos de aula, explicações e atividades para engajar alunos desmotivados ou com diferentes necessidades de aprendizado.
Dominam o público alvo – sabem o que conquista os alunos e o que os professores precisam;
São apaixonados – mergulham no empreendedorismo pelo desejo de contribuir para melhorar o status quo e criar novas formas para garantir que os alunos aprendam. Quando um empreendedor é apaixonado pelo seu produto e clientes, os investidores percebem e os consumidores aparecem.

No Brasil, o mercado de empreendedores em educação ainda é tímido perto do norte-americano e, também por isso, há poucos casos de teacherpreneurs como Luís Junqueira, professor de Língua Portuguesa que desenvolveu o Primeiro Livro, projeto de ensino de literatura com a mão na massa. Hoje o projeto caminha para plataforma que pretende ajudar alunos de escolas públicas a escreverem sua primeira publicação, a partir de recursos de big data. Após ler cada um dos textos de seus alunos, Luís cria videoaulas personalizadas para apontar as dificuldades de cada um e dar explicações gramaticais e literárias.

Primeiro passo para ser um professor empreendedor

Luis Junqueira recebeu o apoio do programa de aceleração de startups educacionais da Fundação Lemann, o Start-Ed. A edição de 2016 do programa está com inscrições abertas até 13 de maio e mais informações podem ser encontradas no edital. A divulgação das equipes selecionadas será realizada até o dia 24 de junho​, no site da Fundação Lemann.

você pode gostar também