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ECONOMIA: Alta na inflação impacta de maneira ‘muito forte’ vida do brasileiro, afirma economista

A alta da inflação brasileira já alcançou 10 por cento, em 2015, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. Ou seja, pela primeira vez a mediana atingiu a marca de dois dígitos na pesquisa geral. Esta é a nona semana seguida em que existe uma alta das estimativas. De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, até a semana passada a alta era de nove vírgula 99 por cento. O economista da Universidade de Brasília, UnB, José Carlos Oliveira, explica que com a alta da inflação, as pessoas perdem o poder de compra. “Em primeiro lugar, nós estamos com uma taxa de inflação, que comparativamente com os outros anos, é uma taxa de inflação mais alta, que deve se situar em 10 por cento, ao ano. Isso significa dizer que as pessoas estarão perdendo cerca de 10 por cento do valor que elas recebem. Portanto, seu poder de compra diminui em 10 por cento. Então para as pessoas, é um momento muito duro, porque inflação, aumento do custo de vida é perda do poder de compra. Não tem coisa pior para a população que inflação.”

Em paralelo à alta da inflação, a elevação no desemprego pode chegar a quase 10 por cento até dezembro, deste ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a PNAD. Por isso, o economista da UnB, José Matias Pereira, que o atual cenário político brasileiro tem forte impacto para as pessoas. “Isso impacta de uma maneira muito forte, porque se você não tem ainda pessoas desempregadas em sua família, certamente, muitos deles estão sob ameaça, ou estão muito preocupados com isso. Porque a economia se descontrolou, o governante não foi capaz de ter um controle efetivo das contas públicas, gastou mais que deveria, fez promessas falsas que não pode cumprir. E com isso, você traz para dentro da sociedade o maior mal que pode assolar uma economia, que é o crescimento do desemprego. Então, as pessoas então perdendo os empregos de uma maneira muito preocupante, porque a economia está em queda. Estão entrando em um processo crescente de endividamento. As pessoas estão indo para os supermercados para comprar bem e estão levando cada vez menos produtos, e muitas vezes são os mais baratos.”

O servidor público de Brasília, Bruno Martins diz que foi prejudicado com a alta da inflação, e principalmente, no aumento da mensalidade da escola das filhas. “A conta de luz subiu bastante. Agora no meu caso, eu sou casado e tenho duas filhas, a escola das crianças subiu na média de 15 por cento. O salário, infelizmente, não acompanha nem de longe esse aumento. A questão do plano de saúde subiu também nessa média, entre 15 e 20 por cento. Então eu acho que isso é o que mais pesou.”

A advogada brasiliense Juliana Monteiro, conta que tem uma filha de dois anos. Ela diz que quando a pequena nasceu, comprar uma caixa de fraldas ficava bem mais em conta do que hoje. “Hoje mesmo foi o dia de fazer compras, e aí a gente nota que a cada semana fica mais complicado. Você traz menos coisas pra casa. Assim que a Isa nasceu, há dois anos atrás, até fralda mesmo, a gente comprava com 59 Reais, uma caixa de fralda. Hoje, a mesma caixa de fralda custa em torno de 93 Reais.”

De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, divulgado em setembro, a estimativa de aumento para este ano era de nove e meio por cento, porém o número já chegou à casa dos 10. Segundo o Boletim Focus, a previsão para o IPCA chegou ao teto de seis e meio por cento, que é a meta do país, segundo o Banco Central.

Reportagem, Sara Rodrigues