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ECONOMIA: Redução da taxa básica de juros poderia ter sido mais expressiva, diz ex-presidente do Conselho Federal de Economia

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Após quatro anos de manutenção da taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, definiu nesta quarta-feira (19) a Selic em 14 por cento, depois de uma redução 0,25 ponto percentual. Em nota, o BC disse que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5 por cento, fixada para os próximos dois anos, é compatível com a flexibilização moderada e gradual das condições dos juros no Brasil.

Na avaliação do ex-presidente do Conselho Federal de Economia Paulo Dantas da Costa o Brasil convive com uma taxa de juros que compromete o desempenho econômico do país em diversos aspectos. Para o economista, o Copom tomou uma decisão acertada ao abaixar os juros, mas foi tímido na determinação. “Eu acho que é uma medida salutar. Poderia ter sido uma medida um pouco mais expressiva. Não sou a favor de que se reduza de 14 para 10. O que eu acho é que a dosagem poderia ter sido um pouco maior, só um pouco maior. De 0,25 para 0,50. E aí já seria bom um caminho no sentindo de adequar para baixo essa realidade em termos de taxa de juros no Brasil”.

De acordo com Paulo Dantas da Costa, existem três aspectos importantes que justificam a redução da taxa básica de juros no Brasil. Primeiro, os juros altos inibem o investimento produtivo. Isso significa que, se os juros forem menores, os investimentos vão ser estimulados no Brasil. Além disso, com a redução da Selic, o custo da dívida pública também diminui. Isso acaba favorecendo as contas públicas e, consequentemente, a economia brasileira.

O terceiro ponto ressaltado pelo ex-presidente do Conselho Federal de Economia se trata da concentração de riquezas. Isso porque, quando os juros são muito altos, os rentistas são beneficiados. Rentistas são aquelas pessoas que têm muito dinheiro ancorado no banco e esperam para lucrar com os juros altos. Para o economista Paulo Dantas, a redução da Selic é essencial para corrigir esses problemas da economia brasileira. “Se você reduz a taxa de juros, isso vai corrigindo a deformação da nossa realidade econômica. Então são esses três fatores que eu considero muito importantes e que vão de encontro a essa iniciativa de redução da taxa de juros. Que, ao meu ver, não pode ser muito acelerada, mas poderia ser um pouco mais significativa do que foi o 0,25 aprovado pelo Copom recentemente”.

Em que pese a opinião do ex-presidente do Cofecon, o fato é que o Banco Central decide aumentar ou diminuir a taxa básica de juros para tentar cumprir as metas de inflação determinadas para o Brasil. De acordo com o BC, uma intensificação no corte da Selic depende de uma evolução favorável de fatores que permitam o alcance das metas de inflação em 2017 e 2018.

Reportagem, Bruna Goularte

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