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EDUCAÇÃO: Queda no número de novos alunos matriculados no ensino superior é culpa da crise econômica, diz especialista

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O número de novos alunos que ingressaram o ensino superior caiu entre os anos de 2014 e 2015. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, e mostram que houve uma queda de 6,9 por cento no número de novos alunos nas faculdades particulares e de 2,6 por cento nas universidades públicas.
Esse resultado aconteceu em 2015, mesma época em que o governo da então presidente Dilma Rousseff alterou algumas regras e reduziu a oferta de novas vagas para o Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies. Entre as novas medidas, foi determinado que só podem participar do processo seletivo aqueles estudantes que ainda não têm diploma de curso superior, que tenham realizado o Enem a partir de 2010, com nota de 450 pontos, e que tenham renda familiar mensal bruta per capita de até 2 salários mínimos e meio.

Para José Sebastião Filho, que é diretor da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, Confenen, as alterações no Fies não foram as únicas responsáveis pelo baixo número de novos alunos nas universidades. Sebastião acredita que o quadro, somado à crise econômica enfrentada pelo Brasil, contribuiu para que as famílias não tivessem condições para arcar com os custos de uma faculdade. “O fator principal foi a crise econômica e o índice de desemprego que aumentou. Então, quando falta dinheiro em casa, as famílias acabam priorizando alimentação e subsistência. A parte de educação e saúde fica só para quando tiver condição de isso acontecer”.

Para José Sebastião Filho, não basta apenas aumentar o número de vagas para o Fies. O diretor da Confenen acredita que o governo precisa, primeiramente, reverter a crise econômica enfrentada pelo Brasil. “Se não houver, por parte do governo federal, ações que possam reverter o quadro da crise econômica no país, você pode disponibilizar mais vagas que foram disponibilizadas em 2014, mais de 700 mil vagas. Mas eu acho que essas vagas vão continuar sem serem preenchidas por conta, justamente, da falta de expectativa. No sentido do estudante e das famílias poderem, depois da formação, honrarem com os compromissos que foram assumidos”.

Ainda de acordo com informações do Censo, cinco milhões e 600 mil novas vagas, assim como vagas remanescentes, não foram ocupadas em 2015. Os dados se referem às redes pública e particular. Só 13,5 por cento das vagas que sobram foram ocupadas no ano passado. Apesar de a rede federal ter o maior percentual de preenchimento das vagas que remanescentes, mais de 84 mil não foram preenchidas nas universidades públicas.

Reportagem, Bruna Goularte

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