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Em Manaus, manifestação pede o fim da violência contra a Palestina

Sob o céu límpido da Ponta Negra e as margens do imponente rio Negro, gritos de “Justiça para a Palestina!” ecoaram das vozes dos participantes presentes na manifestação realizada, na tarde do último sábado (15/05), em Manaus, para pedir o fim da violência contra o povo palestino. Segundo os organizadores do evento, aproximadamente 1 mil pessoas distribuídas em 250 carros participaram do protesto, que começou, por volta das 15h, com uma carreata que saiu em comboio do Porto de Manaus, no Centro, até a Ponta Negra, na zona oeste, onde foi realizado um ato em prol da paz

A manifestação coincidiu com o aniversário de 73 anos do Dia da Nakba, palavra árabe que significa “Catástrofe”, termo usado para designar a tragédia que se abateu sobre o povo palestino com a implantação de Israel nas terras da Palestina, em 15 de maio de 1948. “Realizamos esse ato pacífico para chamar a atenção para a situação que o palestinos sofrem desde 1948, com a expulsão forçada dos povos nativos da região, assassinatos, massacres, roubos de terras, violações dos direitos humanos, profanações dos nossos templos sagrados e agressões diárias por parte da ocupação israelense. Só queremos de volta nossas terras e o fim da ocupação de nosso país”, afirmou o empresário Khalil Mouas, 28 anos.

Discursos, homenagens e orações

Os manifestantes carregavam vários murais, cartazes com fotos das crianças assassinadas pelos bombardeios israelenses, faixas e bandeiras da Palestinas. Uma coroa de flores foi colocada num pequeno monumento preparado para o ato. Velas para homenagear os mortos foram acessas por crianças vestidas com trajes típicos do país, enquanto os demais participantes usavam camisas com dizeres, como, #SaveSheikhJarrar, #PalestinaLivre e #StopKillingGaza

Vários discursos para denunciar a violência contra os palestinos foram proferidos durante a manifestação, que contou com a apoio de várias entidades civis, políticas, movimentos estudantis e membros da comunidade árabe do Amazonas, como a da colônia libanesa.

Um dos discursos mais marcantes foi o da empresária Feryal Ismael, que relatou o sofrimento que ela e sua família passaram aos serem expulsos de terras na Cisjordânia após a implantação de Israel, em 1948.

“Desde lá, a gente tem sofrido e lutado para conquistar a nossa liberdade de volta. O mundo virou as costas para a nossa causa e o nosso sofrimento. Até hoje, sou uma cidadã sem cidadania. Minha família passou anos morando em um caravana, onde o chão era o nosso colchão e o céu era o nosso cobertor. Muitos de nossos irmãos passam pelo o mesmo hoje, após 73 anos de ocupação israelense. Essa terra é nossa. Moramos lá desde a época do nosso profeta Abraão. Estamos enraizados naquela terra. Ninguém vai nos arrancar de lá. Lutaremos pela Palestina até o último momento”, afirmou Feryal, que foi bastante aplaudida sob os gritos de “Justiça para a Palestina!”.

Ao final do evento, uma oração ecumênica foi realizada pela paz no Oriente Médio. Durante todo o trajeto da carreata até os encerramentos dos atos na Ponta Negra, a manifestação teve a segurança da Polícia Militar do Amazonas. Nenhum incidente foi registrado durante o ato pacífico.

Organização

A manifestação em Manaus foi organizada pelo grupo Sanaud – Juventude Palestina. O ato fez parte de uma mobilização nacional, que ocorreu em sete capitais brasileiras, e em várias cidade do mundo, como Nova Iorque, Londres, Madri, Beirute, Buenos Aires, Santiago e Cidade do México, entre outras.

Saiba mais

Os primeiros conflitos da atual crise começaram a partir da ameaça de despejo de famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah, que fica próxima à Cidade Velha de Jerusalém. A área em que hoje vivem as famílias é reivindicada por grupos de colonos judeus em tribunais israelenses.

Em um dos vídeos que viralizou nas redes sociais, uma mulher palestina pergunta em inglês ao invasor israelense, o por quê dele estar roubando a casa dela, ao que ele responde em inglês com sotaque nova-iorquino, que se ele não roubar, outro (judeu) roubará.

Logo em seguida, uma marcha realizada anualmente por judeus ultrarradicais – chamada de Dia de Jerusalém -, acirrou a situação, uma vez que os extremistas tinham a intenção de invadir a Mesquita de Al-Aqsa, uma das mais sagrados do Islã, no momento em que fiéis muçulmanos praticavam orações do jejum do mês de Ramadã. A polícia israelense invadiu o local sagrado, lançando tiros de balas de borrachas e explosivos contra os fiéis, incluindo as mulheres.

Por conta dessas agressões em Jerusalém, grupos armados na Faixa de Gaza lançaram em retaliação foguetes contra cidades israelenses. Israel respondeu de atacando vários alvos civis no território palestino, deixando até agora 200 pessoas mortas, incluindo 61 crianças e 36 mulheres, conforme dados do Ministério da Saúde palestino. Do lado israelenses, morreram 10 pessoas, incluindo duas crianças, segundo as fontes militares.

Além da situação tensa em Jerusalém e na Faixa de Gaza, confrontos foram registrados em vários cidades entre a população árabe e gangues de jovens judeus apoiados pela polícia israelense.

Questão de Jerusalém

Há décadas israelenses ocupam áreas habitadas por palestinos por meio de assentamentos, tanto em Jerusalém Oriental quanto na Cisjordânia. Só nesta última, são cerca de 430 mil colonos israelenses distribuídos entre 132 assentamentos.

Essas colônias são consideradas ilegais pela lei internacional. Em pelo menos seis ocasiões desde 1979 o Conselho de Segurança da ONU reafirmou que elas são “uma violação flagrante da legislação internacional”. A última delas foi em 2016 – o documento oficial também menciona Jerusalém Oriental. Analistas internacionais afirmam que a expulsão de palestinos faz parte de uma política de “judaização” de Jerusalém, para inviabilizar a implantação de um futuro Estado palestino com Jerusalém Orientem como capital.

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