As Principais Notícias do Estado do Amazonas estão aqui!

Em tom de gratidão, goleiro José Victor revela: “Nacional me ajudou a realizar um sonho”

Arqueiro foi um dos jogadores mais elogiados por narradores e comentaristas, devido a sua frieza e defesas milagrosas, que fez o Leão quebrar tabu do futebol amazonense

“Quem nunca sonhou ser um jogador de futebol?” Uma frase mais que clichê, que também fez sucesso na voz de Samuel Rosa, vocalista da banda Skank. Para um garoto, nascido no interior do estado do Amazonas, assim como tantos, mundo afora, era mais que um sonho, se tornar um jogador de futebol, ouvir seu nome sendo relacionado, ter àquele lance inesquecível, receber o carinho de uma torcida, mas ele sabia que para isso, teria que trilhar um caminho, um passo de cada vez e isso no futebol se chama base.

Como a maioria dos aspirantes a jogador, José Victor de 19 anos, também queria fazer gols, mas foi debaixo das traves que ele mostrou suas habilidades, superando não apenas as dificuldades do mundo da bola, como também a baixa estatura para ser um goleiro. Ele mede 1,74m.

No primeiro dia do ano de 2020, José Victor embarcou rumo a São Paulo, levando consigo não apenas o manto azulino do Nacional Futebol Clube, como também a esperança de um povo que quer ver seu futebol de base brilhar novamente. Ele e a delegação amazonense dava início a mais uma chance de poder fazer história na maior competição de base do país, a Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Em meio a tanta ansiedade pela primeira partida, ele também carregava a desconfiança pela tão comentada altura de goleiro. Poderia ser algo positivo para os adversários e desfavorável aos amazonenses, mas o garoto sabia o que queria.

Chegou a hora do apito inicial. O primeiro adversário do Grupo 6, foi o Paraná-PR. José Victor operou verdadeiros milagres, os narradores gritavam seu nome e não escondiam a admiração pelo arqueiro tão baixo voar daquele jeito. Apesar da ótima atuação, o Naça acabou sendo derrotado por 4 a 1.

Mas era o momento de pensar adiante, três dias depois já tinha o Velo Clube-SP pela frente, os donos da casa, jogavam com a torcida a seu favor e, mais uma vez, o pequeno grande goleiro mostrou a que veio: se agigantou com as luvas nas mãos e junto com seus companheiros, deu a primeira vitória ao Leão e quebrou o tabu de três anos que um clube amazonense não vencia na competição. O jogo eletrizante terminou em Naça 3 x 2 Velo Clube.

Os leões foram para a terceira e última rodada, uma partida essencial, onde o Mais Querido tinha totais chances de classificação. Desta vez, pela frente estava o fortíssimo Red Bull Brasil, mas era momento de enfrentar e assim foram a campo. O adversário mostrou a superioridade logo no início, principalmente no entrosamento. São jogadores que atuam juntos a mais tempo, o trabalho na base é diferente, isso é inevitável relatar, porém, o Touro Louco não contava com o garoto que sonhava em ser um jogador de futebol e José Victor agarrou tudo, com os pés, com as mãos, rebateu, espalmou. Fez o que pode até o final do primeiro tempo quando, num contra-ataque ele ainda tentou sair, mas o atacante cara a cara escolheu o canto e abriu o placar.

Na volta do intervalo, o Naça ainda chegou a empatar e, novamente, o goleiro azulino, junto aos seus companheiros fizeram o que puderam, não se entregaram, mas infelizmente acabaram perdendo dentro de campo por 4 a 1 e, consequentemente, sendo eliminados.

Questionado sobre o resultado, o arqueiro faz questão de explicar que perderam no jogo, mas ganharam experiência sem igual e em tom de gratidão, ele exalta o clube, comissão técnica e seus companheiros.

“Acreditávamos na classificação e tínhamos chances contra o RedBull, mas infelizmente enfrentamos uma equipe muito forte fisicamente e tecnicamente. Mas, acredito que o resultado dentro de campo, não mostra exatamente como saímos. Estamos de cabeça erguida, consciente que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. A experiência que adquirimos alí, levaremos para toda a vida. O Nacional me ajudou a realizar um sonho que foi disputar uma Copa São Paulo de Futebol Júnior. Toda a minha gratidão ao professor Raphael Perrone que me deu a honra de defender esse manto, ao professor Ribamar que acreditou no meu trabalho, aos meus companheiros que, assim como eu, não deixaram de acreditar um minuto que seria possível e também estão felizes e realizados. Espero poder continuar vestindo essa camisa. Este é só o começo”, afirmou.

Sobre a experiência de disputar a maior competição de base do país, por onde passaram grande craques que marcaram a história do futebol brasileiro e também fizeram nome pelo mundo, ele fala com a mesma maturidade que defende seu gol.

“A Copinha é uma competição de base muito disputada e difícil, pois reúne não apenas garotos que foram criados e alguns já vivem do futebol, mas vemos ali os sonhos de todos. É uma competição onde estão as melhores bases do mundo, atletas de alto nível mesmo. O nosso grupo era muito forte, sabíamos disso desde o começo. Trabalhamos para chegar aqui preparados, mas a realidade é totalmente diferente, quando se compara os outros estados ao nosso… mas tenha certeza, saímos de cabeça erguida, pelos adversários que tínhamos pela nossa frente, conseguimos ter um resultado positivo de uma vitória contra o Velo Clube, a equipe da casa. Estamos orgulhosos e hoje sou gratidão a quem torceu e jogou com a gente”, finalizou.

A delegação azulina retorna a Manaus na madrugada de sexta-feira (10) para sábado (11) e o pequeno gigante goleiro estará nos braços de seus familiares para recuperar as energias e pensar no futuro.

FOTO: Gustavo Muniz e João Normando