Energia solar fotovoltaica é alternativa para reduzir custos de hotéis, restaurantes, fazendas, indústrias e residências na Amazônia, região que sempre sofreu com o desabastecimento energético

Aldeias indígenas e casas populares contam com sistemas de energia fotovoltaica instalados pela Sisasolar de Rio Branco.

A energia solar fotovoltaica está mudando a paisagem da Região Norte. Painéis fotovoltaicos instalados nos telhados de residências, hotéis, frigoríficos, restaurantes, supermercados, e propriedades rurais estão se tornando cada vez mais comuns. A empresa Sisasolar Sistemas Solares Alternativos, criada há cerca de cinco anos em Rio Branco (AC), está contribuindo com esta transformação. Nesse período, instalou cerca de 2 mil painéis fotovoltaicos na capital e no interior acreano.

A empresa já implantou painéis fotovoltaicos em 15 aldeias indígenas: na aldeia Puchuã , foram 40 painéis e 40 baterias que são usados no processamento de coco e açaí; na terra dos Ashaninka, os peixes são guardados em freezers do supermercado ecológico, que os comercializa. Nas fazendas do Acre, a energia fotovoltaica bombeia água para as caixas d’água e viabiliza diversas atividades. Uma fábrica de gelo está economizando 70% de energia.

Segundo Lucas Bezerra Felix, diretor da Sisasolar, o sistema fotovoltaico para uma família com quatro pessoas custa atualmente cerca de R$ 12 mil, que podem ser parcelados em 6 vezes ou financiado pelo Banco Santander (taxa de juros mensal de 0,99%), em até 36 meses. O valor da parcela é o mesmo de uma conta de energia, argumenta.

O investimento é pago em 3,5 anos, e a partir daí, o custo de energia será zero, durante mais de 20 anos. No primeiro ano, a manutenção do sistema é feita gratuitamente pela empresa, e nos demais, dependerá apenas de uma limpeza anual dos painéis.

Maria Ivone Felix e Vinicius Felix, respectivamente esposa e filho, são sócios do empreendimento, que conta com dez funcionários.

Microgeração e minigeração distribuídas

O empresário esclarece que a microgeração e minigeração distribuídas dos sistemas fotovoltaicos são injetadas na rede pública de energia elétrica da concessionária estadual, que compensa o total fornecido pelos geradores individuais com descontos nas contas mensais de luz.

O sistema de compensação da geração distribuída (GD) no país foi regulamentado pelas Resoluções 482/ 2012 e 687/2015 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Além de não se sujeitarem às políticas governamentais que impactam diretamente no preço das contas de energia, os proprietários de sistemas fotovoltaicos continuam ligados à rede da concessionária, que fornece energia em dias de baixa geração de energia fotovoltaica.

Qualidade de vida

Os barulhentos geradores a diesel, muito comuns na Amazônia, emitem muita poluição e estão com os dias contados, segundo Lucas. “Dentro de três anos, será possível ver centenas de painéis espalhados nas cidades e na floresta”, prevê.

Criado em sítio na região, o empresário sabe o que significa ter energia, iluminação noturna, geladeira e chuveiro em casa. “A Região Norte sempre sofreu com a falta e ou desabastecimento frequente de energia. O sol é uma fonte limpa e renovável e está melhorando a qualidade de vida dos moradores da Amazônia, além de permitir a maior produtividade das empresas da região, sem impactar o meio ambiente”, ressalta. Ele enfatiza que é muito gratificante trabalhar levando energia fotovoltaica para famílias e empresas. “É uma revolução”, resume.

Cliente satisfeita com a economia na conta de luz, gerada pela energia fotovoltaica.

Oportunidade

Administrador, eletricista industrial e servidor público, ele resolveu montar a empresa, depois de participar de uma feira de produtos sustentáveis na capital paulista, em 2013, quando conheceu fornecedores de equipamentos e tecnologia solar. No Acre, não havia empresas especializadas no segmento. Enxergou a oportunidade e resolveu empreender.

Lucas saiu de licença do serviço público para se dedicar ao negócio. Fez vários cursos em São Paulo e aprofundou seus conhecimentos em tecnologia solar. Muita gente achava que ele estava apostando numa utopia. A empresa está localizada próxima ao palácio do governo acreano.

No início, instalava apenas sistemas de aquecimento de água. O primeiro cliente de energia fotovoltaica foi um escritório de advocacia, depois vieram hotéis e pousadas. Ainda no primeiro ano, a Sisasolar foi contratada pelo programa Minha Casa Minha Vida para implantar sistemas fotovoltaicos em 3 mil casas no bairro Cidade do Povo em Rio Branco.

Painéis importados

Lucas capacitou os funcionários e continua capacitando a equipe, que chegou a ter 20 colaboradores. “As pessoas querem economizar energia. Recebemos todos os dias novos pedidos de orçamento, dos quais 40% são efetivados”, relata Lucas. O empresário pensou em implantar uma fábrica de painéis fotovoltaicos em Rio Branco, mas os custos operacionais e de logística tornaram o sonho impossível.

Os equipamentos instalados pela Sisasolar chegam de São Paulo (SP) e são fabricados na Áustria, EUA e Canadá. Hoje, a Sisasolar é referência em energia fotovoltaica no Acre”, diz orgulhoso. O empresário acredita na abertura do mercado nos países vizinhos, principalmente Peru. Já vendeu equipamentos para clientes peruanos e informa que a moeda deles (novo sol) vale mais do que o real atualmente.

A Sisasolar monta, em média, 8 microusinas de 35 Kw (Kilowatt/hora) por mês para empresas de médio porte, que pagam contas em torno de R$ 8 mil /mês à concessionária. No momento, está instalando uma microusina com 140 painéis em Cruzeiro do Sul.

A propaganda é feita pelos clientes satisfeitos no boca a boca e nas redes sociais. O sistema energético do país está no limite e a energia solar vai salvar o país, apoiando o crescimento industrial com energia limpa e de baixo custo, diz ele.

A próxima meta da empresa é abrir filiais em Rondônia, em 2019, e conquistar os mercados do Peru e Bolívia. Ele está estudando esses mercados, que já estão investindo em aquecimento de água e o próximo passo será a microgeração de energia fotovoltaica, como aconteceu no Acre. Pousadas e hotéis serão os primeiros.

“A energia fotovoltaica é um caminho sem volta, é uma tendência mundial”, enfatiza. Alemanha e França têm baixa incidência solar e a paisagem desses países já está cheia de painéis. China e Estados Unidos são grandes usuários da matriz solar, renovável e limpa O Brasil demorou, mas entrou na era da energia solar fotovoltaica, conclui.(www.sisasolar.com.br )