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Empresa Manaós atrasa mais uma vez salário de enfermeiros e deputado cobra fiscalização

Funcionários da Empresa Manaós, que presta serviços de enfermagem no Hospital Francisca Mendes, denunciaram constantes atrasos no pagamento dos salários dos 52 profissionais e afirmaram que essa prática vem ocorrendo desde 2018. Esta semana, receberam pagamento referente ao mês de fevereiro deste ano, ficando ainda quatro meses em aberto e sem previsão de quitação. Em reunião organizada em plataforma digital pelo deputado federal José Ricardo (PT/AM), a representante da Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou que a empresa já enviou o pedido de faturamento dos meses em atraso, mas, até hoje, não comprovou mão-de-obra especializada para atuação na área, principalmente, em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), bem como documentos que comprovem o pagamento de impostos e encargos trabalhistas, restando quatro processos em aberto de 2020, no valor de R$ 400 mil.

Diante dessa situação preocupante, José Ricardo informou que irá denunciar mais essa empresa ao Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio de representação, bem como no Conselho de Saúde, assim como já fez com outras terceirizadas da saúde no Amazonas, solicitando urgente fiscalização. “Desde o mandato de deputado estadual, venho denunciando essa questão da terceirização, que já se arrasta por anos. Empresas que descumprem contratos e obrigações trabalhistas, algumas já denunciadas em esquemas de corrupção, e que prejudicam tanto os profissionais quanto o próprio Estado. Defendo que o Governo contrate esses trabalhadores diretamente. Seria muito melhor de administrar toda essa gestão. Enquanto isso, cobro que o Governo pressione essa empresa para se regularizar e cumprir com os salários dos seus funcionários. Irei ao MPT denunciar mais um descumprimento trabalhista”, declarou ele, informando que em abril havia enviado ofício ao governador do Estado, cobrando fiscalização nessa empresa e providências urgentes para cumprir com os pagamentos dos enfermeiros.

Uma das representantes dos funcionários da Manaós, que preferiu não ter o nome divulgado, contou que os enfermeiros dessa empresa vêm passando por sérias dificuldades financeiras, sem dinheiro para comprar alimentos, pagar aluguéis e cumprir com dívidas de empréstimos bancários. “Como podemos trabalhar com amor, se estamos extremamente preocupados com o financeiro? Saímos de casa todos os dias para trabalhar, correndo riscos e não somos valorizados. Muitos foram infectados com a Covid e não tinham dinheiro nem para comprar os medicamentos. O impasse é muito grande e precisamos de uma resposta”, relatou a enfermeira.

De acordo com a secretária executiva da capital (Susam), Alexandra de Biasi, a empresa Manaós venceu a licitação para prestar serviços de enfermagem no Francisca Mendes no ano de 2018 e que a Secretaria está quite com os pagamentos de 2019, restando apenas quatro processos em atraso de 2020, mas que ainda não foram pagos porque a empresa não apresentou os documentos exigidos por lei, que incluem alvarás, certidões da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. “Assim que a empresa se regularizar e comprovar a quitação desses impostos e encargos, os pagamentos serão liberados. A lei obriga e temos que cumprir com todos esses trâmites. Agora, ela precisava ter recursos em caixa para pagar seus funcionários e não depender cem por cento do repasse da Susam”, explicou a secretária, informando que, nesta semana, irá cobrar novamente da empresa a entrega dos documentos pendentes.