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Entenda as características dos cânceres que vitimaram a atriz Eva Wilma e o político Bruno Covas

Na última semana, o Brasil amargou a perda para o câncer de duas personalidades importantes: uma para a área política – Bruno Covas, 41, prefeito de São Paulo – e outra, para o meio artístico – a atriz Eva Wilma, 87, um dos principais nomes da dramaturgia brasileira. Com perfis totalmente diferentes, ambos foram vitimados por tumores malignos em áreas distintas do corpo humano. Em comum, as duas neoplasias têm as seguintes características: desenvolvimento lento e silencioso e diagnóstico geralmente tardio.

Entre as peculiaridades do câncer, está um de seus principais fatores de risco: a idade, algo que pesou para Eva Wilma, mas que no caso de Bruno Covas, foi substituído, provavelmente, pelo que autoridades medidas chamam de fator hereditário.

Bruno Covas morreu aos 41 anos, de problemas ocasionados por um câncer localizado na transição entre o esôfago e o estômago (cárdia), denominado adenocarcinoma, o que acende o alerta para a necessidade de análise do histórico familiar, uma vez que o tipo de câncer que acometeu o político é considerado ‘raríssimo’ em pessoas jovens, abaixo dos 60 anos.

“Por isso, é importante destacar que, apesar de a maior parte dos tumores malignos aparece a partir da quinta década de vida e ser mais comum ainda após os 60 anos, pessoas que têm parentes próximos na família, que tiveram câncer, devem começar uma pesquisa de rastreio 10 anos antes da idade em que esse parente foi diagnosticado com a doença”, frisou o cirurgião oncologista Jesus Pinheiro Júnior, membro voluntário da diretoria da Liga Amazonense Contra o Câncer (LACC). Exemplo: se o avô de alguém teve câncer aos 50 anos, essa pessoa deve iniciar o rastreio aos 40 anos.

“É uma forma de descobrir eventuais alterações mais cedo e aumentar as chances de cura”, acrescentou o cirurgião. Ele explica que o fator hereditário é responsável por cerca de 10% dos casos da doença no mundo.

De acordo com o médico, no caso do prefeito de São Paulo, as chances de cura acabaram reduzidas, já que o diagnóstico revelou a presença de metástase no fígado. “O esôfago tem uma camada a menos de tecido, o que torna a proteção dessa área ainda mais frágil, aumentando as probabilidades de que o câncer entre na corrente sanguínea, levando à metástase (quando a doença se dissemina para outros órgãos)”, explicou o especialista.

Jesus Júnior destaca que os principais fatores de risco para a doença são: obesidade, tabagismo, alcoolismo, doença do refluxo gástrico, idade e fator hereditário. Os sinais de alerta para o câncer de esôfago são: dificuldade de alimentação, sensação de obstrução no esôfago para a passagem do alimento, vômito com sangue, dificuldade de engolir, perda de peso sem explicação e redução de ingestão de alimentos sólidos.

“O controle é feito através dos exames de rotina, como endoscopia, por exemplo. O tratamento mais eficaz, se a doença for detectada no estágio inicial, é o cirúrgico, que hoje em dia envolve técnicas avançadas, inclusive de reconstrução, para casos mais específicos”, assegurou Jesus Pinheiro Jr.

Eva Wilma

No caso da atriz Eva Wilma, diagnosticada aos 87 anos de idade, com câncer de ovário, o cirurgião oncologista explica que as chances de cura foram reduzidas em decorrência de fatores como a idade e o estadiamento (extensão da doença no organismo). Trata-se do tumor ginecológico mais agressivo e o terceiro de maior incidência na população feminina. Além disso, por ser silencioso e não apresentar sintomas, é considerado de difícil diagnóstico.

Os ovários compõem o sistema reprodutor feminino. São glândulas responsáveis pela produção e armazenamento de células reprodutivas, além dos hormônios sexuais. No caso do câncer, que ocorre com a reprodução desordenada de células cancerígenas, o tumor mais comum, que responde por mais de 90% dos casos, é o carcinoma epitelial. Além dele, há pelo menos outros nove tipos da doença.

Apesar de ser mais comum no período pós-menopausa, também pode acometer mulheres jovens, ainda em idade reprodutiva.

Sintomas como dor ou inchaço no abdome, dor pélvica, compressão do estômago após comer, perda do apetite, problemas gastrointestinais como gases, inchaço, prisão de ventre ou diarreia, mal-estar, dor durante as relações sexuais, entre outros, podem pedir uma investigação mais aprofundada de um ginecologista ou de um cirurgião oncológico.

Os exames de rastreio incluem, basicamente, exames de imagem, laboratoriais, avaliação clínica e, se necessário, biópsia com análise patológica, procedimento utilizado para denominar se a lesão é ou não maligna, levando ao diagnóstico ou descartando a presença de um câncer.

A cirurgia para a retirada de um ou dos dois ovários também é indicada em casos iniciais da doença, o que amplia as possibilidades de cura ou de sobrevida das pacientes. A terapia pode exigir complementação de quimioterapia.

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