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Especialistas pedem quarentena rígida no Amazonas para evitar nova onda de Covid-19

Na manhã desta segunda-feira (8), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) ouviu a comunidade científica sobre a reabertura gradual das atividades do comércio no Estado, durante uma Audiência Pública virtual. Todos os participantes foram unânimes em reprovar o relaxamento precoce do isolamento social e sugeriram sua revisão, além de políticas diferenciadas para o transporte coletivo, investimento em testagem, maior repasse para o interior e campanhas de conscientização para a população.

Apresentando dados de um estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a médica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Luiza Garnelo, apontou que pelo menos 12% da população amazonense teve algum contato com o vírus, mas que o número não é suficiente para desenvolver uma imunidade natural e que 25% dos amazonenses não cumpriram o isolamento social por diversas razões.

Segundo Garnelo, as estatísticas continuam apontando para o crescimento da infecção. “A queda dos óbitos é muito relevante e a meu ver expressa muito mais a melhoria no sistema de saúde, aumento de leitos, entre outros, com a melhoria do atendimento, mas isso não implica dizer que a infecção não diminuiu”, afirmou.

O índice de isolamento social não ultrapassou os 40% em Manaus, sendo mais baixo ainda no interior, onde não tem efetivo de polícia suficiente para fiscalizar a circulação nas ruas.

O professor de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Fernando de Souza Santos, classificou a pandemia como um fenômeno biológico, cultural, econômico, tornando um fenômeno multidimensional e criticou o Governo por ter reaberto parte do comércio sem antes ouvir a população, amparado apenas na queda do número de mortos.

Alerta

A Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) lamentou a situação e destacou a possibilidade real de uma segunda onda, justamente porque a população não vê o retorno como uma medida gradual, mas sim como uma liberação geral das atividades.

Também participaram da Audiência Pública o professor Lucas Ferrante, representante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o matemático Alexander Steinmetz, diretor do Departamento de Matemática da Ufam, e o médico hematologista Nelson Fraiji, representante da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).

Texto: Fernanda Barroso