Estrela da campanha, a segurança precisa ser discutida a fundo

Marco Antônio Barbosa**

Chegamos ao segundo turno das eleições com um foco muito grande na área de segurança. Aqueles que endureceram o discurso propondo policiamento mais severo, mais estrutura, porte de arma e mais prisões tiveram votações bem expressivas, demonstrando um claro anseio da população que não aguenta mais mortes e clama por paz. Entretanto, de um lado ou do outro da polarização política atual ainda faltam propostas a longo prazo. Tudo ainda é superficial.

Simplesmente armar a todos e matar bandido não resolve. É muito mais complexo e a simplificação da situação serve apenas para ganhar votos. Se fosse assim, o problema já estaria solucionado.

Em 2017, o governo federal aumentou em 6,9% os gastos em segurança pública, chegando a R$ 9,7 bilhões, segundo dados do 12º Anuário de Segurança Pública, que reúne informações sobre segurança e violência em todo o Brasil. O mesmo documento aponta que 5.144 pessoas foram mortas por policiais no país, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Ou seja, já aumentamos o investimento e a letalidade da polícia.

Também prendemos mais suspeitos como mostra o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). A população carcerária do Brasil passou de 720 mil pessoas, com crescimento de mais de 180% entre 2006 e 2016.

As propostas debatidas e usadas pelos dois lados já foram colocadas em prática e falharam. Mas então o que é preciso fazer para salvar vidas?

Matar mais, aumentar efetivo ou número de presidiários abafam, mas não resolvem. É preciso agilizar a justiça, investir no social e integrar as informações por todo o Brasil.

Por exemplo, dos presos mais de 40% deste número aguarda por julgamento. Nosso judiciário não dá conta e os suspeitos ficam em cadeias superlotadas, juntamente com criminosos julgados, muitos de alta periculosidade e envolvidos com o tráfico. Seguindo o atual sistema, aumentar presídios é como criar universidades para o crime. Antes disso, é necessária uma reforma no sistema prisional brasileiro.

Outro ponto muito importante é o investimento social em educação, saúde, transporte, moradia, saneamento básico. Dar infraestrutura para que todos possam ter alternativas pessoais e profissionais. Isso influi, e muito, na segurança. O seu candidato faz a conexão da segurança com estes setores? É na nesta lacuna deixada pelo Estado que o crime organizado aparece como opção.

A questão de integrar as informações e polícias é importante, mas é preciso deixar as propostas rasas e pensar em uma integração em todos os níveis da justiça. O sistema judiciário, por exemplo, também precisa de integração. Isso ajuda a desburocratizar e agilizar julgamentos.

Para começarmos a melhorar a segurança no Brasil – é importante que se entenda que é um processo longo – é preciso mexer no vespeiro. Mudar os complexos, arcaicos e aparelhados sistemas judiciário e policial. Será que nossos candidatos querem isso mesmo? Cabe a nós cobrar e analisar atentamente as propostas de cada lado. Matar ou prender sem pensar ou planejar não é a solução.

** Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

Sobre a CAME do Brasil

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